PERIÓDICO DE DIVULGAÇÃO DO ESPIRITISMO PRÁTICO
Obsessão curada graças ao Espiritismo
01 / DEZEMBRO / 2025
Obsessão curada graças ao Espiritismo

 

   No mês de agosto de 2025 chegou-nos um pedido de ajuda da parte do senhor F., de 44 anos, que nos disse sofrer problemas psicológicos desde sua adolescência. Consultados ao longo do tempo diversos profissionais da saúde, estes lhe disseram tratar-se de uma depressão e lhe prescreveram alguns medicamentos, que nenhum efeito evidente produziam. Com o passar dos anos a chamada depressão se agravou, prejudicando fortemente a vida do Sr. F.

   Geralmente ele sofria de insônia, mas quando conseguia dormir tinha pesadelos;  acordava bem agitado e sentindo-se muito mal. Tinha medo da noite, então deixava a janela de seu quarto sempre entreaberta, a fim de perceber quando chegava a luz do dia para só então dormir; quando conseguia, dormia até pela metade da tarde, e mesmo assim acordava cansado e desanimado. Ficava boa parte do tempo em seu quarto, chorando; não estava mais conseguindo trabalhar, porque o desânimo lhe tomara por completo.

   O Sr. F., fora casado, amava sua esposa, mas por causa de sua situação separou-se dela e passou a morar com os pais, por recomendação médica, porque às vezes seu desespero era tão grande que pensava em atentar contra a própria vida. Sentia-se um peso para os pais, já idosos, o que aumentava ainda mais suas angústias.

   Por recomendação de um amigo seu, que havia sido curado de uma obsessão pelo grupo curador Allan Kardec, o Sr. F. nos procurou. Disse-nos que é católico, que acredita em Deus e nos pediu preces.

   Levamos o caso ao presidente do grupo, Sr. Allan Kardec.

   1. A que se devem as perturbações psicológicas que o Sr. F. vem sofrendo há anos?

   2. Esse mal é suscetível de ser curado?

   3. Nosso grupo poderá auxiliar nessa cura? Se sim, de que maneira?

   4. Caso se trate de uma obsessão, o Espírito obsessor poderá ser moralizado?

   5. Pedimos vossos conselhos e orientações, a fim de que possamos bem nos conduzir sob vossa assistência.

   Eis as respostas que obtivemos:

   "Caros amigos, rogamos a Deus que abençoe a todos vós e também a esse Espírito vingativo, nosso irmão que sofre. 

   O senhor F. sofre uma obsessão tenaz. O Espírito que o obsidia, seu amigo de outrora, não soube perdoar e procura vingar-se, fazendo-o sofrer, com o propósito de fazê-lo perder completamente a razão e induzi-lo ao suicídio.
O Espírito obsessor é passível de ser moralizado, e Deus dá, nesse momento, uma oportunidade ao Sr. F. para buscar o perdão e reconciliar-se com esse Espírito que o persegue. 
   Espíritos familiares do Sr. F, oram, pedindo a Deus por essas duas almas, e estarão convosco com o propósito de ajudar esses dois filhos de Deus que sofrem. 

   Podeis chamar o Espírito obsessor nesta sessão. Estaremos convosco."


Allan Kardec.
(Psicografada dia 19 de agosto de 2025.)

 

Primeira conversa com o Espírito obsessor

 

    Evocamos o Espírito obsessor, que começou a falar nestes termos:

   - Em outro momento eu os puniria severamente, porque a mim foi dado essa autoridade. Vocês são como ele, hereges. Eu não sei por que razão se metem numa causa para a qual não foram chamados.

   1. Então, o senhor é o Espírito que tem feito sofrer o Sr. F.?

   - Ele precisa aprender que nada fica impune. Que mais hoje, mais amanhã, aquele que virou as costas a quem lhe deu a mão deve responder por isso. É por essa causa que ele agora sofre, pois deve ser punido pelo que fez.

   2. Você se referiu a nós pelo termo "hereges", então supomos que seja um religioso, um padre?

   - Sim, porque a mim foi dada essa missão, esse poder, mas vocês mexem com coisas que não conhecem. Isso é condenável!

   3. De quem o senhor recebeu esse poder?

   - Da santa Igreja, do santo Padre. Só a ele é dada essa atribuição.

   4. Refere-se ao atual papa da Igreja?

   - Não, não me refiro a ele. Há uma legião daqueles que se ocupam com o que a Igreja deve fazer pelo bem da humanidade. Por isso, não podemos deixar que os que viram as costas, que caluniam, que blasfemam, fiquem impunes.

   5. Como católico, supomos que o senhor seja cristão.

   - Sim, como não o seria?

   6. O senhor entende que Jesus aprovaria essa sua maneira de proceder?

   - Jesus nos deixou a missão de educar os homens. Esse é o nosso dever. E se eles não entendem só pelas palavras, entenderão pela força. Assim sempre temos feito. Lamentamos que hoje alguns pensem que é preciso ter compaixão pelo mal, por aquilo que denigre a imagem do cristão, da Igreja. Nós não deixaremos que isso aconteça.

   7. Nós não temos compaixão pelo mal, mas pelos filhos de Deus que são ignorantes, que sofrem, que não conseguem compreender a grandeza dos ensinos do Cristo, nem entender os exemplos que ele nos deixou. Nós não aprovamos o mal, mas temos compaixão dos maus.

   - Então, se não aprovam o mal, não devem meter-se nesse campo. Eu não desejo mal a vocês, mas não permitirei que atravessem o meu caminho. Não permitirei!

   8. O senhor poderia nos dizer o seu nome, padre?

   - De que valeria isso? Podem me chamar só de padre, e já basta.

   9. O senhor tem visto algum dos chamados pais da Igreja, que são verdadeiros cristãos, como Santo Agostinho, São Basílio, São Jerônimo e outros tantos?

- Não. Eles estão no lugar que devem estar. Não temos essa pretensão, nem nos achamos dignos disso.

   10. E Jesus, o bom Pastor a quem o senhor diz representar, tem-no buscado?

   - Ele também está no seu devido lugar. Esses seus questionamentos me estranham muito...

   11. Por que, padre?

   - Porque vocês sabem, tanto quanto eu sei, o lugar dos santos e o lugar do senhor Jesus. Então, essas questões me causam estranheza.

   12. Mas não deveria ser assim, pois Jesus disse que quer todos nós junto dele. "Há muitas moradas na casa do Pai", disse ele, "e eu me vou para preparar o lugar".1 Então ele há de estar nos ouvindo neste momento.

   - Nós temos a missão de conduzir-vos a esse lugar, e assim o faremos.

   13. Mas se o senhor não sabe onde é o lugar, como é que vai nos conduzir?

   - A santa Igreja sabe para onde devemos seguir. Hoje eu tenho uma missão particular, e essa eu devo executar com perseverança e dedicação. Então, não quero perder o meu tempo com essas discussões que não levarão a lugar nenhum.

   14. O senhor, como cristão, deve lembrar o que foi feito com Jesus quando ele esteve na Terra.

   - Como eu não poderia lembrar disso?

   15. Ele foi tratado com violência, mas não revidou. Não é ele o modelo e guia que todos os cristãos devem seguir? A Igreja é uma instituição. Nós somos os filhos de Deus. Os padres são também filhos de Deus, que devem agir como agiu o Cristo, nosso irmão.   

   - Nós daremos sempre o exemplo. E esse que hoje eu puno é para que ele saiba que deve ajoelhar-se diante daquilo que é mais sagrado.

   16. Talvez a sua questão seja mais particular do que uma questão de fé, não é padre? O que lhe deve esse que o senhor quer punir?

- Sim, é particular. Sim, é! Mas eu sou o representante do caminho, e vou colocá-lo nesse caminho, queira ele ou não, porque essa é a missão que me foi dada, e é isso que irá acontecer.

   17. O senhor quer conduzi-lo a Jesus, que é o caminho, a verdade e a vida?

   -  Sim, e ele vai se arrepender do que fez.

   18. O Cristo veio mostrar-nos o caminho que conduz a Deus. O senhor certamente não ignora estas palavras de Jesus: Aquele que quiser vir após mim, tome a sua cruz, negue-se a si mesmo e siga-me. Ele pegou um chicote e disse: - "Vocês vão seguir o caminho, nem que seja à base de chicote, e de joelhos?"

   - A ignorância não reflete. Muitos, como aquele que eu puno, não veem e não refletem. É para esses que o chicote e o cabresto servem, é a esses que me refiro.

   19. O senhor, como padre, não deveria pedir a Deus por ele? Orar pelos inimigos, como ensinou Jesus, orar por aqueles que são os pecadores, para que Deus abra os olhos deles?

   - Por esse com quem me ocupo, nenhum pensamento a Deus é digno de ser dirigido. Vocês não sabem do que se trata, então não me peçam aquilo que não é possível.

   20. Nós podemos ajudar nesse sentido, orando por ele e pelo senhor também. 

   - Vocês não querem ajudar, e eu não quero a ajuda de vocês. Eu aceitei vir aqui falar para que vocês fiquem avisados sobre no que estão se metendo, então não tenho mais nada a tratar nesse sentido. Não voltemos a essa conversa.

   21. O senhor confia em Deus, não é, padre? O senhor acredita que Deus é todo-poderoso?

   -  Sim, é claro que acredito.

   22. Teria coragem de pedir a ajuda de Deus para massacrar seu irmão? Para fazer com que ele se ajoelhe e se sinta humilhado? Deus nos ajuda, mas quando pedimos algo que seja justo e bom. Se o senhor não lhe pediu é porque talvez saiba, em sua consciência, que Deus não aprova essas suas ações.

   - Se eu estou aqui agora e faço o que faço, Deus sabe, só ele sabe.

   23. Ele sabe, sim, pois é onisciente e onipresente. Deus é todo justiça, amor e bondade, e também misericórdia. Se o senhor quiser saber a nossa verdadeira intenção, saberá que só queremos vê-lo livre desse sofrimento, e também esse rapaz que não conhecemos, mas sabemos que é nosso irmão, filho do mesmo Pai.

   - Não há sofrimento, só correção de alguns fatos.

   24. Não seria uma mágoa, um ódio, um desejo de vingança?

   - Chame do que quiser, eu chamo de corrigir os fatos e os passos. Eu vou, deixando-os alertados.

   25. Que Deus o abençoe, padre, e que Jesus, o bom pastor, o ajude a amar mais, mesmo os pecadores, como ele faz conosco. Pedimos que ore por nós, pois os hereges também merecem a prece daqueles que servem a Deus.

 

(Por psicofonia, dia 20 de agosto de 2025.)

 

   Um resumo dessa conversa foi enviado ao Sr. F. no mesmo dia, para que ele soubesse que o que vinha sofrendo há anos não era uma loucura incurável, mas efeito da ação de um Espírito que buscava vingança por alguma ofensa que sofrera no passado, numa outra existência que ambos compartilharam. Aconselhamos o Sr. F. que fizesse preces pelo Espírito do padre que não conseguira até então lhe perdoar.

   No dia seguinte, o Sr. F. enviou ao grupo a seguinte notícia:

   "Consegui dormir melhor, acordei na metade da manhã e já estou trabalhando. Ontem, antes de dormir, eu me concentrei bem e conversei com Deus e com o Espírito do padre. 

   "Eu pedi minhas sinceras desculpas por qualquer mal que eu tenha feito a ele no passado. Pedi a Deus que me ajudasse a transmitir esse pedido de perdão ao Espírito e também pedi que, caso o Espírito do padre estivesse me escutando, que eu estava me referindo a ele e pedindo, do fundo do meu coração, o seu perdão, a sua misericórdia. Disse-lhe que eu desejava que ele também encontrasse o caminho da luz e de Deus, e que parasse com essas maldades comigo. 

   "Eu disse também pra ele que, caso ele fosse o responsável pela minha separação, eu também o perdoava, e que a gente esquecesse tudo o que se passou e a partir de agora, tanto eu como ele, só seguíssemos o caminho que leva a Deus."

   Fiz esse pedido com toda a minha sinceridade, do fundo do meu coração, implorei por perdão e pedi misericórdia."

 

Sessão do dia 21 de agosto de 2025

 

   Sabendo que o Sr. F. havia se sentido bem desde que tivemos a primeira conversa com o Espírito, seu obsessor, quisemos saber a causa de sua melhora, então evocamos o presidente do grupo e lhe fizemos as seguintes perguntas:

   1. Caro mestre Allan Kardec, a que se deveu a melhora do Sr. F.?

   2. Houve alguma mudança nas disposições do Espírito do padre que o obsidia?

   3. Pedimos vossos conselhos e orientações, a fim de que possamos nos conduzir sob vossa assistência.

   Eis o que obtivemos:

   "Amigos, o Espírito obsessor mantém seus propósitos. A melhora do Sr. F. se deu graças às suas disposições sinceras de se melhorar, às preces dos encarnados, ao magnetismo que ele tem recebido e às preces dos Espíritos que desejam ver livres essas duas almas sofredoras.

   Aconselhamos que faleis ao Espírito do padre sobre o amor de Jesus, sobre o perdão e a necessidade que ele próprio tem de ser perdoado; a sua cegueira não permite-lhe que veja aqueles que se aproximam para ajudá-lo. Perseverai, que nós vos assistiremos e logo ele estará em melhores condições."

 

Allan Kardec. 

(Psicografada dia 21 de agosto de 2025.)

 

   Na sequência, evocamos o Espírito obsessor e tivemos com ele a conversa que se segue.

 

Segunda conversa

 

   Antes de passar a palavra ao Espírito, lemos o texto "Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado."2

   Assim que foi chamado o Espírito se comunicou, dizendo:

   - Eu achava que vocês tinham entendido tudo o que eu disse a respeito desta situação. Achei que respeitariam, mas vejo que se julgam salvadores e não medem as consequências do que fazem, interferindo numa decisão, numa verdadeira correção dos fatos. Eu os lamento, porque sofrerão junto com ele.

 

Observação: ele diz isso porque vinha causando mal-estar em alguns membros do grupo, como um meio de intimidação para que desistíssemos do caso.

 

   1. É o padre que nos fala?

   - Sim.

   2. Nós ficamos contentes por terdes voltado. Mesmo que não aprove o que fazemos, há de compreender, mais cedo ou mais tarde, que só queremos o seu bem. Ouviu a passagem do Evangelho de Jesus, que lemos no início?

   - Sim, estava aqui.

   3. Acha justo o que Jesus fez e o que disse diante da turba que estava prestes a apedrejar a mulher adúltera?

   - Não poderia negar que há justiça em Jesus.

   4. Quando ele disse para que aquele estivesse sem pecado atirasse a primeira pedra, que reflexão essas palavras do Mestre poderia causar em alguém que carrega muitas pedras e outros artifícios de punição? Um coração assim poderia ser tocado?

   - Acontece que são questões diferentes. Jesus falava a um povo rude e bruto. O que eu quero é que o respeito e a justiça se restabeleçam, é só isso.

   5. O senhor chama a vingança de justiça?

   - Eu não chamo isso de vingança, chamo de reparação. Você diz que é vingança, eu chamo de reparação.

   6. No entanto, o senhor se sentiu ofendido em algum momento, por esse rapaz que hoje é sua vítima, não é mesmo?

   - Sim.

   7. Cogitou, em algum momento, que o senhor também tem censuras a se fazer, e que também precisa do perdão de Deus?

   - Acontece que tenho em minha consciência a tranquilidade de não ter feito a metade, aliás, bem menos que a metade do que ele fez. Sempre respeitei a nossa Instituição, sempre tive coragem de levar em frente aquilo que diz respeito a manter viva a fé na santa Igreja.

   8. O senhor considera a Igreja, como instituição, acima de Jesus e de Pedro?

   - Eles são a própria Instituição. Não há separação para nós, porque a construímos juntos. Se hoje o cristianismo é o que é, construímos juntos.

   9. Mas talvez o Cristo esteja um tanto esquecido, ele que só pregou o amor, a benevolência, o perdão, a indulgência. O que Jesus ensinou diferente disso, padre?

   - Mas o que você quer que eu faça? Que o perdoe e deixe as coisas assim? É isso?

   10. Se o senhor é um cristão verdadeiro, precisa fazer o que Jesus ensinou: perdoar as ofensas, perdoar os inimigos. Ele ensinou uma prece que todo cristão lembra até hoje, chamada Oração dominical. Jesus sabia que nós, Espíritos imperfeitos, que vivemos neste mundo imperfeito, precisaríamos conversar com o Pai, pela prece, nos termos que ele ensinou. 

   Numa passagem dessa prece, Jesus nos ensinou a dizer a Deus: Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que nos ofenderam.3 Foi ele que nos ensinou. Ele é o Salvador, é ele que vem nos salvar das misérias que nós engendramos para nós mesmos. Por que não o perdão que liberta, ao invés do ódio que escraviza, que infelicita, que impede o Espírito de progredir, que o faz ficar muito tempo sofrendo, quando não precisaria?

   - É preciso corrigi-lo, é preciso corrigir as questões que não estão de acordo. Se eu simplesmente desistisse de fazer isso, ele ficaria impune, e eu acharia que não teria mais condições de manter a ordem e a honra das minhas palavras e da Igreja. Não dá para desistir. É preciso que ele responda pelo que fez, que se ajoelhe diante da sua consciência culpada.

   11. Um dia todos nós teremos que nos ajoelhar diante de Deus, que conhece a nossa consciência culpada, pode ter certeza, padre. O senhor deve ter ouvido a prece sincera que sua vítima fez, na noite passada, pedindo que o senhor o perdoe, pedindo misericórdia. Isso não é ajoelhar-se diante da própria consciência e pedir a Deus o perdão para as próprias faltas? Ele também se dirigiu ao senhor, padre, pedindo-lhe que tenha misericórdia do sofrimento dele. Isso não seria o suficiente?

   - Não sei se é o suficiente.

   12. Se o senhor tiver a grandeza de alma para perdoar, então terá a oportunidade de servir ao verdadeiro Senhor e representá-lo junto aos que sofrem. O nosso mestre é Jesus. Ele espera o seu sim a Deus, padre. Para isso, basta eliminar do seu coração toda mágoa, todos esses sentimentos que não condizem com o verdadeiro cristão.

   - Isso não é possível. As coisas chegaram onde chegaram, então não posso abrir mão de tudo agora, porque se o fizesse seria uma loucura, uma ingenuidade de minha parte.

   13. Ao contrário, nós diríamos que o senhor estaria dando um atestado de que recuperou a sanidade. Nós já conversamos com alguns padres que estavam numa situação bem parecida com a sua e foi Santo Agostinho, nosso querido amigo, a quem amamos e respeitamos, que tocou esses corações com a suavidade do amor verdadeiro que ele tem por todos nós.

   - Vocês mancham o nome de Santo Agostinho, dizendo o que dizem a respeito dele.

   14. Dizendo que ele é uma grande alma, que tem um bom coração, que o respeitamos, o senhor pensa que manchamos o nome dele?

   - Deixem-no onde ele está, no lugar que pertence a esses santos homens, e assim os respeitarão verdadeiramente como eles são.

   15. E quanto a Jesus? Também temos que deixá-lo de lado, afastá-lo de nós? Ele que é o bom pastor e que afirmou: Nenhuma das minhas ovelhas se perderá. Como seria isso então, se nós o afastarmos?

   - Ele usa os braços da Igreja para reunir as suas ovelhas e tocar os corações, é assim que ele trabalha.

 

Observação: a ideia de que Jesus e os Espíritos superiores estão distantes e são indiferentes aos sofrimentos humanos é um dos grandes preconceitos que, infelizmente, priva-nos de receber o auxílio de que tanto necessitamos. "Vinde a mim, todos vós que sofreis." "Eu sou o grande médico das almas", disse Jesus..." "Não busqueis alhures a força e a consolação, pois o mundo é impotente para dá-las."4

 

   16. Ah, isso é verdade, quando se fala dos cristãos verdadeiros. No entanto, Jesus não ordenou que os braços dos cristãos se tornassem chicotes, muito menos os daqueles que dizem representá-lo mais diretamente. O senhor já chegou a ser confessor de alguém, padre?

   - Claro que sim.

   17. O que o senhor recomendava àqueles que lhe confessavam terem cometido graves faltas, ou mesmo crimes?

   - Dizia aquilo que deve ser dito por um padre.

   18. Teria dito: "Pecador, submeta-se àquele a quem você feriu e receba dele tantos açoites quanto os que você desferiu"? Não era isso, não é mesmo, padre?

   - Não era isso.

   19. Então, se o senhor se ajoelhar diante de Jesus e dizer a ele tudo o que vai na sua alma, ele o ouvirá e certamente lhe dirá: "Eu te perdoo", como disse à mulher adúltera: "Vai, e de futuro não tornes a pecar".5

   - O que está feito, está feito.

   20. Tudo o que o senhor tem feito até agora, o fez por sua própria vontade. A sua vontade é soberana no que diz respeito às suas atitudes, às suas escolhas. Então, basta dobrar-se sobre si mesmo, arrepender-se sinceramente e escolher fazer o bem e ser feliz, escolher servir a Deus verdadeiramente. Basta apenas uma decisão, e ela cabe ao senhor. Lembre-se que Deus não quer a morte do pecador, não quer a morte do ímpio, quer que ele se arrependa e viva. O seu antigo amigo, hoje sua vítima, num gesto de humildade sincera pediu a sua clemência, padre. Pediu a sua misericórdia, pediu o seu perdão. Isso não lhe toca o coração?

   - O que me toca o coração é a lembrança das coisas que ele fez, que me aconteceram. Isso verdadeiramente me toca.

   21. Não acreditamos que o seu coração possa ser tão duro assim. O senhor há de se lembrar dos bons momentos que poderiam ter marcado mais a sua memória. Seu amigo já se arrependeu. Ele pediu a Deus uma nova oportunidade, uma nova encarnação, e  lhe foi concedida, tanto que o senhor pode ver que ele não é mais a mesma pessoa. É o mesmo Espírito, mas arrependido. Deus lhe deu uma nova oportunidade para que ele expiasse suas falta e refizesse o caminho.

   - Ele tentou fugir, tomando um novo corpo, mas não poderia.

   22. Se o senhor quiser perceber o que aconteceu com ele no mundo dos Espíritos,  depois da morte, entenderá que houve o arrependimento sincero da parte dele, então verá que ele não é mais o mesmo. Quando ele soube que o senhor estava por perto, querendo a desgraça dele, ele pediu o seu perdão. Padre, nós temos certeza que aí no seu coração tem um lugar para a misericórdia, porque o senhor é filho de Deus, e todo filho de Deus tem a marca do Criador na própria alma. Nós apelamos ao seu coração para que tenha misericórdia.

   (Depois de uns instantes) - Eu o observarei por mais um pouco.

   23. Isso é bom. Mas tente vê-lo com outros olhos. Pense que ele é filho de Deus, que erra, como todos nós que ainda somos imperfeitos, mas que tem a oportunidade de se arrepender e refazer o caminho. O senhor, como antigo amigo, poderá ajudá-lo a fazer isso da maneira certa, e ele confiará naquele que agora só quererá o seu bem.

   - Eu ainda julgo que a minha é a melhor maneira, mas eu o observarei para ver se houve mudança.

   24. Faça isso, lembrando sempre desse grande ensinamento de Jesus: Fazei ao próximo o que gostaríeis que vos fosse feito; não façais ao próximo o que não gostaríeis que vos fizessem. Eis o mandamento maior: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.6 Nós contamos com a bondade de sua alma, padre, que deve estar escondida sob tanto sofrimento. A centelha do amor divino está aí, no seu coração.

   - Não temos mais nada do que tratar agora.

   25. Depois que o senhor observar o rapaz, virá contar-nos o que constatou?

   - Sim, eu virei.

   26. Nós pedimos a Jesus que lhe cubra com seu manto, e o conduza pela boa via, e Jesus o fará.

 

(Por psicofonia, dia 21 de agosto de 2025.)

 

   No dia seguinte enviamos ao F. essas conversas que tivemos com o Espírito do padre, seu obsessor. Eis o que ele nos respondeu à noite do mesmo dia:

   "Li com muita atenção todo o relato. 

   Vou me concentrar agora à noite, antes de dormir. Vou me ajoelhar e pedir novamente que o Espírito do padre me perdoe e que tenha misericórdia. Eu peço as minhas mais sinceras desculpas por todo mal que ele diz que eu fiz a ele no passado.

   "Eu me antecipo e direi ao padre que caso ele tenha contribuído para a destruição do meu casamento e a separação definitiva da mulher que eu amava, que me cuidava, que orava por mim e que sempre esteve presente nos momentos bons e ruins ao longo dos últimos sete anos, eu o perdoo.

   "Direi que, se ele também contribuiu para o agravamento da minha depressão e dos pesadelos e chamados incessantes para que eu atentasse contra minha própria vida, mesmo com todo esse mal que ele direcionou a mim por vingança, mesmo assim eu estou confiante em Deus e nos ensinamentos do nosso senhor Jesus Cristo, e o perdoo.

   "Desejo que Deus e que Jesus Cristo iluminem a mim, e da mesma forma e com a mesma intensidade, também iluminem o Espírito do padre e que transformem a mim, encarnado, e ele, em Espíritos de luz e nos deem sabedoria, evolução e felicidade.

   "Acabei de fazer todas as preces que mencionei acima. Pedi a Deus que ajudasse o Espírito do padre a escutar as minhas palavras, e tudo isso pedi em voz alta. Pedi novamente perdão e misericórdia ao Espírito do padre. 

   "Bem-aventurados os que são misericordiosos."

   Eu, do fundo do meu coração, não desejo nenhum mal ao Espírito do padre. Todas as coisas boas que desejo a mim eu também desejo a ele.

   Agradeço todos vocês.

   Vou dormir agora!"

 

Sessão do dia 26 de agosto de 2025

 

Comunicação espontânea

 

   "Caros amigos, Deus quer que todos os seus filhos trilhem um bom caminho e que, assim fazendo, ao caminhar entrevejam a felicidade que os aguarda. Por isso os bons Espíritos, que já desfrutam dessa felicidade, vêm dar uma mostra da bondade divina aos que ainda se debatem nas próprias imperfeições, mostrando principalmente àqueles que se afastaram do bom caminho o que os aguarda. É assim que, tocados por essa chama do bem, são todos chamados a olhar para o alto e a deixar de lado, ainda que por instantes, as futilidades que a materialidade oferece. 

   O senhor padre pode contemplar o que o aguarda, se renunciar a si mesmo e abraçar daqui para a frente a causa maior, que é a caridade para com o próximo e o amor a Deus. Pedimos ao nosso bom Deus que o ajude a seguir pela boa via."

 

Um Espírito que já fora dogmático. 

(Psicografada dia 26 de agosto de 2025.)

 

Terceira conversa com o Espírito do padre

 

   Antes de passar a palavra ao Espírito do padre, lemos a dissertação do apóstolo Paulo sobre o perdão.7

   Evocação.

   - Eu não sei o que fizeram, mas num determinado momento foi como se eu estivesse perdendo o controle sobre ele. Depois disso, algumas coisas se passaram e eu o ouvi pedindo perdão e desejando a mim aquilo que eu nunca fui capaz de desejar a ele.

   1. É o padre que nos fala? 

   - Sim. 

   2. O que mais aconteceu com o senhor desde a nossa última conversa, além de ter ouvido de sua vítima um pedido sincero de perdão, com o desejo de que o senhor seja feliz? Esteve com alguém que tocou o seu coração?

   - Durante um bom tempo eu me dediquei seriamente à questão da punição do culpado e não conseguia perceber nada à minha volta. E, de repente, recebo uma visita inusitada que me questionou por quê eu ainda me mantinha naquela mesma posição, desde a última conversa que tivéramos no passado. Só então eu percebi que já havia passado tanto tempo desde então!... Isso me fez pensar sobre algumas coisas.

   3. Quem foi essa visita que lhe tocou a alma?

   - Um amigo, um bom amigo. Ele me fez dar um passo à frente e ver que havia outros correligionários nossos que já não mais compartilhavam das mesmas ideias que eu ainda mantinha, que tinham como que "quebrado as correntes". Aí, agora eu chego aqui nesta reunião e vejo esses bons Espíritos que me tratam como um irmão, um verdadeiro irmão.

   4. Quer compartilhar conosco o que eles lhe dizem, padre?

   - Sim. Santo Agostinho está aqui e, mesmo que eu duvidasse, como duvidei ao vê-lo, não posso negar o que escuto e sinto. Ele me diz que, se não houver amor, se não houver perdão, nada mais importa; que nenhum templo ficará de pé, se o amor e a caridade não estiverem presentes. Diz, ainda, que nenhum santo estará na morada prometida aos eleitos, se em seu coração não estiverem vivos o perdão, o amor e a caridade, a benevolência.

   Isso despertou em mim um sentimento que me traz um conflito e, ao mesmo tempo, um alívio. Um conflito, porque acreditava tanto na Instituição e na posição que ocupava, e agora me sinto abalado; um alívio, porque vejo que não há necessidade nem de instituição, nem de posição para sermos salvos.

   5. Nós entendemos o seu conflito. Quando vislumbramos o futuro feliz que nos aguarda, mas nos deparamos com o homem velho e o quanto ele ainda nos domina, entendemos que temos uma luta a enfrentar contra os vícios e as más paixões. Esse é o seu desafio agora, mas não faltará o auxílio desses bons Espíritos, temos a certeza. O senhor também pode contar com as nossas preces.

   - Sim, sei que posso. As orações, com certeza, me farão bem.

   6. Pelo que nos disse no início, o senhor observou aquele a que perseguia e percebeu sinceridade nos sentimentos dele e nas preces que ele tem feito pelo senhor.

   - Sim, percebi.

   7. Então já se decidiu a abandonar a vingança, ou a correção, como o senhor chama?

   - Sim. Não posso mais seguir com isso.

   8. Vai aceitar o convite de Santo Agostinho para servir a Deus, trilhando agora o caminho ensinado pelo Bom Pastor?

   - Jamais poderia rejeitar esse convite. Tenho que seguir esse caminho.

   9. O senhor gostaria de nos dizer o seu nome hoje, padre?

   - Sim, é Alfonso.

   10. Podemos chamá-lo oportunamente para saber mais notícias boas?

   - Sim, eu virei.

   11. Quer dirigir algumas palavras ao Sr. F., que irá ler esta nossa conversa?

   - Digo que ele persevere naquilo que está fazendo, confiante em que tudo se modificará daqui para frente.

   12. Graças a Deus. Nós o felicitamos, padre Alfonso, pelas mudanças que se operaram em sua alma e desejamos que Deus o abençoe sempre.

   - Obrigado.

 

(Por psicofonia, dia 26 de agosto de 2025.)

      Notícias enviadas pelo Sr. F., nesse mesmo dia:

   "Eu estou bem! Eu aproveitei ontem e hoje pra arrumar minha casa nova e descansar. Estou me sentindo tão bem. Cuidando da minha casa nova. Conseguindo dormir bem. Ter um sono tranquilo e acordar relaxado e disposto.

   Para mim tudo isso foi um milagre, porque foi uma mudança da água para o vinho.

   Minha fé foi renovada. Sinto em meu coração e em tudo ao meu redor a presença de Deus e do Nosso Senhor Jesus Cristo.

   Quero me dedicar a ler os livros de Allan Kardec e aprender mais sobre ele."

 

Observação: concordamos com a opinião do Sr. F. de que sua cura foi um "milagre", foi mais um dos milagres promovidos pelo Espiritismo.

 

Sessão do dia 16 de setembro de 2025

 

   Alguns dias depois que ficou curado da obsessão, o Sr. F. nos enviou algumas perguntas, que ele mesmo elaborou, pedindo-nos se poderíamos chamar seu anjo guardião e dirigir-las a ele. Ele também gostaria de pedir perdão diretamente ao seu antigo amigo, padre Alfonso. Então, convidamos o Sr. F. a participar de uma reunião para que ele mesmo chamasse seu guia e também fizesse seu pedido de perdão ao seu antigo amigo. Iniciamos pelas perguntas dirigidas ao anjo por seu próprio protegido:

   1. Meu bom anjo guardião, eu gostaria de saber como posso melhorar minha saúde, como devo proceder para recuperá-la totalmente?

   2. Peço seus conselhos para de agora em diante seguir um caminho que me leve à felicidade verdadeira e que seja possível aqui neste mundo.

   Eis as respostas que obteve:

   "Meu amigo, a fé em Deus é o caminho para a verdadeira felicidade. A fé a que me refiro é a fé racional no Pai, adquirida pelo conhecimento das suas leis. Fé que leva ao cumprimento dessas leis em tudo o que fizeres e que tenha relação com o próximo.

   Pergunta-te se o que fazes, ou queres fazer aos outros, gostarias que a ti fosse feito, e a resposta te dará um parâmetro para as boas ações. Nas ações para contigo  mesmo, nos momentos em que não há testemunhos, pergunta-te se o que pensas ou fazes poderia ser visto e avaliado por outras pessoas, e principalmente por Deus, que tudo vê e tudo sabe. Medita, pois, seriamente sobre o que desejas, vê se há nos teus desejos o bem verdadeiro, se o que desejas é libertar-te, e se respeitas também a liberdade de teu próximo.

   Digo-te tudo isso, meu amigo, para que conheças a ti mesmo e assim venças as dificuldades que precisas vencer.

   Nos momentos em que te sentes só, eu estou ao teu lado e inspiro-te a que olhes para o alto, que vejas além da pequenez da matéria que tende a aprisionar, e busca tudo o que podes fazer de bem para ti e para o teu próximo, reconhecendo-te como Espírito imortal que és. Aceita com resignação as provas que Deus te envia, pois se as aceitares com resignação e coragem, sairás delas vitorioso. Confia, porque depois da tempestade vem a calmaria, o sol reaparece e um novo dia se estabelece; cultiva a esperança, certo de que se fizeres bem a tua parte o amanhã será melhor. 

   Quando te vierem pensamentos a respeito daqueles que passaram em tua vida, ora por eles; pede a Deus que os conduza nessa vida e, se os ofendeste, pede a Deus que te perdoe. Cumpre tuas tarefas diárias, tão importantes para a manutenção de tua saúde e das coisas materiais que te concernem. Estimula o teu corpo físico com atividades físicas, e muda os maus hábitos, substituindo-os pelos bons. Estou aqui e estarei sempre contigo, meu amigo."

 

Anjo guardião

(Psicografada dia 16 de setembro de 2025.)

 

   Em seguida pedimos orientações ao presidente do grupo curador.

   1. A obsessão que o Sr. F. vinha sofrendo, da parte do padre Alfonso, está totalmente curada?

   2. A evocação do Espírito do padre Alfonso é oportuna nesta sessão?

   R. - "Meus caros amigos, podeis considerar curada a obsessão. O padre Alfonso tem hoje outras disposições e o desejo sincero de compreender melhor as leis de Deus. Podeis evoca-lo nesta sessão.

   Ao senhor F., além dos conselhos já recebidos de seu guia, digo-lhe que procure compreender um tanto mais sobre a fé, pois a coragem que a fé proporciona é o sustento nas provas da vida. 

Rogamos a Deus que vos abençoe e que tenham a certeza de que velamos por vós."

 

Allan Kardec.

(Psicografada dia 16 de setembro de 2025.)

 

Quarta conversa com o Espírito do padre Alfonso

 

   - Eu estou aqui.

   1. Quem nos fala? 

   - Alfonso.

   2. Ouviu a prece que fizemos há pouco em seu favor?8

   - Sim, eu ouvi. Ela me fez, uma vez mais, refletir sobre a necessidade do perdão, do perdão que não só apaga as faltas, ou qualquer ressentimento da memória, mas do perdão que abre as portas para uma nova vida. É isso que eu realmente desejo agora.

   3. Tem algo que o senhor gostaria de nos contar? Dizer-nos com o que tem se ocupado desde a nossa última conversa, o que tem aprendido com Santo Agostinho. Nós gostaríamos de saber.

   - Sim. Eu tenho dedicado um tempo a me conhecer melhor, como me recomendou Santo Agostinho. Tenho avaliando o quanto eu ainda preciso lutar para vencer as fraquezas que trago em minha alma, a fim de reconhecer que, por atrás daquele que se defendia em nome da instituição católica, há um Espírito que precisa refazer o caminho e reconhecer o quanto precisa lutar para ser o que se pode verdadeiramente chamar de um homem santo, ou daquele que se arvora a ser um representante das palavras do nosso mestre Jesus. Confesso que hoje me envergonho por ter proferido as palavras de Jesus, sem ter movido um centímetro para vivencia-las, a fim de ser um bom exemplo.

   4. Viu que hoje aquele a quem o senhor perseguia está em nosso meio?

   - Sim.

   5. Gostaria de dirigir a ele alguns palavras?

   - Foi por isso que eu disse o que disse, porque não posso mais olhar para ti como eu olhava antes. Agora eu sei que as fraquezas que tu trazes na alma também são as que eu trago. E, se tu erraste para comigo, é porque em outro momento eu também fui tão culpado, mas tão culpado, que não poderia ter sido diferente tudo o que se passou na minha vida e também na tua. E, se tu me pediste perdão, agora também peço a ti que me perdoes por não ter reconhecido, antes de tudo, o mal que habita minha alma. Eu espero sinceramente que o teu perdão me ajude a refazer a minha caminhada. E, se antes eu te considerava um inimigo, agora tenho-te como um exemplo. Sim, um bom exemplo, porque mesmo tendo sofrido os meus ataques, ainda assim pediste a Deus para que eu despertasse da minha cegueira moral. Obrigado, meu amigo!

   6. (O Sr. F., lutando para conter as lágrimas) Meu querido amigo, como já ouviu em minhas preces e nas palavras que lhe dirigi por intermédio deste grupo, você já tem meu perdão. Sabe que todas as coisas boas que eu desejo para mim mesmo, também as desejo a você.

   - Eu sei que são sinceras as tuas palavras, porque vibra em mim uma esperança de poder, daqui para a frente, se Deus me permitir, ser um apoio para ti na tua jornada no corpo e, de alguma maneira, reparar o mal que te fiz. Santo Agostinho, que coloca um facho de luz na minha consciência, também olha por ti, amigo. O olhar desse Santo nos toca com tanta bondade, que não há como não ter esperança. É o que te peço que também tenhas: esperança.

   7. (Sr. F.) Meu amigo, será uma alegria poder contar com a sua ajuda. Eu também quero muito lhe pedir as minhas mais sinceras desculpas pelo que eu lhe tenha feito no passado. Hoje, com certeza mais evoluído espiritualmente do que outrora, eu jamais faria o mal que fiz, independente do que tenha sido.

   - Sim, eu sei disso. Hoje começaremos a escrever uma nova página de nossa história. O que aconteceu no passado pertence ao passado. Peço a Deus que me permita, de hoje em diante, olhar o futuro com esperança e harmonia, e escreveremos essa página juntos, pois Deus sabe que esse é o meu desejo. Eu agradeço a todos vocês por terem tido um sentimento de caridade para comigo. Ainda não sei como retribuir o que fizeram por mim, mas uma coisa eu farei: estarei orando por todos vocês.

   8. É o de que nós mais precisamos, e desde já agradecemos por suas preces.

   9. (Sr. F.) Eu também estarei orando sempre por você, meu amigo.

   - Eu agradeço e me despeço, pedindo ao bom Deus que ilumine as nossas vidas e  a consciência de cada um de nós.

   10. O senhor consente em vir oportunamente contar-nos um pouco da sua história passada com o Sr. F.?

   - Sim, poderei fazê-lo.

 

(Por psicofonia, dia 16 de setembro de 2025.)

 

__________

1 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. III - Há muitas moradas na casa de meu Pai - Há muitas moradas na casa de meu Pai

2 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X - Bem-aventurados os que são misericordiosos - Não julgueis, para não serdes julgados - Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado

3 Veja-se: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVIII - Coletânea de preces espíritas - I - Preces gerais - Oração dominical. (Desenvolvida)

4 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI - O Cristo consolador - Instruções dos Espíritos - Advento do Espírito de Verdade, itens 5 a 8.

5 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X - Bem-aventurados os que são misericordiosos - Não julgueis, para não serdes julgados - Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado

6 Veja-se: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo - O mandamento maior. Veja-se também o capítulo XV - Fora da caridade não há salvação - O mandamento maior.

7 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X - Bem-aventurados os que são misericordiosos - Instruções dos Espíritos - Perdão das ofensas, item 15

8 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVIII - Coletânea de preces espíritas - IV - Preces pelos que já não estão mais na Terra - Pelos Espíritos arrependidos

 

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