A lei de amor e a virtude de amar
Ensino moral
Temos buscado entender melhor a lei de amor, mas há uma zona ainda obscura em nosso entendimento. Trata-se do seguinte: o amor, sendo uma lei divina, é universal, e, portanto, obrigatória, não facultativa. O amor, como ponto máximo do sentimento, é sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. Assim, há o amor, lei divina, e o amor sentimento, ou virtude. Entendemos que uma lei universal é diferente de uma virtude ou de um sentimento, que é particular. Pedimos que tenhais a bondade de nos esclarecer sobre essa questão.
- "As leis morais são os princípios, as regras estabelecidas por Deus de toda a eternidade, e às quais todos os seus filhos devem ajustar-se para atingir o fim último que é a felicidade suprema. As virtudes são os movimentos voluntários dos seres pensantes com vistas a alcançar o objetivo estabelecido por Deus, Inteligência Suprema do Universo. Todas as leis de Deus possuem um correspondente nas virtudes que representam o seu cumprimento; refiro-me logicamente às leis morais, aquelas que se aplicam ao Espírito."1
1. É nesse sentido que aquele que cumpre o seu dever moral ama a Deus mais que as Suas criaturas e as criaturas mais do que a si mesmo?2
- "Se duas pessoas vos pedem coisas distintas e contrárias entre si, sendo uma delas um ser querido e outra um desconhecido, supondo lícitas ambas as coisas pedidas, naturalmente atendereis ao pedido daquela que amais. Diariamente sois solicitados a pensar e a agir sob influências distintas: vossa consciência, recôndito de Deus em vossa alma; vossos próprios desejos; as solicitações de vosso próximo. Atendereis aquele que mais amardes. Quando amais a Deus acima de tudo, é a vossa consciência que sempre terá prioridade; e, quando o que vos solicita o vosso próximo está de acordo com ela, é a voz dele que tem prioridade sobre vossos próprios desejos e interesses. Se quiserdes demonstrar vosso amor a Deus, mais do que por meio de atos exteriores de devoção, deveis demonstrá-lo pelo cumprimento do dever, pois assim provais que amais ao Pai acima de todas as coisas, e ao próximo como a vós mesmos."
Allan Kardec
(Por psicofonia, dia 4 de junho de 2022.)
"Deus estabeleceu leis plenas de sabedoria, que têm por único objetivo o bem; em si mesmo encontra o homem tudo o que lhe é necessário para segui-las; sua rota é traçada por sua consciência; a lei divina está gravada em seu coração; e, ao demais, Deus lhas lembra incessantemente por seus messias e seus profetas, por todos os Espíritos encarnados que receberam a missão de o esclarecer, moralizar e melhorar e, nestes últimos tempos, pela multidão dos Espíritos desencarnados que se manifestam em toda parte. Se o homem se conformasse rigorosamente às leis divinas, indubitavelmente evitaria os mais pungentes males e viveria feliz na Terra. Se ele não o faz, é em virtude do seu livre-arbítrio, e sofre então as consequências. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, nos 4, 5, 6 e seguintes.)"3
"O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas."4
Lei divina segundo Espinosa
"A lei divina está, pois, toda inteira neste preceito supremo: Amai a Deus como vosso soberano bem; o que quer dizer, eu o repito, que não precisa amar a Deus por medo do castigo, nem por amor de outro objeto; porque a ideia de Deus nos ensina que Deus é nosso supremo bem, que o conhecimento e o amor de Deus são o fim último para onde é preciso direcionar todos os nossos atos. Isso é o que o homem carnal não pode compreender; esses preceitos lhe parecem coisas vans, porque têm apenas um conhecimento imperfeito de Deus, porque não encontra nesse bem supremo que lhe é proposto nada de palpável, nada de agradável aos sentidos, nada que afague a carne, fonte de seus mais vivos gozos, enfim, porque esse bem não consiste senão no pensamento e no puro entendimento. No entanto, aqueles que compreendem que nada há no homem de superior ao entendimento nem mais perfeito do que uma alma sã, certamente julgam de maneira bem diferente."
"...chamo lei divina aquela que diz respeito apenas ao soberano bem, isto é, ao verdadeiro conhecimento e ao amor de Deus. O que faz que eu dê a esta última lei o nome de divina, é a própria natureza do soberano bem, que explicarei aqui em poucas palavras e o mais claramente que me seja possível.
"A melhor parte de nós mesmos é o entendimento. Se, portanto, queremos buscar o que nos é verdadeiramente útil, devemos nos esforçar para dar ao nosso entendimento toda perfeição possível, pois o nosso soberano bem consiste nessa perfeição mesma."5
"A lei, em seu ideal mais elevado, é a obrigação do justo." Adolphe Mazure6
1 O Livro dos Espíritos - Parte Terceira - Das leis morais, cap. XII - Da perfeição moral - As virtudes e os vícios, item 893
2 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII - Sede perfeitos - Instrução dos Espíritos - O dever
3 A Gênese - A Gênese segundo o Espiritismo, cap. III - O bem e o mal - Origem do bem e do mal
4 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo - Instrução dos Espíritos - A lei de amor.
5 Traité Théplogique-Politique, cap. VI. Traduzido do francês pela equipe do Ipeak.
6 Précis de philosophie, selon le programme établi pour le baccalauréat ès-lettres. Paris, 1844.

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