PERIÓDICO DE DIVULGAÇÃO DO ESPIRITISMO PRÁTICO
Rousseau - Melhor do que ser um bom selvagem é ser um bom Espírito
01 / OUTUBRO / 2022
Melhor do que ser um bom selvagem é ser um bom Espírito

 

Rousseau

 

   Um grupo de amigos estava reunido justamente no dia 28 de junho, data em que se comemora o nascimento do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau, por quem têm viva simpatia. Leram duas dissertações dele publicadas por Allan Kardec1 e fizeram sobre elas comentários instrutivos. Em seguida, numa prece sincera, os amigos enviaram ao Espírito de Rousseau seus melhores sentimentos de ternura, em forma de um bouquet de flores. Logo após o evocaram e lhe pediram que lhes ditasse uma comunicação sobre um assunto de sua escolha.

   A seguinte dissertação lhes foi ditada:

   "Quando eu estava entre os homens trazia no íntimo um desejo de melhorar a sociedade. Acreditava que o homem era bom e só precisava ser educado, porque sua natureza era boa. Acreditava nisso porque via a natureza com toda a sua grandiosidade e harmonia. Força e beleza são as marcas do estado de natureza que, na minha ignorância, confundia a criação com o próprio Criador. Saí então a defender essas ideias com todas as minhas forças para que todos escutassem que podíamos ser felizes, se retornássemos ao nosso passado natural. Acreditava ter razão, e vários amigos apoiavam essas minhas ideias, mas ninguém estava disposto a retroagir; e, embora recebesse aplausos, minha crença era por muitos ridicularizada. Não percebia a fragilidade da minha ideia principal, que era a de que a verdadeira felicidade estaria no estado de natureza. Assim fui sendo dominado por sentimentos que me invadiam, como vozes a dizer: "abandona tudo, tu tens razão, os que não te apoiam estão errados."

   Tomado por tais sentimentos abandonei a todos que me amavam e os amigos que poderiam me ajudar; tornei-me aquele que por muitos ainda é lembrado como o misantropo descontente e incapaz de conviver com seu semelhante.

   Todavia, nem todos ficaram somente a me julgar; alguns leram meus escritos e, tomados do mesmo desejo e do mesmo ideal, aplicaram todos os seus esforços em oferecer uma forma de melhor educar o homem, para que este homem, educado, melhorasse a sociedade. Com essa ideia bem clara, um desses que estudou os meus escritos também ouviu as vozes; mas eram vozes que ensinavam a virtude e não o isolamento, e começava a mudar o mundo como eu tanto desejara. 

   Eu ambicionava que assinássemos um contrato para garantir que nos tornássemos melhores, um contrato entre os homens, um contrato social. Ele vos propôs um contrato com Deus. Instruiu-vos sobre vosso destino futuro e revelou a lei de comunicação dos homens com os Espíritos livres, e ensinou-vos que podeis aprender com eles. E hoje, que recebo as vossas flores e as agradeço, também saúdo aquele que, de maneira direta e indireta, muito me ajudou. Agora entendo que melhor do que ser um bom selvagem é ser um bom Espírito. Obrigado, amigo Allan Kardec, eu agora sou seu discípulo."

 

J. J. Rousseau. 

 

   Em seguida ao ditado de Rousseau, o mesmo médium escreveu a seguinte comunicação espontânea:

 

   "Eis um Espírito que em muito contribuiu para a implantação da moral espírita. Sua preocupação com a educação e a defesa da bondade humana foram de grandíssima utilidade para que as ideias espíritas encontrassem o terreno, onde viria semear, com grandes pedras já removidas. Embora Rousseau não tenha tratado da comunicação com os Espíritos, se a França, e boa parte da Europa, não tivesse adotado suas ideias de melhoria do homem pela educação, o trabalho para a chegada do Espiritismo teria tido significativos atrasos. Seus equívocos não o diminuem, pois na busca da verdade todos cometemos erros, mas as intenções é que são julgadas por Deus. Junto-me a vós e abraço esse amigo querido." 

 

Allan Kardec

(Psicografadas no dia 28 de junho de 2014, em reunião familiar)

 

__________

   1 O Livro dos Médiuns - Segunda parte - Das manifestações espíritas. cap. XXXI - Dissertações espíritas - Acerca do Espiritismo, III. - Revista Espírita, dezembro de 1868 - Sessão anual comemorativa dos mortos.

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