Conversão de um agnóstico de dezesseis anos
No dia 2 de novembro de 2022 recebemos o seguinte relato do jovem Henrique:
"Boa noite e olá. Me chamo X. e tenho dezesseis anos. Vou relatar um ocorrido, pois acho que pode ser do interesse de vocês. Se quiserem publicar, censurem meu nome ou me chamem de Henrique, meu segundo nome.
Comecei o estudo da Doutrina e Ciência Espírita há mais ou menos um mês.
Minha intenção com essa mensagem que vos mando, é relatar o ocorrido que me deu total certeza da minha mediunidade escrevente, pois desde o início estava sendo rodeado de dúvidas e medo de ser uma farsa que projetava mensagens na mente.
Há alguns dias via-me perdendo gradativamente a confiança em mim mesmo, sentindo-me inútil para a doutrina, mesmo tendo o desejo de ajudar. Conversava no pensamento com meu guia, mas sempre me restavam dúvidas. Pratico a psicografia desde a metade do primeiro mês dos meus estudos e em boa parte dessa prática minha mão foi tomada por um movimento repetitivo que desenhava círculos no papel, como uma montanha russa. Mesmo assim, havia em mim um pouco de fé que me fazia crer ser médium escrevente, pois sentira movimento involuntário nas mãos e pensamentos intuitivos na minha consciência.
Porém, dia 1º de novembro, ontem, fiquei totalmente tristonho e via-me sendo tomado por maus pensamentos. Então, como forma de saber se meu guia realmente estava comigo ou se na verdade era um sentimento falso, peguei uma caneta azul e meu caderno de prática. Evoquei meu guia e pedi-lhe com dor no coração, um conselho. Este, de forma suave nos pensamentos e na mão, escreveu:
"A felicidade vem de acordo com seus atos."
No entanto, essa conexão era tão suave que, após refletir um pouco, fiquei descrente de ter sido uma comunicação. Nisso, numa súplica sincera de coração, pedi repetidas vezes a Deus que me desse uma prova de que eu era médium. Nisso, senti o desejo de escrever. Primeiro, tive o seguinte diálogo:
P. Esses pensamentos são meus?
R. - Não são. O seu pensamento ouve o meu.
Após essa resposta, senti uma energia percorrer-me o corpo e tive o seguinte diálogo:
R. - O seu guia está aqui.
Curioso por ter sido respondido na terceira pessoa, perguntei:
P. Quem fala?
Então veio-me a resposta:
R. - O seu avô.
Primeiro, fiquei pensativo, pois meu vô ainda estava encarnado. Mas, após breve reflexão, lembrei-me que tinha um avô que havia morrido quando meu pai era pré-adolescente. Então, perguntei seu nome.
R. - É Tito.
A resposta estava correta.
Após essa confirmação, minha mão foi tomada por um impulso involuntário e em minha mente surgiam ideias que eu era incapaz de resistir.
R. - O seu pai precisa de apoio. Muitas vezes ele se sente solitário.
Eu tentava segurar minha mão, mas ela não parava. Mesmo começando a ficar emocionado, pois era como se eu sentisse a preocupação dele, as palavras continuavam a vir.
R. - Seu pai é um bom homem que não teve a chance de dedicar-se aos estudos. (Meu pai teve de sair da escola no segundo ano para ajudar a família).
Eu estava tão instável (tomado por um sentimento bom de emoção, pois agora eu finalmente acreditava), que a última linha saiu ilegível, mas em minha consciência ele disse:
R. - Converse com seu pai.
Depois de respirar um pouco e pedir aos bons Espíritos que me amparassem para que conseguisse prosseguir, resolvi iniciar uma série de perguntas:
P. Como vai no mundo dos Espíritos? Vai bem?
R. - Vou, sim.
P. Foi dolorido seu processo de desencarnação?
R. - Foi um pouco.
(Até onde me lembro, ele morrera num acidente, segundo as falas de meu pai.)
P. Agora se sente melhor?
R. - Com certeza
P. Você espera a minha vó aí?
R. - Espero sim. Em breve ela vem. Dê amparo ao seu pai. Sua vó vai querer conversar.
Minha vó está muito idosa. Facilmente fica doente. Sua desencarnação realmente é iminente.
Depois disso, fiquei sem o que falar, pois não esperava uma presença como a dele. Então, sem saber o que fazer, só uni as mãos e agradeci a Deus e aos bons Espíritos por me mostrarem a verdade.
Fim."
Respondemos a ele e lhe pedimos que nos contasse o que o levou a estudar o Espiritismo e em tão pouco tempo iniciar os exercícios para desenvolver sua mediunidade.
Reproduzimos aqui a sua resposta na íntegra.
"Boa tarde, obrigado pelo retorno.
Pois bem, antes do Espiritismo eu era agnóstico, pela simples razão de não encontrar uma explicação lógica para a existência dos Espíritos e de Deus. Tive alguns casos com eles antes, então nunca duvidei da existência deles, tentando até mesmo deduzir alguma teoria com base na Física. Certo dia, navegando pelo Reddit, apareceu a sugestão de uma comunidade que estuda a doutrina espírita. Alguma coisa me disse para entrar e fazer meus questionamentos sem medo de julgamento. Entrei na comunidade e já fui perguntando do que se tratava o Espiritismo e revelando meus preconceitos, (eu pensava que era coisa de magia no estilo bruxaria e que só os dotados com o dom da mediunidade podiam participar) então me indicaram logo de cara o opúsculo O que é o Espiritismo, de Allan Kardec. Ao ler a biografia do autor que consta no PDF acabei me interessando pela figura de Kardec e fui pesquisando mais sobre ele. O que mais me fez querer entrar de cabeça nesses estudos e tratar disso como algo sério, era que o autor das obras que compõem a doutrina, era como eu. Racional, lógico e sempre usava do senso-crítico para entender as coisas. Fiquei mais identificado ainda ao saber que ele era matemático e astrônomo, duas áreas que eu amo de coração.
Meu interesse nisso era tanto que eu passava horas lendo e fui responsável por fazer aquela comunidade ficar mais ativa com as tantas perguntas que eu publicava. Então, depois de lido O que é o Espiritismo, comprei uma cópia de O Livro dos Espíritos e de O Livro dos Médiuns para me aprofundar mais ainda. Li atentamente seguindo meu instinto de arranjar as respostas para as minhas dúvidas. Os ensinamentos dos Espíritos já me faziam querer me tornar uma pessoa melhor, mais bondosa, tendo em mente que meses antes eu agia pleno de egoísmo e orgulho e, enquanto estava no meu quarto, mergulhava num mar de escuridão mental, sendo torturado dentro da minha cabeça por pensamentos ruins e inseguros. Tinham momentos em que eu simplesmente começava a falar sozinho e quando ficava muito, muito mal, conversava comigo mesmo na terceira pessoa, incentivando-me a continuar nessa escuridão de orgulho, dizendo que o sofrimento era o preço do processo para se chegar ao sucesso, e que é dolorido mesmo.
Enfim, desde que comecei a adotar a doutrina espírita me senti mais vivo e melhor. Querendo ajudar todo mundo que surgisse e até mesmo comecei a buscar o perdão das pessoas que eu machuquei com meu ego, pois havia percebido que só fiz coisas inúteis em nome do 'sucesso'.
A razão de ter começado a desenvolver a mediunidade aconteceu quando li antecipadamente (antes de terminar O Livro dos Espíritos) o capítulo "Da Formação de Médiuns"1, no Livro dos Médiuns. A simplicidade para começar me deu vontade de tentar. Fiz a prece que tinha no próprio capítulo e em segundos meu corpo ficou todo energizado, principalmente minhas mãos. Quando coloquei-me na posição de escrever minha mão involuntariamente começou a se mexer de forma rude. Meu corpo tremia, mas de uma forma mais violenta do que se deu na comunicação com o meu avô. Nos primeiros exercícios já se deram os sinais claros da minha mediunidade, que eu fiz sem esperança de dar certo, pois nunca tive uma experiência com essa faculdade antes. Naquele dia, nada legível saiu dali, mas só o que eu percebi já me esclareceu muitas coisas.
Resumidamente, o que me motivou a estudar o Espiritismo foi minha necessidade de entender as coisas, principalmente os Espíritos, que eu já tinha crença de que existem. Eu acredito que deixar nossa mente imersa numa névoa de ignorância nos torna propensos a manipulações (sejam físicas ou espirituais). Minha prática da mediunidade hoje é movida com a vontade de ajudar encarnados e desencarnados. Apesar de não ter oportunidade de visitar um centro espírita por questões geográficas, estudo com cuidado, tentando não dar um passo maior que as pernas. Eu espero que minha mediunidade sirva para trazer o bem e levar consolo a almas sofredoras. O Espiritismo me aproximou dos ensinamentos do Cristo e principalmente de Deus e sua criação."
Henrique
Numa ocasião em que pedíamos conselhos ao nosso mestre Allan Kardec, ele ditou algumas palavras para que fossem enviadas ao jovem Henrique. Nós as reproduzimos aqui por julgar que são instrutivas e podem ser úteis a todos os médiuns que desejam bem cumprir suas tarefas.
"Caro Henrique,
"Cedo conheceste o Espiritismo e isso já é, se souberes aproveitar, um penhor da tua felicidade na Terra e depois da morte. Foi escolha tua teres esse direcionamento deste a juventude, pois antes de reencarnar desejou, resoluto, reparar as faltas cometidas no passado; escolheste, então, encorajado por teu Anjo guardião, a mediunidade. Muitos são os desafios que enfrentarás em meio a uma sociedade que deseja manter-se na infância; por isso, jamais deixa de pedires forças ao teu Anjo amigo e de estabelecer com ele contínua relação, pois essa é a salvaguarda dos médiuns. Pensa nele nos momentos de dúvidas e ouvirás o conselho dele para te guiares pelo bom caminho; busca evocá-lo em nome de Deus com fervor. Preocupa-te também com o controle das comunicações que receberes, porque isolado o médium torna-se facilmente presa dos maus Espíritos e pode deixar-se levar por falsas doutrinas ou falsas ideias.
"É necessário que busques unir-te a pessoas que têm os mesmos objetivos propostos pelo Espiritismo, pois o sentimento de amizade tornará bem mais fácil cumprires os deveres que assumiste como Espírito. Não te esqueças que a tua idade atual e o próprio estado do homem nesse mundo, ainda bem material, torna difícil manteres o pensamento na vida futura e que lances o olhar para a eternidade. Todavia, a vida do homem não representa senão alguns breves instantes na eternidade e, como o óbulo da viúva, Deus pede que esses instante sejam oferecidos como o ouro colocado na Sua balança."
Allan Kardec
Psicografada dia 17 de junho de 2023.
Nota: O relato desse jovem é dos mais tocantes e dispensa quaisquer comentários. Fazemos votos de que a sua experiência possa despertar em outros jovens o desejo de se instruiírem na ciência espírita e, como ele, busquem desenvolver o senso crítico e a vontade de servir a Deus, como Henrique tem feito.
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1 O Livro dos Médiuns - Segunda parte - Das manifestações espírita, cap. XVII - Da formação dos médiuns - Desenvolvimento da mediunidade

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