PERIÓDICO DE DIVULGAÇÃO DO ESPIRITISMO PRÁTICO
Espírito do marido falecido obsidia sua viúva
01 / JULHO / 2022

Espírito do marido falecido obsidia sua viúva

 

Obsessão por vingança

 

   O Sr. M. contou-nos a situação pela qual passou sua mãe, a Sra. Luiza, que sofreu por muitos anos uma vingança da parte do Espírito do seu falecido marido, Sr. Francisco. Contou-nos também como ele e seu grupo espírita conseguiram auxiliar o casal sofredor e também os demais familiares vivos que sofriam amargamente as consequências dessa desavença.

   Francisco e Luiza se casaram ainda bem jovens, e tiveram três filhas. Viveram juntos por poucos anos, devido ao falecimento precoce de Francisco. Já no mundo dos Espíritos, o marido passou a acusar a esposa por sua morte, bem como por tê-lo privado da convivência e da educação das filhas. A Sra. Luiza, após alguns anos de viuvez casou-se novamente e teve mais alguns filhos com seu segundo marido, dentre os quais, o Sr. M.

   Eis como as coisas se passaram, e como nos contou o Sr. M.:

   "Minha mãe sofria de insônia há muito tempo, e quando conseguia dormir tinha um sono agitado, acordando ainda mais cansada. Sofria de uma irritação quase constante, tinha ansiedade; quando alguém a visitava, ela falava sem parar, e só de coisas ruins. Era tanto descontrole que parecia estar à beira da loucura. Nos últimos tempos já não tinha mais ânimo para nada, e passava quase o tempo todo sentada. No dia 4 de março de 2020, fui visitá-la, pois ela tinha feito um procedimento na perna esquerda e estava sentindo muita dor; sentia uma forte queimação nessa perna, então passava a noite toda colocando gelo sobre ela. Como minha mãe havia escutado falar que minha sogra é magnetizadora, e que o magnetismo faz cessar ou aliviar a dor, pediu-me que solicitasse a ela que lhe aplicasse o magnetismo, mesmo que à distância. O que foi feito.

   "No dia seguinte, minha sogra foi pessoalmente aplicar-lhe o magnetismo, e minha mãe relatou que tinha dormido bem a noite toda, e passou sem dor; isso graças ao magnetismo que recebeu no dia anterior. Quando foi aplicar o magnetismo na minha mãe, agora estando junto dela, a magnetizadora percebeu a presença de um Espírito que parecia estar furioso com minha mãe, que não queria que ela fosse ajudada; então pediu com fervor, em nome de Deus, para que o Espírito se afastasse, e ele se afastou, embora contrariado; assim ela pôde aplicar o magnetismo.

   "Durante vários dias minha sogra foi aplicar o magnetismo na minha mãe, até que as dores cessaram. No entanto, nem tudo estava bem, pois na madrugada do dia 8 de março, eu mesmo senti muitas dores nas costas e no abdômen, era uma dor difusa e gélida. Pela manhã, continuava com a dor. Como era o dia da nossa reunião familiar, pedimos aos Anjos e ao nosso presidente Santo Agostinho, que nos dessem orientações sobre a causa da dor. A resposta foi que havia um Espírito que buscava vingar-se da minha mãe, e como eu estava tentando ajudá-la, fui também atacado. Nós oramos por aquele Espírito sofredor, e o interessante foi que depois de encerrada a reunião eu não sentia mais as dores."

 

Uma discórdia que se estendeu para além do túmulo

 

   O Sr. Francisco era um homem trabalhador, e sustentava sua família com os recursos ganhos com o suor do seu rosto. No entanto, tinha o vício do álcool, e foi esse o principal motivo das brigas e da desavença que se estendeu para além do túmulo. Foi o próprio Espírito do Sr. Francisco que disse ao Sr. M., numa das sessões, que sua mãe colocava um medicamento em sua bebida que, segundo ele, era com a intenção de matá-lo. Ao contar isso à sua mãe, ela ficou bastante surpresa, pois pensava que o esposo desconhecia tal fato. Sua mãe disse que fôra a irmã do seu esposo, portanto sua cunhada, quem havia comprado o tal medicamento para colocar nos alimentos que Sr. Francisco fosse ingerir, com a intenção de que ele parasse de beber; porém, seu esposo era bastante desconfiado, e ela só conseguia colocar o medicamento dentro da garrafa de bebida alcoólica que ele bebia. Segundo ela, como lhe foi dito que o medicamento causava vômito e diarreia, talvez seu esposo deixasse de beber se percebesse esses efeitos desagradáveis. Com isso podemos entender a principal causa da vingança que o Espírito do Sr. Francisco buscava levar a efeito contra aquela que fôra sua esposa.

 

(Sessão familiar do dia 09 de março de 2020.)

 

   Nesta sessão evocamos os Guias e pedimos orientações sobre o caso da minha mãe, e recebemos a seguinte comunicação:

   "O Espírito que se aproxima da Sra. Luiza é aquele que foi seu marido. Ele não a perdoou, por isso a persegue tentando infelicitá-la e enlouquecê-la, já que, como ele mesmo falou, quando ela se emancipa, eles se encontram e se engalfinham, remoendo todo o passado. Ela o percebe durante a vigília e sente receio da sua presença, por isso já observastes que ela luta contra o sono, na tentativa de adiar esses encontros.
   No entanto, é chegado o momento da libertação desses Espíritos; o pedido a Deus que familiares e amigos têm feito em favor daqueles por quem tiveram afeição, será atendido, a fim de que possam perceber as novas oportunidades que Deus lhes apresenta.
   O Espírito do vosso familiar, Sr. A. (o seu Gaúcho), busca prestar auxílio, pois vendo a situação daquele que fora seu conhecido em vida, se esforça para ajudá-lo. Ele inspira ao Sr. M. a ideia de estreitar laços com a sua mãe, já que esse é um meio de auxiliar a ambos. O Espírito de Francisco tem sofrido bastante, e está cansado de percorrer o caminho tomado, mas ainda tem dificuldades de ver novos horizontes.
   Segui confiantes, meus amigos, nós secundaremos vossos esforços."

Albert
(Psicografada em 09 de março de 2020.)

   "Na sessão seguinte evocamos o Espírito obsessor da minha mãe, e o médium por quem o Espírito se comunicou percebeu que se tratava do falecido esposo dela. Eu não o percebi, mas notei a presença do Espírito de meu avô, conhecido na cidade como 'seu Gaúcho', falecido há seis anos, e que era conhecido de Francisco. Meu avô era um homem benevolente, médium curador, estava sempre disposto a ajudar as pessoas que o buscavam. Ele havia trabalhado junto com Francisco, quando ambos estavam vivos. Talvez tenha sido por isso que ela estava presente naquela sessão."

   O Espírito do Sr. Francisco foi evocado algumas vezes, mas estava muito difícil levá-lo a melhores sentimentos, porque a Sra. Luiza, embora católica, não estava disposta a estender a mão àquele com quem vinha se digladiando há décadas.

 

Intervenção dos Espíritos familiares na cura da obsessão

 

   Numa das sessões foi ditada, pelo Espírito da mãe da Sra. Luiza, a seguinte comunicação espontânea endereçada à sua filha:

   "Minha filha, venho apelar ao seu coração de mãe, e afirmo em nome de Deus que estou viva, e bem viva, mais viva mesmo do que quando estava no corpo, porque agora posso ver mais longe e mais claro.

   Acredite, minha filha, o castigo espera aqueles que maltratam seus irmãos, filhos do mesmo Criador, e eu já amarguei muito desde que tive que prestar contas das minhas faltas, por isso Deus permite que eu venha lhe dizer que coloque a mão na consciência e busque pedir a Deus que perdoe suas faltas, e busque desculpar-se com aqueles que guardam mágoa de você. Peça também a Deus que lhe dê forças para perdoar todos aqueles que lhe ofenderam, e faça isso com o coração aberto, porque a Deus ninguém engana, minha filha.

   Não imagine que você foi ou é vítima de injustiças da parte de Deus, que é um Pai justo e bom. Jesus, o mestre dos cristãos, como você sabe, disse: 'A cada um será dado conforme suas obras'. E assim é a justiça de nosso bom Deus. 

   Nenhum dos nossos familiares está no corpo pela primeira vez; todos já estivemos várias vezes no palco do mundo, e se hoje muitos amargam duras penas, não é porque foram boas pessoas em outros tempos; pelo contrário, muitos infringiram as leis de Deus e maltrataram o próximo. Deus quer que seus filhos se amem, não que se maltratem e se destruam.

   Aconselho que faça um esforço e peça perdão, de coração, pelos procedimentos que teve com Francisco, e peça a Deus que o perdoe também. É preciso, minha filha, confie em Deus, em Jesus, e seja realmente forte, não da força física, que logo se termina com o corpo, mas da força da alma que, como Jesus, sabe perdoar. Tenho tentado falar com você enquanto dorme, mas você quase não me ouve, porque muitas vezes investe contra esse pobre infeliz e depois acorda cansada. Ore antes de dormir, peça a Deus para estar com seu Anjo da guarda, e verá que seu coração vai se acalmar e seu corpo ficará mais fortalecido."

Sua mãe, C.

(Psicografada em 11 de março de 2020.)

   Uma outra comunicação foi ditada pelo Espírito do Sr. A. (seu Gaúcho), dirigida ao Espírito de Francisco, para que fosse lida para ele quando fosse evocado novamente. Nós a reproduzimos aqui integralmente, tal como foi ditada:

   "Chico, meu amigo, 

   Eu aqui estou pedindo que você me escute, como sempre eu o escutei quando você me contava todas as barbaridades que te aconteciam. Lembra o que eu lhe falava? Que era preciso ter paciência e enfrentar as dificuldades, sem esmorecer. Eu contei que também passava por dificuldades muito parecidas com as que você estava passando, mas nunca perdia a calma, porque confiava em Deus. Quantas vezes lhe falei do vício que lhe consumia as forças, e aconselhei que se conservasse sóbrio, e todos o respeitariam? Lembra que falei que a sua companheira tinha as ideias fracas, que beirava a loucura? Lembra que eu falava isso? Falava isso por experiência própria, porque era o que também acontecia com a mãe dos meus filhos.

   Hoje eu quero lhe dizer que você me ajudou muito, quando trabalhamos juntos; eu o conheci bem e sei que você é um homem de valor. Agora estou aqui a lhe estender a mão e a lhe dizer: meu amigo, saia desta loucura, abra os olhos e perceba que estou bem na sua frente, eu e tantos outros para dar-lhe apoio. Levante a cabeça e tenha coragem! Aqui ninguém o condena, só queremos ajudá-lo.

   Do amigo sincero, "seu Gaúcho".

(Psicografada em 11 de março, de 2020.)

   Lido esse bilhete para o Espírito, ele disse, um tanto emocionado:

   - "E não foram poucas vezes que ele me aconselhou... muitas vezes sentamos juntos e ele me falava assim mesmo. Mas eu não conseguia fazer o que ele me dizia, o álcool me dominava. Ele sempre me valorizou, quando trabalhamos juntos, e ele me ensinou muitas coisas que eu não sabia, assim como também ensinei a ele o trabalho."

Observação: Francisco era um pedreiro bastante solicitado na cidade onde morava,  porque seu trabalho era bem feito. Muitos edifícios que ele ergueu ainda estão de pé e em bom estado.

   Foi dito ao Espírito: O seu tirano agora é outro, Francisco, é o ódio que lhe consome; é tempo de você assumir o controle de si mesmo, da sua razão. Está aí do seu lado; é um amigo sincero que reconhece o valor que você tem e lhe estende a mão.
   - "Eu procurei muitas vezes esse amigo para conversar, e hoje é ele que me procura... Eu quero estar com ele."

   O Sr. M. imprimiu a comunicação que sua avó ditou para sua mãe, e no dia seguinte foi visitá-la e leu para ela, pois sua mãe não sabe ler. Ela reconheceu naquelas palavras firmes e sinceras, aquela que fora sua mãe; emocionou-se ao lembrar da mãe com carinho e saber que ela ainda vela por ela, como fazia em vida. Ela pediu para ficar com a carta da mãe e todos os dias pedia para uma das filhas ler para ela. 

   A situação foi ficando mais fácil, graças ao auxilio dos Espíritos familiares e dos bons Guias que dirigem aquele grupo familiar. 

   Mãe e filha passaram a ler O Evangelho segundo o Espiritismo1, que o Sr. M. lhes deu. As dores, que antes atormentavam a Sra. Luiza, não mais a incomodaram. Ela recuperou a sanidade. Dorme bem e conversa normalmente com seus filhos. Depôs as armas. A fé em Deus foi reacendida nos corações. Hoje a paz reina naquele lar. 

   O Espírito de Francisco foi evocado ainda algumas vezes, até que percebeu o Espírito do seu Gaúcho, ouviu seus conselhos e também foi levado a boas reflexões pelo Espírito do padre Félix, ex-obsessor do Sr. C., que tinha sido moralizado por um grupo espírita do nosso conhecimento.

    Foi assim que, após quarenta e três anos de sofrimento para Francisco, Luiza e seus familiares, Deus permitiu que esse sofrimento chegasse ao fim.

   Como não dar glórias ao bom Deus, que se compadece de suas pobres criaturas sofredoras e lhe envia o socorro?

   Como não dar graças a Allan Kardec, que nos revelou, pelo Espiritismo, as leis que regem a relação entre vivos e mortos, e com isso mostra aos espíritas os recursos para auxiliar Espíritos e homens que sofrem?

   Graças nós também damos ao Espírito de Verdade, que, compadecido pelas nossas misérias rogou ao Pai que nos enviasse o Consolador!

 

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1 Disponível para leitura no site: ipeak.net

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