Importância da vontade no exercício da mediunidade
"A mediunidade é dada sem distinção, a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos sábios, para os fortalecer no bem, aos viciosos para os corrigir. Estes últimos não são os doentes que necessitam de médico? Por que Deus, que não quer a morte do pecador, o privaria do socorro que o pode arrancar do lameiro? Os bons Espíritos lhe vêm em auxílio e seus conselhos, que ele recebe diretamente, são de natureza a impressioná-lo mais vivamente, do que se os recebesse por vias indiretas. Deus, em sua bondade, para lhe poupar a pena de ir ao longe buscar a luz, coloca-a em sua mão; não é ele bem mais culpado se não a quiser ver?"1
"Um dos principais problemas que atingem muitos médiuns atualmente é a falta de vontade de ouvirem os Espíritos evocados. Isso faz com que, com frequência, outros Espíritos os substituam. Não digo que tais médiuns se oponham às comunicações espíritas, mas nem sempre as buscam com constância e de todo coração. Ao explicar-vos essa característica da maioria de vós, médiuns, quero com isso alertar-vos a respeito da importância que tem a vontade no exercício da mediunidade. Para desenvolvê-la, é preciso trabalhar não só durante as sessões, quando evocais os Espíritos, mas também previamente. O médium que não se identifica com a vida espírita e com aqueles que nela se encontram age como um estranho que chega num ambiente novo, por ocasião das evocações, e aí não está completamente à vontade. A vós, médiuns que quereis ser úteis a Deus, digo que, se buscásseis os Espíritos com mais constância, especialmente vossos Guias, por meio da prece, da evocação ou dos diálogos mentais, veríeis ampliadas as vossas faculdades medianímicas, que, quando aplicadas, dariam muito melhores resultados. Convido-vos, portanto, a que vos exerciteis, com o objetivo de serdes não apenas melhores médiuns, mas sobretudo melhores Espíritos, comunicando-vos com mais frequência com vossos amigos deste mundo, que não são menos reais, nem menos importantes e dedicados a vós do que os melhores amigos que tendes em vosso mundo. Não sejais tão materiais a ponto de negligenciar-nos apenas porque não temos corpos visíveis para vós. Já conheceis suficientemente a imortalidade da alma para admitirdes estar conosco, mesmo que vossos olhos físicos não constatem a nossa presença.
"Sugiro-vos mais recolhimento, mais abnegação e mais atenção ao que verdadeiramente importa para a vossa felicidade futura. Não vos fecheis em vós mesmos, porque ao fazer isso abris mão do auxílio que Deus vos envia por meio do Espiritismo. Há um egoísmo que se caracteriza pela falta de vontade de prestar um serviço; há outro, que vem previamente, cuja característica é a falta de vontade de ser auxiliado.2 Este, ainda atrelado ao orgulho, vos impede de ouvir aqueles que Deus envia para vos auxiliar a progredir. Lembrai-vos de uma imagem que vos deu Espinosa a respeito de Deus3; é na comunhão com Espíritos purificados, como também vós o sereis, que encontrareis a verdadeira felicidade. O progresso, embora seja individual, não vos encerra dentro de vós mesmos; ao contrário, vos abre para uma maior comunhão com almas já adiantadas. Assim, progredir é aperfeiçoar o próprio ser, não como uma bela construção isolada, mas como uma engrenagem perfeitamente adequada ao todo, funcionando com ele de modo harmônico para que bons resultados sejam obtidos. Buscai, assim, o progresso, ajustando-vos integralmente à obra de Deus, ao concerto divino, onde não há solistas, mas sim uma orquestra perfeitamente afinada e concordante.
"Sugiro-vos, pois, meus amigos, que derrubeis dos altares de vosso ser tudo o que aí colocastes como o supremo bem de vossas vidas, e que em seu lugar coloqueis Deus e aquele que dele assumiu diretamente a missão de vos conduzir ao regaço do Pai. Pois que sois cristãos, Jesus deve ter para vós uma importância muito maior do que aquela que hoje lhe dais, pois é ele o Espírito que mais bem vos tem feito. Ora, como tratais nesse mundo alguém que é vosso maior benfeitor, senão a ele dedicando todo vosso amor? O que dizer então daquele que o faz a partir do mundo dos Espíritos e que vos guia há tantos milênios? Fazemos votos que o ameis e que, do contato mais constante com ele, vos transformeis."
Allan Kardec
(Por psicofonia, dia 28 de maio de 2022.)
"Espíritas! O grande nome de Jesus deve flutuar como uma bandeira acima de vossos ensinos. Antes que fôsseis, o Salvador levava a revelação em seu seio, e sua palavra, medida prudentemente, indicava cada uma das etapas que hoje percorreis." (João Evangelista)4
"Pelas relações que o homem pode agora estabelecer com aqueles que deixaram a Terra, ele tem não somente a prova material da existência e da individualidade da alma, mas compreende a solidariedade que liga os vivos aos mortos deste mundo e os deste mundo como os dos outros mundos. Conhece a situação deles no mundo dos Espíritos, segue-os em suas migrações, é testemunha de suas alegrias e de suas penas; sabe porque são felizes ou infelizes, e a sorte que aguarda ele próprio, conforme o bem ou o mal que fez. Essas relações iniciam o homem na vida futura, que ele pode observar em todas as suas fases, em todas suas peripécias; o futuro não é mais uma vaga esperança: é um fato positivo, uma certeza matemática. Então a morte nada mais tem de apavorante, pois é para ele a libertação, a porta da verdadeira vida."5
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1 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXIV - Não ponhais a candeia debaixo do alqueire - Não são os que gozam saúde que precisam de médico
2 Sede, além do mais, laboriosos e perseverantes nos vossos estudos, sem o que os Espíritos superiores vos abandonarão, como faz um professor com os discípulos negligentes." (O Livro dos Espíritos - Introdução ao estudo da Doutrina Espírita, VIII.)
3 Pedimos a Espinosa que nos sugerisse uma imagem de Deus, para que pudéssemos pensar nela com mais frequência. Eis o que nos disse: "Pensai em todos os Espíritos que cumprem integralmente a vontade de Deus, por todo o Universo agindo, não de maneira dispersa, mas de comum acordo, por um amor recíproco e uma união perfeita: é essa a imagem que mais se aproxima daquilo que se pode ver ao pensar em Deus." (Estudo sobre as virtudes teologais, 18 de dezembro de 2020.)
4 Revista Espírita, dezembro de 1864 - Da comunhão do pensamento - Sessão comemorativa na Sociedade de Paris
5 A Gênese - A Gênese segundo o Espiritismo, cap. I - Caráter da revelação espírita, item 31

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