Qual é o verdadeiro sentido da palavra amor como o entendia Jesus?
"Chamo homem vicioso a esse amante vulgar, que mais ama o corpo do que a alma. O amor está por toda parte em a natureza, que nos convida ao exercício da nossa inteligência; até no movimento dos astros o encontramos. É o amor que orna a natureza de seus ricos tapetes; ele se enfeita e fixa morada onde se lhe deparem flores e perfumes. É ainda o amor que dá paz aos homens, calma ao mar, silêncio aos ventos e sono à dor.
O amor, que deve unir os homens por um laço fraternal, é uma consequência dessa teoria de Platão sobre o amor universal, como lei natural.1 Tendo dito Sócrates que "o amor não é nem um deus, nem um mortal, mas um grande demônio", isto é, um grande Espírito presidindo ao amor universal, essa proposição lhe foi imputada como crime."2
Após meditar sobre o ensino acima, querendo entender em que consiste o verdadeiro sentido da palavra amor, como a entendia Jesus, o médium evocou seu Anjo guardião e lhe pediu que o esclarecesse. Recebeu a seguinte resposta:
"Unidade divina, eis o sentido do termo amor como o entendia Jesus. Não nos referimos à palavra amor no sentido vulgar, mas como lei de Deus e, como tal, deve ser universal. Como disse Sócrates, o amor está por toda parte e nos convida ao exercício da nossa inteligência. Trata-se do amor intelectual a Deus pela compreensão de suas sábias leis e a elas ajustar integralmente o seu ser, conforme ensinou Jesus ao ser indagado sobre qual seria o mandamento maior da lei.3
Buscar ser um com Deus é amá-lo, e esse amor mais se expande quanto mais esforços faz a criatura para unir-se ao seu Criador, pelo cumprimento voluntário de suas sábias e justas leis. Foi com base nessa ideia que Jesus disse aos seus discípulos que aproveitar seus mandamentos era amá-lo, ser por ele amado e também amado por Deus.4
O filho piedoso é aquele que reconhece que Deus é amor, é o bem supremo; para isso é necessário fazer abnegação de si mesmo, da própria personalidade, por ser ela a parte menos importante diante do Pai, Inteligência Suprema do Universo, soberanamente justo e bom. Jesus foi o maior exemplo de piedade filial; por ser um Espírito puro, é que foi enviado por Deus a esse mundo para instruir os homens e ensinar-lhes a lei de amor, que resume integralmente a sua doutrina. Ao afirmar: "O Pai e eu somos um, e "Meu Pai está em mim e eu em meu Pai",5 expressou sua perfeita submissão a Deus, sua piedade absoluta. É esse também o objetivo da Humanidade, como ensinou o apóstolo Paulo, ou seja, gravitar para a unidade divina6, ajustar-se cada criatura à lei de amor, eterna e imutável, inscrita pelo Supremo Legislador em cada alma ao criá-la, a fim de conduzi-la à felicidade suprema. Todavia, o orgulho e o amor-próprio muitas vezes impedem a criatura de submeter-se inteiramente à lei de amor, fazendo-a gravitar em torno de si mesma.
Viver em conformidade com as leis de Deus, observando-as em pensamento, palavras e ações, é gravitar para a unidade divina. É isso que ordena a lei de amor para o homem, pois é o ser ajustando-se ao que o Criador estabeleceu para todos os seus filhos indistintamente. A lei de amor pressupõe a liberdade, outra lei divina, de ajustar-se a ela livremente pela conquista das virtudes, com o consentimento da razão e do coração; infringi-la também é um ato de liberdade e, como toda lei, ela também tem sanções, cuja consequência geral, quando a criatura dela se afasta, é ser infeliz.
Todavia, se a lei de amor estabelece a felicidade suprema como recompensa aos que a ela se submetem, e numa única existência seria impossível adquirir as virtudes necessárias para esse fim, está aí a reencarnação que, no dizer de Lázaro é a segunda palavra do alfabeto divino, sendo a primeira o amor.7
Anjo guardião do médium
(Psicografada em 03 de junho de 2020.)
A fim de termos bons elementos para fazer a análise da comunicação acima, buscamos textos que tratam sobre a lei de amor nas obras de Allan Kardec, dos quais reproduzimos abaixo alguns trechos, indicando a fonte de onde os tiramos.
"Amai-vos uns aos outros, eis toda a lei, lei divina, mediante a qual governa Deus os mundos. O amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados. A atração é a lei de amor para a matéria inorgânica."8
"Quando Jesus pronunciou a divina palavra amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo."9
"O amor é de essência divina e todos vós, do primeiro ao último, tendes, no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado. Este é um fato que já haveis podido constatar muitas vezes: o homem, por mais abjeto, vil e criminoso que seja, vota a um ser ou a um objeto qualquer viva e ardente afeição à prova de tudo quanto tendesse a diminuí-la e que alcança, não raro, sublimes proporções."10
"O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga sua consciência sobre os atos realizados, ele se perguntará se não violou essa lei; se não fez mal; se fez todo o bem que podia; se ninguém tem motivos para dele se queixar, enfim se fez a outrem tudo o que desejara que fizessem por ele.
O homem penetrado pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperar nenhum retorno, e sacrifica seu interesse à justiça."11
"O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais do que as criaturas e as criaturas mais do que a si mesmo. Ele é ao mesmo tempo juiz e escravo em sua própria causa."12
"O amor de Deus é de toda a eternidade. Para esclarecer os homens, enviou sábios, profetas, o Salvador Jesus Cristo. Não é uma prova de seu infinito amor? Como, porém, receberam os homens esse amor? Melhoraram? (...)
"O mundo progrediu bastante no aspecto material, nas ciências, nas instituições sociais, mas do ponto de vista moral ainda está muito atrasado. Os homens desconhecem a lei de Deus e não escutam mais a voz do Cristo, eis por que, em sua bondade, Deus lhes dá, como último recurso para chegar a conhecer os princípios da felicidade eterna, a comunicação direta com os Espíritos e o ensino do princípio da reencarnação, palavras cheias de consolação e que brilham nas trevas dos dogmas de tantas religiões diferentes."13
O brasão do Universo
"A Natureza jamais se encontra em oposição a si mesma. Uma só é a divisa do brasão do Universo: UNIDADE / VARIEDADE. Remontando à escala dos mundos, encontra-se unidade de harmonia e de criação, ao mesmo tempo que uma variedade infinita no imenso jardim de estrelas. Percorrendo os degraus da vida, desde o último dos seres até Deus, patenteia-se a grande lei de continuidade. Considerando as forças em si mesmas, pode-se formar com elas uma série, cuja resultante, confundindo-se com a geratriz, é a lei universal."14
"Assim tudo se liga, tudo se encadeia no Universo; tudo está submetido à grande e harmoniosa lei de unidade, desde a materialidade mais compacta até a espiritualidade mais pura. A Terra é como um vaso de onde se escapa uma fumaça espessa que vai clareando à medida que se eleva, e cujas parcelas rarefeitas se perdem no espaço infinito."15
(...) "toda palavra ofensiva exprime um sentimento contrário à lei do amor e da caridade que deve presidir às relações entre os homens e manter entre eles a concórdia e a união; é que constitui um golpe desferido na benevolência recíproca e na fraternidade; é que entretém o ódio e a animosidade; é, enfim, que, depois da humildade para com Deus, a caridade para com o próximo é a lei primeira de todo cristão."16
A lei de amor pede a virtude de amar o próximo como a si mesmo
"Amar seu próximo é, pois, abjurar todo sentimento de ódio, de animosidade, de rancor, de inveja, de ciúme, de vingança, numa palavra, todo desejo e todo pensamento de prejudicar; é perdoar a seus inimigos e retribuir o mal com o bem; é ser indulgente para com as imperfeições de seus semelhantes e não procurar o cisco no olho do vizinho, quando não se vê a trave que se tem no seu; é cobrir ou desculpar as faltas de outrem, em vez de comprazer-se em pô-las em relevo por espírito de depreciação; é, ainda, não se fazer valorizar à custa dos outros; não buscar esmagar quem quer que seja sob o peso da própria superioridade; não desprezar ninguém por orgulho. Eis a verdadeira caridade benevolente, a caridade prática, sem a qual a caridade é uma palavra vã; é a caridade do verdadeiro espírita como do verdadeiro cristão; aquela sem a qual quem diz: Fora da caridade não há salvação, pronuncia sua própria condenação, neste mundo tanto quanto em outro." Allan Kardec17
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1 O Livro dos Espíritos - Da lei divina ou natural - Caracteres da lei natural
2 O Evangelho segundo o Espiritismo - Introdução - Resumo da doutrina de Sócrates e de Platão, XVI.
3 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo - O mandamento maior. Veja-se também: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XV - Fora da caridade não há salvação - O mandamento maior.
4 "Aquele que tem meus mandamentos, e que os guarda, é aquele que me ama. Ora, aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei também, e me revelarei eu mesmo a ele. Judas, não o Iscariotes, lhe disse: Senhor, porque vos mostrareis vós mesmo a nós, e não ao mundo? Jesus lhe respondeu: Se alguém me ama, guardará minha palavra, e meu Pai o amará; e nós viremos a ele, e faremos nele nossa morada." (S. João, 14:21-23, La Bible de Saci.)
5 S. João, 10:30-38. (La Bible de Saci.)
6 "Gravitar para a unidade divina, eis o fim da Humanidade. Para atingi-lo, três coisas são necessárias: a justiça, o amor e a ciência. Três coisas lhe são opostas e contrárias: a ignorância, o ódio e a injustiça. Paulo, Apóstolo." O Livro dos Espíritos, item 1009.
7 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo - Instrução dos Espíritos - A lei de amor, item 8.
8 O Livro dos Espíritos - Das leis morais, cap. XI - 10. Lei de justiça, de amor e de caridade » Caridade e amor do próximo, item 888.
9 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo - Instrução dos Espíritos - A lei de amor, item 8.
10 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo - Instrução dos Espíritos - A lei de amor, item 9.
11 O Livro dos Espíritos - Das leis morais, cap. XII - Da perfeição moral - Caracteres do homem de bem, item 918
12 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII - Sede perfeitos - Instrução dos Espíritos - O dever, item 7.
13 Revista Espírita, março de 1862 - Ensinos e dissertações espíritas - A reencarnação.
14 A Gênese - A Gênese segundo o Espiritismo, cap. VI - Uranografia geral - As leis e as forças, item 11
15 A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo, cap. XIV - Os fluidos - I - Natureza e propriedades dos fluidos - Formação e propriedades do perispírito, item 12.
16 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IX - Bem-aventurados os que são dóceis e pacíficos - Injúrias e violências.
17 Revista Espírita, dezembro de 1868 - Sessão anual comemorativa dos mortos

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