PERIÓDICO DE DIVULGAÇÃO DO ESPIRITISMO PRÁTICO
Comunicação de dores entre pessoas vivas
01 / JUNHO / 2024
Comunicação de dores entre pessoas vivas

 

 Sra. G. e Sra. Iza

 

   No início de março de 2024, a Sra. Iza pediu a uma de suas irmãs, que é membro do nosso grupo espírita familiar e médium curadora, que lhe aplicasse magnetismo porque há dias sentia muita dor na coluna, que nem mesmo uma forte injeção que lhe fora receitada fazia acalmar. Embora residam cerca de 400 quilômetros de distância uma da outra, o magnetismo não deixa de produzir efeitos benéficos graças à assistência dos bons Espíritos aos quais essa médium curadora sempre recorre.

   Durante a aplicação do magnetismo, a magnetizadora percebeu ao lado de sua irmã o Espírito de uma mulher com ares de sofrimento. Perguntou-lhe, pelo pensamento, quem era ela e porque estava ali, ela respondeu: "Sou amiga da Iza, estou doente, sofro e preciso da ajuda dela."

   Ao terminar a aplicação do magnetismo, contou para a irmã o que tinha visto, descreveu a mulher que vira e lhe perguntou se conhecia alguém com essa aparência. A Sra. Iza se lembrou rapidamente da Sra. G., sua amiga que há anos está doente, acamada, impossibilitada até mesmo de falar, e sente dores atrozes. Elas se conheceram, anos antes, num centro espírita que ambas frequentavam na época. Disse que fazia já algum tempo que não a visitava, pois não moram na mesma cidade, mas que orava sempre pela amiga que sofre.

   A Sra. Iza, que também é amiga do esposo da Sra. G., entrou em contato com ele e lhe perguntou sobre a situação da amiga e pediu que lhe contasse um pouco sobre a progressão da doença que a atinge. Eis o que ele escreveu:

   "A doença começou já faz uns 8 anos, com algumas dores fortes pelo corpo.

   Ela consultou vários médicos especialistas em rim, intestino, coluna, e cada um pedia um monte de exames, mas os diagnósticos eram sempre muito vagos. Até partir para os neurologistas. Foram 5 ou 6. Três deles disseram que se tratava de Parkinson Rígido, outros que era fibromialgia, Ataxia (rigidez na garganta, que impede de falar e engolir), diagnóstico de doença degenerativa. Ataxia foi diagnosticada por um médico do Posto de saúde, bem velho, que já desencarnou. Ele era muito bom, só olhou para ela e disse o que era. Achei ele melhor que os 'neuro', que só faziam testes com remédios1, quase matarem a 'baixinha'. (É como ele chama carinhosamente sua esposa.)

   As dores foram sempre aumentando. Surgiu a dificuldade de caminhar e de outros movimentos. A dificuldade maior começou faz uns 5 anos, quando passou a precisar de ajuda para as necessidades básicas. Há uns 3 anos e meio passou a ficar só na cama, ou na cadeira de rodas. Faz 3 anos que está totalmente dependente. Ela se engasga, precisamos ficar sempre de olho, porque precisa aspirar a garganta.

   Enfim, confiar em Deus, porque a gente sabe que temos resgates a serem feitos, temos o que passar.

   Deus ajuda, alivia o que pode, mas..."

 

   Para saber se era de fato a Sra. G. que se aproximava da Sra. Iza e lhe comunicava, sem o saber, as suas dores, pedimos instruções ao nosso presidente espiritual Santo Agostinho.

 

Sessão familiar - dia 5 de março de 2024

 

   Preparamos as seguintes perguntas e as submetemos a Santo Agostinho:

   1. Qual é a situação do Espírito da Sra. G.?

   2. Foi seu Espírito que a magnetizadora percebeu ao aplicar o magnetismo na sua irmã Iza?

   3. Se foi, por que ela tem se aproximado da Sra. Iza?

   4. Caso seja ela, seria oportuno e proveitoso evocar seu Espírito?

   5. Pedimos vossos conselhos e orientações para que possamos bem nos conduzir sob vossa assistência.

 

   Obtivemos as seguintes comunicações:

   "O Espírito da Sra. G., parcialmente liberto do corpo pelo sono, tem visitado a amiga, pois essa aproximação lhe proporciona certo alívio. A ligação que tinham e as orações que a Sra. Iza tem feito por ela facilitam essa aproximação. As preces que todos vos disponhais a fazer por ela lhe serão um grande auxílio.

   A aproximação desse Espírito, como de outros, encarnados ou desencarnados, que já se aproximaram de alguns de vós, tem por objetivo o auxílio mútuo entre eles e os que estão no corpo, em situação normal; tem, portanto, para vós, um duplo objetivo: auxiliar os que sofrem e aumentar vossa fé na providência divina.

   Quanto ao Espírito da Sra. G., ainda parcialmente preso ao corpo, ele percebe sua situação e isso lhe constitui um aprendizado, pois tem a oportunidade de rever as próprias ideias e ações e preparar-se para voltar à verdadeira vida, como Espírito livre do corpo.

   A Sra. Iza, sendo ela mesma médium, pode dialogar com a amiga nos momentos em que perceber a sua aproximação. Poderá ouvir o que o Espírito tem a dizer para melhor poder ajudá-la. Não aconselhamos a sua evocação, mas vossas orações que poderão ajudá-la de maneira mais útil no momento. Ela se comunicará quando as condições lhe forem favoráveis."

 

Santo Agostinho

(Psicografada dia 5 de março de 2024.)

 

Consta em O Livro dos Médiuns, ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, segunda parte, cap. XXV - Evocação de pessoas vivas:

53ª Tem inconvenientes a evocação de uma pessoa viva?

"Nem sempre é sem perigo, dependendo isso das condições em que se ache a pessoa, porquanto, se estiver doente, poderá aumentar-lhe os sofrimentos."

54ª Em que caso será mais inconveniente a evocação de uma pessoa viva?

"Não devem evocar-se as crianças de tenra idade, nem as pessoas gravemente doentes, nem, ainda, os velhos enfermos. Numa palavra, ela pode ter inconvenientes todas as vezes que o corpo esteja muito enfraquecido."

NOTA. A brusca suspensão das qualidades intelectuais, durante o estado de vigília, também poderia oferecer perigo, se a pessoa nesse momento precisasse de toda a sua presença de Espírito."

 

   Simultaneamente à comunicação acima, as seguintes comunicações foram ditadas espontaneamente a outros médiuns do grupo:

   "Minha grande amiga, Iza.

   Tenho ainda viva em minha lembrança o tempo que trabalhamos juntas. Lembra dos grandes eventos que coordenamos? Das atividades no preparo de alimentos para vender e arrecadar fundos para a construção do Centro? Falo isso para que você identifique esta sua amiga. Amiga que fomos e sei que ainda posso confiar em você.

   Eu venho aqui hoje, com grande dificuldade, mas porque sinto que estou amparada por uma grande força. Venho pedir que seja a minha voz para dizer aos meus familiares amados, o quanto sou grata por toda a dedicação que tenho recebido dia e noite de cada um dos meus queridos que me rodeiam. Diga a eles que não pensem que estão fazendo pouco e que deveriam fazer mais para me auxiliar. Diga que eu desejo que eles cuidem também de suas vidas. Eu recebo todos os cuidados, mas eles também precisam se cuidar, e não cuidar só de mim.

   É preciso que eu diga aos meus familiares que o sentimento excessivo de pena que sentem por mim me enfraquece. É preciso que os sentimentos sejam de fé e de confiança em Deus. A mudança de seus sentimentos com relação a mim vai me ajudar a fortalecer a minha fé.

   Mais uma vez minha gratidão, meus queridos familiares, pelo amor que recebo de vocês em todos os momentos. Eu amo a todos.

   Sua amiga,

 

G.

(Psicografada dia 5 de março de 2024.)

 

   Observação: quanta luz lança o Espiritismo sobre a causa dos sofrimentos que todos enfrentamos, mais dia, menos dia, neste mundo de expiações e de provas. Ele nos dá a conhecer os meios dos quais podemos lançar mão para auxiliar aqueles que sofrem sob as nossas vistas. Os apelos feitos pela Sra. G. aos seus familiares queridos devem ensinar-nos também alguma coisa: "É preciso que eu diga que o sentimento excessivo de pena que sentem por mim me enfraquece. É preciso que os sentimentos sejam de fé e de confiança em Deus. A mudança de seus sentimentos com relação a mim vai me ajudar a fortalecer a minha fé."

 

A comunicação dos pensamentos entre os encarnados é lei natural

 

"Sendo Espíritos encarnados, os homens têm, em parte, as atribuições da vida espiritual, visto que vivem dessa vida tanto quanto da vida corporal; primeiramente, durante o sono e, muitas vezes, no estado de vigília. O Espírito, encarnado, conserva, com as qualidades que lhe são próprias, o seu perispírito que, como se sabe, não fica circunscrito pelo corpo, mas irradia ao seu redor e o envolve como que de uma atmosfera fluídica.

Pela sua união íntima com o corpo, o perispírito desempenha preponderante papel no organismo. Pela sua expansão, põe o Espírito encarnado em relação mais direta com os Espíritos livres e também com os Espíritos encarnados.

O pensamento do encarnado atua sobre os fluidos espirituais, como o dos desencarnados, e se transmite de Espírito a Espírito pelas mesmas vias e, conforme seja bom ou mau, saneia ou vicia os fluidos ambientes."2

 

Sobre a desgraça

 

   "O que os olhos humanos podem ver são apenas efeitos, que muitas vezes são encarados como uma grande desgraça, como na situação enfrentada pela Sra. G. No entanto, a justiça divina é perfeita, como o ensina o Espiritismo, e ao espírita cabe valer-se desse conhecimento para encarar as coisas sob outro ponto de vista.

   Todas as vezes que vos deparardes com situações semelhantes, que vos dão a impressão de uma verdadeira desgraça, recomendamos que volteis o olhar para Deus e bendizei-o por suas leis perfeitas e peçais a ele por aquele que estiver sendo atingido por sua justiça, a fim de que saia da prova melhor e mais fortalecido.

   Não falamos, é claro, que não vos toque o coração o sofrimento do próximo, pois  se assim for, será somente com os olhos do corpo que observais a dor de outrem e não com o coração, conforme manda a lei de caridade, que façais o que for possível para aliviar a dor do próximo.

   O que vedes como desgraça é, às mais das vezes, o caminho para a verdadeira felicidade, e Deus sabe reconhecer aquele que enfrenta suas provas com resignação, coragem e fé na Sua infinita misericórdia."

 

Albert Schweitzer

(Psicografada dia 5 de março de 2024.)

 

Bem-aventurados os aflitos

 

"Por estas palavras: Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados, Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a resignação que leva o padecente a bendizer do sofrimento, como prelúdio da cura.

Também podem essas palavras ser traduzidas assim: Deveis considerar-vos felizes por sofrerdes, visto que as dores deste mundo são o pagamento da dívida que as vossas passadas faltas vos fizeram contrair; suportadas pacientemente na Terra, essas dores vos poupam séculos de sofrimentos na vida futura. Deveis, pois, sentir-vos felizes por reduzir Deus a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos garantirá a tranqüilidade no porvir.

O homem que sofre assemelha-se a um devedor de avultada soma, a quem o credor diz: "Se me pagares hoje mesmo a centésima parte do teu débito, quitar-te-ei do restante e ficarás livre; se o não fizeres, atormentar-te-ei, até que pagues a última parcela." Não se sentiria feliz o devedor por suportar toda espécie de privações para se libertar, pagando apenas a centésima parte do que deve? Em vez de se queixar do seu credor, não lhe ficará agradecido?

Tal o sentido das palavras: "Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados." São ditosos, porque se quitam e porque, depois de se haverem quitado, estarão livres. Se, porém, o homem, ao quitar-se de um lado, endivida-se de outro, jamais poderá alcançar a sua libertação. Ora, cada nova falta aumenta a dívida, porquanto nenhuma há, qualquer que ela seja, que não acarrete forçosa e inevitavelmente uma punição. Se não for hoje, será amanhã; se não for na vida atual, será noutra. Entre essas faltas, cumpre se coloque em primeiro lugar a carência de submissão à vontade de Deus. Logo, se murmurarmos nas aflições, se não as aceitarmos com resignação e como algo que devemos ter merecido, se acusarmos a Deus de ser injusto, nova dívida contraímos, que nos faz perder o fruto que devíamos colher do sofrimento. É por isso que teremos de recomeçar, absolutamente como se, a um credor que nos atormente, pagássemos uma cota e a tomássemos de novo por empréstimo."3

 

   Observação: esse não foi o primeiro caso, e talvez não seja o último, de comunicação de dores e outras sensações a uma pessoa viva, pela aproximação do Espírito de outra pessoa viva que sofre, mas não tem condições de pedir ajuda de outra maneira. Graças ao Espiritismo e ao magnetismo, os espíritas esclarecidos sabem hoje como isso se dá e de que maneira se pode auxiliar. 

   Depois que a carta da Sra. G. foi lida para os seus familiares, a Sra. Iza não mais sentiu as dores que vinha sentindo pela aproximação da amiga doente. 

 

__________

1 Veja-se: O Céu e o Inferno - Segunda Parte - Exemplos, cap. VIII - Expiações terrestres - Um cientista ambicioso.

2 A Gênese, cap. XIV - Os fluidos - I - Natureza e propriedades dos fluidos - Qualidade dos fluidos, item 18

3 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V - Bem-aventurados os aflitos - Motivos de resignação, item 12

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