Uma viagem a trabalho
"Filhos pródigos, deixai o vosso voluntário exílio; encaminhai vossos passos para a morada paterna. O Pai vos estende os braços e está sempre pronto a festejar o vosso regresso ao seio da família." (Lamennais)1
"Pediste para que te fosse lembrado o que mais importa àquele que quer bem cumprir sua tarefa nesse mundo. Pois bem, façamos uma simples comparação que poderá ser útil ao nosso propósito.
Quando lhe é confiado um trabalho a ser realizado em região distante da sua morada, o que deve fazer o trabalhador consciencioso? Ele busca se informar sobre as condições do lugar para onde deverá ir, providencia os materiais necessários para a realização de seu trabalho, então parte para seu destino deixando para trás, por um tempo, seu lar, seus afetos e mesmo seu bem-estar. Todavia, podemos dizer que há três tipos de viajantes:
O primeiro, ao chegar no destino, se distrai com as novidades que lá encontra, sente-se como em casa e esquece o que foi fazer. Somente quando é chamado a prestar contas da tarefa é que se lembra do que deveria ter feito, e então lamentará o tempo perdido até que lhe seja confiada nova oportunidade.2
O segundo se divide entre a tarefa e os atrativos do lugar e cumpre pela metade o seu trabalho. Terá que voltar para completá-lo noutra oportunidade.
O terceiro é o viajante consciencioso. Ao chegar ao destino, dedica-se à tarefa que lhe foi confiada e não perde de vista o seu objetivo essencial; não se distrai porque não confunde sua hospedagem temporária com uma morada permanente. Acabada a tarefa, ele volta para seu verdadeiro lar, satisfeito justificado, e é recebido pela família com júbilo.
Eis aí um quadro que reflete a vida dos Espíritos encarnados na Terra. Todos têm uma missão a cumprir; todos deverão prestar contas do emprego que fizeram do tempo que lhes foi concedido por Deus para viver no corpo físico, com vistas ao seu próprio progresso. Então tens aí elementos para fazeres boas reflexões sobre tua passageira vida nesse mundo de expiações e de provas, como Espírito imortal que és.
Não te esqueças que estás no mundo para te aperfeiçoares tanto moral quanto intelectual e espiritualmente, pois esse é o objetivo da encarnação. Busca então conhecer-te e esforça-te por eliminar de tua alma tudo o que te afasta do bem supremo, nosso bom Deus. Foi com esse objetivo que empreendeste essa breve viagem ao mundo material, a trabalho, não a passeio. Tens tudo o que precisas para realizar tua tarefa e não te extraviares da rota: o Espiritismo por bússola; Jesus por modelo e guia. Tens também a companhia de bons amigos que, embora não os possas ver, estão sempre atentos para te advertir dos perigos e te inspirar o melhor a ser feito. Dentre eles, podes contar especialmente comigo, que, por ordem de Deus, velo por ti e sou teu anjo guardião."
(Psicografada dia 13 de maio de 2024.)
Mundo normal primitivo
"O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, pré-existente e sobrevivente a tudo.
"O mundo corporal é apenas secundário; ele poderia deixar de existir, ou jamais ter existido, sem alterar a essência do mundo espírita.
"Os Espíritos revestem temporariamente um envoltório material perecível, cuja destruição pela morte os devolve à liberdade."3
"No estado errante, o Espírito abarca, de um lado, todas as suas existências passadas, de outro, vê o futuro prometido e compreende o que lhe falta para atingi-lo. É qual um viajante que chega ao cume de uma montanha, vê o caminho percorrido e o que lhe resta a percorrer para chegar ao seu objetivo."4
"O homem está na Terra para a luta. Ele precisa vencer para dela sair, senão, nela ficará."5
"(...) Quando Deus vos pedir contas da existência que vos deu, da missão que tínheis de cumprir, que lhe respondereis? Sereis como o enviado de um soberano que, longe de cumprir as ordens de seu superior, passasse o tempo a divertir-se e absolutamente não se ocupasse do negócio para o qual foi credenciado. Em que responsabilidade não incorreria ao seu retorno? Aqui sois enviados de Deus e tereis que prestar contas do tempo passado com os vossos irmãos. Eu vos recomendo esta meditação."6
"Feliz a alma que, por uma renúncia sincera a ela mesma, mantém-se incessantemente entre as mãos de seu Criador, pronta a fazer tudo aquilo que ele quiser, e que não deixa nunca de dizer, cem vezes por dia: Senhor, que quereis que eu faça. Ensinai-me a fazer vossa vontade, porque sois meu Deus." (Fénelon)7
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1 O Livro dos Espíritos - Das esperanças e consolações, cap. II - Das penas e gozos futuros » Duração das penas futuras, item 1009
2 Veja-se: O Livro dos Espíritos - Das esperanças e consolações, cap. II - Das penas e gozos futuros - Expiação e arrependimento, item 990.
3 O Livro dos Espíritos - Introdução ao estudo da Doutrina Espírita - VI
4 O Livro dos Espíritos - Das esperanças e consolações, cap. II - Das penas e gozos futuros » Natureza das penas e gozos futuros, item 975
5 Revista Espírita, agosto de 1863 - Questões e problemas - Mistificações.
6 Revista Espírita, novembro de 1860 - Dissertações espíritas - O tempo perdido
7 Cartas e Opúsculos Espirituais, Do emprego de tempo.

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