PERIÓDICO DE DIVULGAÇÃO DO ESPIRITISMO PRÁTICO
A fé é posta à prova em momentos graves - Nicolau de Bari
01 / FEVEREIRO / 2025
A fé é posta à prova em momentos graves
 
Por Nicolau de Bari

 

   No dia 25 de dezembro de 2024, um pequeno grupo espírita escreveu o seguinte bilhete a Jesus:

 

   Jesus, irmão a quem amamos, sabemos que o senhor está aqui porque nos reunimos em seu nome, e foi o senhor mesmo que disse que onde quer que duas ou mais pessoas se reunissem em seu nome, ali estaríeis no meio delas. O senhor vê o fundo dos nossos corações, conhece nossas fraquezas, mas também conhece a sinceridade dessas palavras de gratidão que vos dirigimos. 

   Hoje é o dia que o mundo cristão escolheu para comemorar seu nascimento na Terra, e nós aproveitamos para agradecer-vos por tudo o que tendes feito por nós, especialmente por nos terdes enviado o Consolador, que nos deu a conhecer melhor os vossos ensinos. É graças ao Espiritismo que estamos hoje reunidos para ouvir os Espíritos, e pedimos que nos ajudeis a ouvir cristãos verdadeiros que em nome de Deus velam por nós. Pedimos também que aceiteis as flores singelas da nossa ternura e da nossa gratidão, e que jamais desvieis de nós o seu olhar de misericórdia. Pedimos ainda, com toda confiança, que satureis este ambiente com vossos fluidos luminosos, a fim de que possamos ouvir com clareza os Espíritos que em nome de Deus queiram dirigir-nos conselhos e instruções.

 

Discípulos de Allan Kardec

 

   A seguinte comunicação foi ditada espontaneamente:

   "Nas tempestades, nas tormentas, o mar revolto mina as forças do viajante, pois não só o corpo é solicitado nas ações exigidas pela tripulação... A alma se inquieta, é atacada pelo terror, pela vida posta em risco, pelos amores que se teme não mais rever, pela pátria, terra firme, tão distante, que se julga nunca mais pisar.

   A fé é posta à prova em momentos graves, em situações extremas. Não há como se reconhecer o bom marinheiro se a viagem transcorrer em águas tranquilas. É no calor das horas extremas que as virtudes são chamadas a fazer jus à dedicação aos estudos, às meditações demoradas sobre os deveres do Espírito.

   Até mesmo Pedro, a rocha viva da assembleia do Cristo, na tempestade temeu pela própria vida, mesmo que o risco que se desenhava fosse em cenário muito conhecido do apóstolo, cujos desafios ele sempre soube existirem, bem como todas as suas possíveis manifestações. A experiência, o contato com os homens das águas, ouvir e participar de suas histórias já lhe haviam dado condições de imaginar, reconhecer e pensar sobre todas as maneiras de sair-se bem, de vencer, de livrar-se de todas as emergências do mar. 

   Mas a tormenta chegou, era vida se mostrando de maneira prática, exigindo a atitude urgente, o sangue-frio, ou melhor dizendo, a tranquilidade que deve acompanhar as decisões do homem de fé. Percebendo não ser possível vencer a prova sozinho, eis que ele roga com fervor a Jesus, e vê a mão do doce e forte Nazareno estendida diante de si para sustentá-lo, e para que esse exemplo vivo de fé e de confiança no poder do Cristo, frente às tormentas do mundo, ficasse gravada para sempre nos corações dos homens.

   Em minha última reencarnação na Terra, foi-me exigida a prova das virtudes que tanto havia estudado e tanto me tocavam a alma. Sob a grande perseguição aos cristãos, no século III, fui preso e torturado, humilhado e constantemente ameaçado, simplesmente por crer e por tomar para a minha vida as belas e consoladoras palavras da Boa Nova. Recordava-me, no cárcere, do apóstolo e de suas provações, do Cristo, com sua mão amiga estendida a Pedro.

   Ao final do governo persecutório de Roma, a liberdade foi-me restituída e senti, mais do que o alívio dos grilhões rompidos, a sede insaciável de servir ao Mestre dos mestres, ao bom pastor que não esquece de ninguém.

   Homem rico que era, pude usar meus recursos para ajudar aos mais vulneráveis, os mais sofridos. Passei meus últimos dias na carne dedicando-me às leituras e meditações dos Evangelhos e ao serviço que dava sentido àquela lúcida e revolucionária mensagem.

   A dádiva era para mim palavra de ordem. A mensagem libertadora do Cristo foi-me dada para que eu a distribuísse então, não só em discursos, mas em atos, em dons que pudessem tornar menos acerba a vida daqueles que sofriam.

   Às mulheres prostituídas, dava o pão, o remédio, o convite ao arrependimento e palavras de esperança. Aos rudes trabalhadores do mar, que visitava no porto, entregava algumas moedas que pudessem complementar seus parcos ganhos, mas também contava pequenas histórias de fé e de renovação moral, ilustradas por peripécias que eu sabia atraírem a atenção daquelas assembleias formadas por homens castigados pelas intempéries, marcados pelo labor extenuante.

   Às crianças, dava doces guloseimas, um brinquedo ou outro, de simples carpintaria... Era um gesto simples e universal de contato com o mundo infantil, com almas ainda em processo de reconstituir seus laços com a carne e com sua fieira de dores, responsabilidades, expiações e provas. Contava a esses variados querubins sobre o episódio de Jesus no Templo, aos doze anos, animado e levando a luz ao mundo, irradiando, por certo, um sorriso de doce fragilidade e inocência que só as crianças têm.

   Dizia-lhes: "Jesus ainda era menino, pois sim, um menino como vocês, da idade que tu, menina, deves ter". Assim, animadas conversas eram travadas com aquelas pequenas tropas, enquanto lhes contava histórias de soldados, de lavadeiras, de mercadores, de ferreiros, de damas, ou de tantas outras personagens que eu apresentava, em belas esquetes de improviso, ao imaginário infantil.

   Era Pedro, era o Cristo os exemplos maiores que sinalizaram até o fim de meus dias o caminho das dádivas que eu precisava seguir.

   Após meu retorno à verdadeira vida, entendi que a dádiva é um símbolo que abarca muito mais do que eu pensava saber. Percebi, servindo às almas da Terra daqui do mundo dos Espíritos, que podemos nos transmutar em verdadeiras dádivas. Podemos, tal qual satélites, refletir no mundo as claridades que advêm do Cristo, Luz do mundo.

   Podemos ser não só a mão que dá um presente, mas a mão do próprio Cristo, promovendo suas ações por intermédio das nossas, tomando-o como modelo e guia, amparando nossos irmãos que, mesmo conhecedores dos riscos das tormentas, mesmo plenos de teorias sobre as virtudes, ainda assim venham a cair no desespero nas horas mais graves que lhes cobram o testemunho.

   Bendito o Espiritismo que nos aponta o Norte, não apenas pelas verdades consoladoras que nos tocam o intelecto, mas que nos iluminam a alma como um todo, ao restabelecer a mensagem cristã em sua mais límpida pureza, na divisa: "Fora da caridade não há salvação".

   Feliz Natal, é o que desejo a todos,

 

Nicolau de Bari."

 

(Psicografada num grupo espírita particular, dia 25 de dezembro de 2024.)

 

   Observação: como os membros do grupo desconheciam esse nome, buscaram informar-se sobre esse personagem. Eis o que foi encontrado: 

"Nicolau nasceu em Patara, uma cidadezinha marítima da Lícia, na Turquia meridional, no III século d.C., em uma família rica, que o educou ao cristianismo. A sua vida, desde a sua juventude, foi marcada pela obediência. Ao tornar-se órfão, ainda muito jovem, de pai e mãe, Nicolau, recordando a passagem evangélica do "Jovem Rico", empregou toda a riqueza paterna à assistência dos necessitados, enfermos e pobres.

Foi nomeado Bispo de Mira e, sob o império de Diocleciano, foi exilado e preso. Depois da sua libertação, em 325, participou do Concílio de Niceia e faleceu em Mira em 343.

Foram muitos os episódios transmitidos sobre Nicolau e todos dão testemunho de uma vida ao serviço dos mais fracos, pequeninos e indefesos."

 

Defensor dos fracos

 

"Uma das histórias mais antigas, transmitidas sobre a vida de São Nicolau, diz respeito a um seu vizinho de casa, que tinha três filhas, já na idade de se casar, mas não tinham dinheiro suficiente para comprar o dote. Para livrá-las da prostituição, certa noite, Nicolau colocou dinheiro em um pano e o jogou pela janela da casa do vizinho e saiu correndo para não ser visto. Graças àquele presente, a primogênita do vizinho conseguiu se casar. O generoso benfeitor repetiu aquele gesto, outras duas vezes, mas, na terceira noite, o pai das moças saiu rápido de casa para saber quem era aquele benfeitor. Mas o Santo lhe pediu para não dizer nada a ninguém. (...)"

 

Protetor dos navegantes

 

"Durante os anos da sua juventude, Nicolau embarcou para ir em peregrinação à Terra Santa. Passando pelos mesmos caminhos percorridos por Jesus, Nicolau rezou para poder fazer a mesma experiência, mais profunda e solidária, da vida e dos sofrimentos de Jesus. No caminho de retorno, ocorreu uma tremenda tempestade e o navio arriscava naufragar. Nicolau pôs-se, discretamente, em oração e o vento e as ondas, de repente, se acalmaram para o estupor dos marinheiros, que temiam naufragar."

 

São Nicolau de Bari

 

"Depois da morte de São Nicolau, seu túmulo em Mira se tornou local de peregrinação; as suas relíquias foram consideradas milagrosas, por causa de um misterioso líquido, chamado maná de São Nicolau, que saía de dentro. Quando, no século XI, Lícia foi tomada pelos Turcos, os venezianos procuraram apoderar-se, mas foram precedidos pelos habitantes de Bari. Assim, levaram suas relíquias para a Apúlia, em 1087. Dois anos depois, foi concluída a cripta da nova igreja, desejada pelo povo de Bari, no lugar onde surgia o palácio do "catapano" bizantino. O papa Urbano II, escoltado pelos cavaleiros normandos, senhores da Apúlia, colocou as relíquias do Santo sob o altar, onde se encontram ainda hoje. (...)"

 

Santa Klaus

 

"Nos Países Baixos, em geral, nos territórios germânicos, a festa invernal de São Nicolau (em holandês "Sint Nikolaas" e depois "Sinteklaas") e, de modo particular, a sua proteção das crianças, deram origem à tradição infantil da espera de presentes: nas vésperas da festa do Santo, as crianças deixam sapatos ou meias sobre uma cadeira ou ao lado da lareira e vão dormir, confiantes de encontrá-los no dia seguinte cheios de doces e presentes."1

 

__________

 S. Nicolau de Bari, bispo de Mira. Veja-se também: Wikipédia, Nicolau de Mira.

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