A missão dos Espíritos e o dever dos Espíritas
"Os grupos espíritas, quando movidos por sérios propósitos, são para nós uma grata oportunidade de nos reunirmos aos irmãos da Terra para juntos servirmos aos desígnios de nosso Pai." (Santo Agostinho)
As palavras acima, ditadas num grupo espírita familiar, despertaram em seus participantes uma séria reflexão a respeito da importância dos grupos espíritas sérios para que os desígnios de Deus sejam cumpridos, uma vez que ele enviou ao mundo o Espiritismo para nos ajudar a progredir moral e espiritualmente.
Um médium colocou-se à disposição dos bons Espíritos, na intimidade, para que ditassem, por seu intermédio, mais instruções sobre essa importante questão. Eis o que lhe foi ditado:
I
Os bens de Deus são para todos
"Dando sequência às pesquisas de seus antecessores, Edison descobriu como controlar a eletricidade em larga escala, bem como multiplicar seus efeitos. As pesquisas que ele empreendeu superaram suas expectativas iniciais, trazendo benefícios imensos para as décadas vindouras. Se, contrariando sua natureza desbravadora, houvesse retido os frutos de tal descoberta, não teria ele retardado o progresso material da humanidade?
Todavia, é importante salientar que, sem a inspiração oculta dos Espíritos, Edison não teria ultrapassado os conhecimentos adquiridos por si mesmo. É certo que as luzes do gênio não podem ser menosprezadas, mas muitos homens e Espíritos concorreram, direta ou indiretamente, para que novos saberes fossem acumulados até que essa grande conquista se realizasse. O próprio Edison e seus continuadores fizeram com que os benefícios de suas luzes iluminassem a Terra, cumprindo, sem o saber, os desígnios de Deus.
Não estaria o mundo relegado à escuridão, ainda que por algum tempo, se essa descoberta não tivesse se tornado geral? E o que dizer das demais revelações científicas, igualmente grandiosas, que, se tratadas com indiferença, jamais se converteriam em bem comum? Se os avanços da indústria, das artes e da técnica ficassem restritos a poucos, poder-se-ia dizer que a distribuição das dádivas recebidas de Deus foi justa?
Como Edison, Allan Kardec se deparou com fenômenos aparentemente simples, mas destinados a mudar a face do mundo moral. Assim como o grande inventor, Kardec trabalhou para o surgimento de uma ciência nova, a ciência do Espírito, elaborada no grande século das luzes, não das lâmpadas, mas do pensamento. No entanto, o objetivo dessa ciência ainda não se cumpriu inteiramente. As lâmpadas de Edison iluminam o mundo, mas as luzes do Espiritismo ainda não iluminam todas as inteligências. Não é este o dever dos verdadeiros espíritas: propagar o ensino dos bons Espíritos, único capaz de lançar os habitantes deste mundo em plena luz e de dissipar, de uma vez por todas, as trevas da ignorância?"
Benjamin Franklin
II
A missão dos Espíritos e o dever dos Espíritas
"Enquanto as luzes que o Espiritismo veio trazer ao mundo não estiverem distribuídas a todos, ele ainda não terá cumprido seu objetivo divino, pois não há outro bem como ele capaz de promover o progresso espiritual e a verdadeira felicidade, e que seja destinado ao uso de todos. Não é possível que o Espiritismo cumpra seu objetivo integralmente sem os Espíritos, nem que os Espíritos realizem sua missão de esclarecer os homens sem médiuns conscientes do papel que lhes cumpre desempenhar. Essa indissociabilidade entre a missão dos Espíritos e a dos espíritas deve ser melhor compreendida por vós, pois ainda vedes a vossa missão e a missão dos Espíritos como dissociadas, o que vos leva a uma falsa noção do vosso papel no conjunto.
Não é outro o motivo pelo qual o Espírito de Verdade se refere ao Espiritismo como o Supremo Apelo, pois ele não o encara como apenas mais um apelo parcial e indireto dirigido aos homens, limitado à via da inspiração ordinária. Se assim o fosse, os diferentes sistemas filosóficos ensinados pelos grandes sábios, as grandes lições de sabedoria registradas pelas tradições, ou os escritos morais verdadeiramente dignos desse nome, já teriam sido suficientes para conduzir os homens à felicidade plena. Não, meus amigos, não penseis dessa maneira, pois não se justificaria o esforço coordenado de tantos Espíritos superiores, se não fosse para que o Espiritismo prático se tornasse um bem acessível a todos, Espíritos e encarnados.
Todos os médiuns são chamados ao trabalho de fazer com que o Espiritismo cumpra seu papel, mas erraríeis se pensásseis que sois mais dispensáveis como médiuns do que como indivíduos. É verdade que cada indivíduo tem sua importância para Deus, mas, diante de tão importante obra, a personalidade se apaga, restando apenas a importância da tarefa a ser realizada. Assim acontece com o soldado que, no campo de batalha é mais útil ao conjunto quando cerra fileiras com seus irmãos, deixando de lado o personalismo em prol do objetivo que o levou ao fronte.
Se sois médiuns, lembrai-vos de que somente sereis espíritas verdadeiros se fizerdes todo o bem possível com os talentos com os quais fostes dotados, sejam eles quais forem, e que abandonar o próprio instrumento de trabalho sem motivo justo é fazer o mal. Se não sois médiuns, sois também depositários dessas grandes verdades, e vosso trabalho consiste em multiplicá-las, onde quer que estejais, pelos vossos atos de fé e de caridade, secundados por vossas boas palavras, pois nisso consiste a missão dos verdadeiros espíritas.
A comunicação do sábio Franklin, que me antecedeu, ganha assim um valor todo especial, pois vos dá a compreender o dever de todos os que se acham em posse de uma verdade nova e que ainda não foi adotada igualmente por toda a humanidade, o que justifica o convite que viemos renovar a cada um de vós. Espíritas, sede fiéis ao compromisso que assumistes como trabalhadores da última hora e afastai com energia todas as más paixões que vos poderiam impedir de cumprir vossos deveres, vencendo assim a batalha que ainda enfrentais contra o homem velho, pois somente assim sereis de fato os vencedores da impiedade, atendendo ao apelo que vos foi feito pelo Espírito de Verdade."
Allan Kardec
(Psicografadas em 30 de janeiro de 2025)
O Espiritismo sem os Espíritos
"Venho, meus irmãos, meus amigos, trazer-vos o meu óbolo para vos ajudar a avançar corajosamente pela via do progresso em que entrastes. Nós nos devemos uns aos outros; somente por uma união sincera e fraternal entre Espíritos e encarnados será possível a regeneração." (Lacordaire)1
"O Espiritismo está chamado a esclarecer o mundo, mas necessita de um certo tempo para progredir. Existiu desde a Criação, mas só era reconhecido por algumas pessoas, porque, em geral, a massa pouco se ocupa em meditar sobre questões espíritas. Hoje, com o auxílio desta pura doutrina, haverá uma luz nova. Deus, que não quer deixar a criatura na ignorância, permite que os Espíritos mais elevados nos venham em auxílio, para contrabalançarem o Espírito das trevas, que tende a envolver o mundo. O orgulho humano obscurece a razão e a faz cometer muitos erros (...)". (Francisco de Sales)2
"Os que hoje rejeitam as comunicações não parecem essas crianças ingratas que negam e desprezam os seus pais? Não é ingratidão para com os Espíritos, a quem devem o que sabem? Não é servir-se do que eles ensinaram para combatê-los; voltar contra eles, contra seus próprios pais, as armas que eles nos deram? Entre os Espíritos que se manifestam não está o Espírito de um pai, de uma mãe, de seres que nos são os mais caros, dos quais se recebem essas tocantes instruções que vão diretamente ao coração? Não é a eles que devemos o ter sido arrancados da incredulidade, das torturas da dúvida sobre o futuro? E é quando se goza do benefício que se desconhece a mão benfeitora" (Allan Kardec)3
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1 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVI - Não se pode servir a Deus e a Mamón - Instrução dos Espíritos - Desprendimento dos bens terrenos, item 14
2 Revista Espírita, abril de 1860 - Ditados espontâneos - O Espiritismo
3 O Espiritismo sem os Espíritos, Revista Espírita abril de 1866 - O Espiritismo sem os Espíritos.

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