Uma jovem senhora espírita, cujo esposo faleceu há pouco tempo num acidente de trânsito, enviou-nos o relato que reproduzimos abaixo.
Quando o amor vence a morte: testemunho de fé e de consolo
"O Espiritismo ensina que a vida não se interrompe com a morte do corpo. É a revelação de que o amor continua a agir, instruir e consolar, mesmo quando o véu da separação parece nos afastar. Este testemunho nasce do propósito de mostrar, pela própria experiência, como o estudo e a vivência da Doutrina Espírita tornam possível enfrentar a dor da perda com serenidade e esperança - e como o reencontro pela comunicação com aqueles que amamos, confirma que a morte é apenas uma passagem."
A semente da fé
"O meu primeiro contato com a Doutrina Espírita ocorreu quando eu tinha apenas onze anos, com a desencarnação da minha irmã Andressa, uma partida inesperada e considerada precoce, pois tinha apenas dezoito anos e faleceu no mesmo dia em que deu à luz sua filha, Eduarda. A dor foi tão grande que desestruturou a nossa família.
"Eu via minha mãe profundamente abalada, sem compreender como um Deus tão bom poderia ter levado a filha antes da mãe, invertendo, aos olhos humanos, a lei natural da vida. Eu, ainda pequena, apenas observava, sem entender.
"Naquele tempo, deixei as bonecas para ajudar minha mãe a cuidar da minha sobrinha, agora órfã de mãe. Recordo que, sempre que entrava no quarto da bebê, sentia uma presença junto de mim. Sem saber explicar, costumava deixar a porta aberta, como para permitir a entrada de alguém que vinha logo atrás.
"Alguns meses depois, recebemos uma comunicação do Espírito da minha irmã, na qual ela dizia visitar a filha - e confirmou que eu a percebia. Não entrarei aqui em detalhes sobre essa comunicação, mas é importante mencioná-la para que o leitor compreenda como se deu o meu primeiro contato com essa doutrina tão instrutiva e tão consoladora.
"Os anos passaram e, aos dezessete anos, enfrentei minha primeira depressão, momento em que cheguei a pensar em suicídio.
"Minha mãe, desesperada com a possibilidade de perder outra filha, levou-me até uma amiga espírita, que nos acolheu com carinho. Foi ali que tive meu primeiro contato consciente com o estudo da Doutrina. Com a ajuda dela, mesmo com uma fé ainda vacilante, comecei a entender melhor a partida da minha irmã.
"Aos vinte e cinco anos, enfrentei uma nova queda - desta vez, uma tentativa de suicídio. Graças a Deus fui amparada e tive uma nova oportunidade de seguir vivendo neste mundo. Esse fato, um dos mais dolorosos da minha vida, foi também o que me despertou verdadeiramente não apenas para o estudo, mas também para a vivência dos ensinos dados pelo Espiritismo. Compreendi que não bastava ler as obras de Allan Kardec sem realizar a minha reforma íntima. Foi então que começou a minha busca sincera pelo melhoramento moral.
"Essas experiências e o entendimento à luz da doutrina me tornaram mais forte para seguir cumprindo minhas provas e expiando aquilo que preciso expiar para o meu melhoramento e o cumprimento daquilo que me propus antes mesmo de reencarnar."
O reencontro de almas
"Aos 32 anos, conheci o jovem Eduardo, o amor da minha vida e, mais tarde, meu esposo e companheiro de jornada espiritual. Desde o início, senti que havia algo mais profundo que nos unia. Apesar da diferença de idade (eu sendo 10 anos mais velha), havia uma simpatia inexplicável, foi um reencontro de almas amigas.
"Com o tempo, construímos nossa família, e nasceu nossa filha Giovanna, hoje com seis anos. Eduardo, ao me ver estudando o Espiritismo e me esforçando por me melhorar, passou a se interessar por essa doutrina. Bastou a leitura do primeiro livro para que ele se encantasse. A partir dali, nunca mais deixou de estudar. Tornamo-nos uma família espiritualmente fortalecida pela fé e pela compreensão das leis divinas.
"Em uma das comunicações posteriores, após a sua morte, Eduardo confirmou essa nossa ligação profunda: "Nossa ligação e nosso amor já existiam antes de virmos para essa vida; tínhamos um propósito que escolhêramos cumprir juntos."
"Hoje entendo melhor o que eu sentia por ele enquanto estávamos os dois aqui na Terra: era um sentimento maior, um amor que ia além do físico."1
O dia da separação
"Três dias antes de completarmos dez anos juntos neste mundo, dia 9 de setembro de 2025, meu grande amor partiu de forma trágica, em um acidente de carro. Ele estava apenas a quinze minutos de casa, quando um caminhão tombou sobre o veículo que ele dirigia. Sua morte foi instantânea.
"Eu, que o aguardava voltar de uma simples consulta ao oftalmologista, não teria mais sua presença física.
"Como explicar a uma criança de seis anos que o pai não mais voltaria? Como dizer-lhe que Deus o havia levado? Precisei reunir forças para dar a ela a pior notícia da minha vida.
"Naquele momento trágico, em que pensei em desistir de tudo, lembrei-me do homem que Eduardo era: um pai amoroso, esposo presente, parceiro em todas as tarefas - desde o cuidado com a nossa filha até às atividades do lar.
"Ele me apoiava em minhas conquistas pessoais e profissionais e era meu amparo moral. Quando minha fé vacilava, lá estava ele, paciente e firme, ajudando-me a retomar o caminho. Um ser consciencioso, que veio a esta vida para me ensinar a ser mais humilde e menos apegada ao material.
"O velório e o sepultamento foram momentos de dor profunda. Embora eu tivesse entendimento de que a vida não acaba no túmulo e aceitasse com resignação a vontade de Deus, a dor do afastamento físico era inevitável.
"Eu me perguntava: como será agora? Quem me ajudará a sustentar minha fé? "Então lembrei-me de que, meses antes, Eduardo havia se aproximado de um grupo espírita que se dedicava ao Espiritismo prático, com estudo e evocação dos Espíritos. Lembrei também que esse grupo o havia ajudado a se comunicar com o Espírito de um sobrinho que desencarnou prematuramente2. Foi como se a luz da esperança acendesse dentro de mim.
"Mas como entrar em contato com aquele grupo, se eu mesma, até então, tinha reservas quanto à evocação dos Espíritos?
"Durante anos, afastara-me das obras de Kardec e alimentara ideias erradas sobre o assunto. Eduardo sempre dizia que eu deveria conhecer aquele grupo, e eu sempre me recusava. Agora, diante da dor, compreendi."
As comunicações: a prova de que a vida não acaba no túmulo
"Como Deus é bom e os Espíritos superiores tudo conduzem, o celular do meu esposo foi recuperado intacto. Nele encontrei o contato de uma das integrantes do grupo.
"Poucos dias após a sua desencarnação, procurei o grupo espírita do qual ele me havia falado anteriormente: o Geak. Atendeu-me uma alma doce e serena que me acolheu e tem me ajudado a seguir firme no bom propósito.
"No dia 15 de setembro, apenas seis dias após sua partida, o Espírito de Eduardo foi evocado pela primeira vez, no Geak. Acompanhemos a seguir a conversa que o grupo teve com ele.
Após a evocação, ao perceber que o Espírito estava junto ao médium, mas talvez com alguma dificuldade de se expressar, a evocadora perguntou:
1. Eduardo, você ouviu o nosso chamado?
- Sim, eu ouvi.
2. Sabe quem lhe chamou?
- Sim, meus amigos. Eu ouvi o chamado de vocês e me sinto bem por estar aqui.
3. Nós ficamos felizes por tê-lo novamente em nosso meio.
- Eu já sei em que meio é.
4. Você sente algum desconforto, alguma dor?
- Sinto um peso, como se eu estivesse muito longe, mas ao mesmo tempo sei que estou aqui.3
5. Tem notado algo diferente nesses últimos dias?
- Eu sei o que aconteceu. Sei que não estou mais no corpo, por isso esse peso... é porque ainda não consegui me liberar totalmente.
6. É um processo natural que se dá logo após a morte, e que você já conhece.
- Sim.
7. Vê aqui em nosso meio os nossos bons guias? O mestre Allan Kardec, Santo Agostinho e outros mais?
- Sim, eles me ajudam... Eles dizem que esse estado em que me encontro vai melhorar. Eu quero pedir para que façam uma prece comigo. É o que eles me aconselham.
8. Você tem preferência por alguma prece para fazermos juntos?
- O Pai-Nosso.
(O grupo então fez, em favor do Espírito, a Oração Dominical, acrescentando-se as seguintes palavras: "Senhor, derrama sobre a alma do nosso amigo Eduardo o bálsamo capaz de ajudá-lo a libertar-se dos laços da matéria, a fim de que ele possa logo mais conversar com a sua esposa e sua filha com mais liberdade, pois elas anseiam por suas notícias. Pedimos especialmente a Jesus, o grande Médico das almas, que estenda o seu olhar sobre nós e sobre essa família, fazendo com que o que há de mais belo e mais consolador no Espiritismo se realize logo mais, aproximando esses afetos que se amam, pois assim o Espiritismo será verdadeiramente consolador.")
9. Sentiu um alívio, Eduardo?
- Sim, meu pensamento ficou mais tranquilo. Fico feliz porque vou poder falar com a minha família. É necessário.
10. Graças a Deus temos o Espiritismo, não é mesmo?
- Graças a Deus. Eu me sinto privilegiado por estar recebendo esse socorro e agradeço por se importarem comigo e me chamarem.
11. Nós que lhe agradecemos por confiar em nosso grupo e queremos fazer jus à sua confiança. Sua esposa nos procurou e nos pediu para ajudá-la a conversar com você, assim como você nos havia pedido para que o ajudássemos a conversar com o Espírito de seu sobrinho, que morreu logo depois do nascimento. Lembra?
- Como poderia esquecer? Agora que você falou, me veio com mais clareza à lembrança.
12. Nós vamos continuar orando por você. Em breve você estará bem mais livre dessa perturbação que se segue à morte.
- Eu agradeço.
13. Gostaria de mandar um recado para sua esposa?
- Eu me emocionei ao saber que ela fez esse pedido a vocês. Fico muito agradecido por ela ter feito isso, pois nos reencontrarmos nessa nova situação será um consolo para nós todos.
14. Tem algo que nós possamos fazer por você, Eduardo?
- Já estão fazendo. Só peço que continuem com as preces, porque elas me ajudam muito, trazem mais clareza às minhas ideias.
"As preces que partem do coração ressoam em torno do Espírito, cujas ideias ainda estão confusas, como as vozes amigas que nos fazem despertar do sono."4
15. Não esqueça de orar também.
- Sim, eu vou pedir para que essa sensação desagradável desapareça o mais breve possível. Agora eu me vou. Muito obrigado por tudo, a todos os amigos."
16. Nós agradecemos e pedimos a Deus que abençoe você e sua família."
(Comunicação por psicofonia, dia 15 de setembro de 2025.)
Nota da redação da revista: Eduardo havia sido convidado a ser membro do Geak e tinha aceitado o convite, mas não deu tempo de participar como encarnado. Hoje ele participa das reuniões como Espírito.
"Fazia apenas seis dias que Eduardo havia deixado o corpo físico quando foi evocado. Kardec orienta sobre esse ponto em O Livro dos Médiuns:
"Podeis evocá-lo no instante mesmo da morte; mas, como nesse momento o Espírito ainda está em perturbação, só muito imperfeitamente responde. Entretanto, é raro que, ao cabo de oito dias, o Espírito já não se reconheça o suficiente para poder responder."5
"Quando recebi essa comunicação, foi como se recebesse um abraço, meu coração se encheu de esperança e a Deus agradeci pela oportunidade.
"Nos últimos meses antes da partida, Eduardo já vinha se preparando. Pude constatar isso depois. Ele me dizia que queria estudar e compreender melhor o mundo espírita, para estar pronto quando chegasse a sua hora de "voltar para casa" - a casa dos Espíritos. E assim foi.
"Dois dias depois da primeira comunicação, eu e minha filha fomos convidadas a participar de uma reunião, num grupo menor, para evocar o Espírito de Eduardo, por outro médium.
Sessão do dia 17 de setembro de 2025
Antes de chamar o Espírito de Eduardo o presidente espiritual do grupo, Sr. Allan Kardec, foi evocado para dar orientações iniciais.
1. A evocação do Espírito de Eduardo é oportuna nesta sessão?
- Sim. Tudo está devidamente preparado para isso.
2. Pedimos vossos conselhos e orientações, a fim de que possamos agir sob vossa assistência.
- O Espírito de Eduardo ditará as respostas a serem escritas pelo médium. Trata-se de uma escolha dele mesmo, em conjunto com seu anjo guardião, entendendo que a psicografia é mais propícia para moderar as suas emoções. É um esforço de sua parte para que tudo transcorra da melhor maneira, e para que o momento seja guardado na memória com toda a serenidade e a doçura do amor que une sua família, e seja capaz de coroar essa oportunidade de diálogo que Deus lhe concedeu.
Allan Kardec
(Psicografada dia 17 de setembro de 2025)
Nota da redação da revista: a escolha feita pelo Espírito evocado para se comunicar pela escrita e não pela fala, foi para poder controlar melhor as sua emoções, como ele próprio disse. Afinal, era a primeira vez que iria se comunicar com a esposa e a filha depois da morte. Quando o Espírito está muito emocionado e se comunica pela fala, o médium que lhe serve de intérprete tem muita dificuldade de falar, porque a sua voz fica entrecortada pelo choro. Sabendo que não conseguiria conter as lágrimas causadas pela forte emoção, o Espírito, em comum acordo com seu anjo guardião, fez a melhor escolha.
"Após a evocação feita por mim mesma, o Espírito do meu esposo começou a ditar ao médium as seguintes palavras:
- "Minhas joias, meus amores, estou tateando nessa nova vida e uma neblina ainda turva a minha visão. Vocês são para mim como duas estrelas, duas fontes luminosas que me atraem pela claridade e pelo calor que tanto me faz bem. Hoje não terei muito tempo, mas me esforçarei o máximo que puder para responder o que me for permitido nesta reunião."
"Eu, também muito emocionada, tive com ele o diálogo que se segue:"
1. Eu gostaria de saber como foi a sua passagem. Você sentiu alguma dor?
- Nenhuma dor, meu amor. Não vi nada, não senti nada. Apenas despertei como se estivesse num açude de águas mornas, com uma sonolência que demorou a passar. Aos poucos, fui vendo quem estava próximo de mim, me amparando, e então soube o que havia acontecido.
2. Você tem estado conosco? Tem tentado se comunicar comigo? O que eu sinto é real?
- Meus pensamentos estão voltados a ti e à nossa filha. Mesmo que o tempo passe de modo diferente onde estou, e que eu já tenha vivido aqui mais do que se vive em dias terrenos, uso todos os intervalos que tenho para pensar só em vocês. É como se eu fosse levado até ti nesses momentos.
Já conversamos em sonho, quando dormias, mas de agora em diante iremos conversar enquanto estiveres desperta. Sou eu que te busco, sim. Mas, se nesses momentos em que me perceberes também vier a tristeza, ou qualquer sensação ruim, apenas faz uma prece e dedica-te a escrever, porque tu só irás escrever se estiveres em paz e com a certeza de que sou eu, de que é o nosso amor que estarás sentindo.
3. (Nossa filha): Quero saber por que Jesus quis levar meu pai para junto dele."
- Minha filha, minha luz, o pai te cuidava, fazia o que podia, junto com a tua mãe, para te dar tudo o que precisavas. Não era só o alimento, as roupas, os brinquedos, mas também o amor e a educação. Eu já fazia isso aí, juntinho de ti - olhando-te nos olhos, abraçando-te e sentindo o teu cheirinho, recebendo todo o carinho que um pai pode receber da filha mais maravilhosa que Deus lhe deu. Eu fazia isso tudo porque te amo e sabia, como teu pai, o que era melhor para ti.
Deus, que ama a todos os seus filhos, também faz o que é preciso para me dar o que é melhor para mim. Agora era a hora de o pai voltar para o mundo dos Espíritos, onde somos mais livres e onde não há medo, nem tristeza.
Onde estou, há muita alegria e amor. Continuarei te amando e amando a tua mãe, cuidando de ti daqui, me preparando para receber vocês, quando Deus decidir que é chegada a hora de voltarem para este lado também.
Até lá, mesmo invisível para os teus olhos, estarei sempre contigo. Tu me sentirás no coração, nas lembranças e nos sonhos. Se Deus quiser, te enviarei cartinhas pela tua mãe, que me perceberá cada vez mais, quanto mais eu for me restabelecendo e me fortalecendo.
4. (Eu novamente): Quero te dizer que estou muito feliz por ter tido tuas notícias. Você se preparou tanto para isso, meu amadinho... Eu prometo seguir firme, cuidando da nossa filha. Vou me dedicar aos estudos para poder te ouvir e escrever, como disseste. Temos saudade, mas aceitamos tua partida. Queremos que Deus permita que continues juntinho de nós e que possamos, quem sabe, formar o nosso grupo espírita familiar. Peço que, quando possível, mande palavras de consolo aos demais familiares que também estão buscando o Espiritismo, movidos pela tua partida. Nós te amamos muito, muito!
- Meu amor, tenho orgulho de ti, porque te conheci melhor daqui deste outro lado, do que quando estava no corpo. Peço que me desculpes, meu amor, por tantas vezes ficar diante da tela, ocupado com coisas não tão úteis. Eu buscava a beleza nas imagens e nas palavras, mas a maior de todas as belezas era a tua. Tu és a luz da minha vida, e serei eternamente grato a Deus por ter-me permitido ser teu marido.
Agora, meu amor, serei teu irmão, teu amigo, e estarei sempre por perto.
Teu Eduardo."
(Psicografada dia 17 de setembro de 2025.)
Nota da redação: Após a comunicação do pai, a filha pediu para ler uma cartinha que o pai e a mãe haviam escrito para ela antes da partida. Ao terminar, emocionada, sua voz ficou embargada pelo choro, e o ambiente foi tomado por sincera ternura e profundo recolhimento.
"Essa comunicação trouxe uma profunda paz ao meu coração, pois uma das maiores angústias que eu carregava era pensar se ele havia sofrido no momento do acidente. As palavras que recebi dissiparam essa dúvida e aliviaram minha alma.
"Um ponto que me marcou profundamente foi o modo como ele me aconselhou, ao dizer que, quando a tristeza me visitasse, eu deveria fazer uma prece. Esse ensinamento se tornou um verdadeiro remédio. Desde então, cada vez que a dor se aproxima e a saudade tenta me abater, eu oro - e, na prece, sinto-me em ligação com ele. Nessas horas, renovo minha fé e o entendimento de que ele segue vivo, amparando-nos como um Espírito protetor.
"Uma prova que me confirmou, sem dúvida, ser ele quem se comunicava, foi quando mencionou "ficar diante da tela". Esse fato era muito particular, algo que fazia parte da nossa rotina. Foi a confirmação mais clara e íntima da sua identidade, porque nenhum dos integrantes do grupo tinha conhecimento desse detalhe, pois não nos conhecíamos pessoalmente.
"E, por fim, a emoção que senti ao ver os olhinhos da nossa filha enquanto líamos juntos as palavras do pai - e o consolo que ela recebeu ao compreender, pelas palavras dele, o motivo de sua partida - fez o meu coração ficar leve e sereno."
A dor transformada em propósito
"Desde então, as comunicações com Eduardo têm me fortalecido. Descobri que o estudo e a prática da mediunidade, como ensina Allan Kardec em suas obras, não são fenômenos extraordinários, mas ponte de amor e instrução entre dois mundos que se completam.
"Compreendi que a dor da separação não é castigo, mas oportunidade de crescimento. O Espiritismo prático me fez viver, de fato, aquilo que durante tantos anos eu apenas lia: a certeza de que a vida continua, e que o amor verdadeiro jamais se perde.
"Constatei o que há de mais consolador no Espiritismo: as conversas entre os que se amam e que estão momentaneamente separados pela morte do corpo."
Considerações finais
"Meus dias têm sido desafiadores, não posso negar. Mas o entendimento de que a vida não termina com a morte do corpo físico e que o amor nos conecta eternamente tem me mantido firme.
"Muitos me questionam como eu consigo seguir, sem revolta, sem desânimo.
"Mas como me revoltar, se sei que meu amor vive, que seguimos juntos - eu aqui, ele invisível, mas presente - cuidando de nossa filha?
"Todos os dias ele, com a permissão de Deus e junto do meu bom anjo, envia amparo e inspiração para que eu siga.
"O maior aprendizado desses anos de estudo é que, diante da morte, não devemos questionar Deus, mas aceitar com fé e buscar compreender.
"Esse entendimento encontrei plenamente no Espiritismo prático, quando passei a viver aquilo que antes apenas lia. Poder conversar com o Eduardo, saber que ele vive, me mantém de pé.
"Hoje, compreendo que minha missão é transformar essa dor em trabalho e consolo. Por isso, partilho meu testemunho - não para falar de mim, mas para provar que a Doutrina Espírita é o verdadeiro Consolador prometido por Jesus.
"Ficarei grata a Deus se, com esse testemunho puder ajudar os que sofrem, com a partida repentina de seres queridos, a entenderem que a vida não acaba e o amor não morre.
"Acredite, você que sofre com a morte de um afeto querido: Deus é soberanamente justo, bom e misericordioso. Cada prova que ele nos envia é para nos tornar mais felizes, se a suportarmos com fé e confiança na sua Providência.
"Agradeço a Deus, a Jesus, ao mestre Allan Kardec, ao meu bom anjo São Luís, a todos os demais Espíritos superiores que nos assistem e em especial à minha alma irmã, Eduardo, por todo o amparo e apoio que recebo para seguir.
"Aos leitores, digo com a melhor das intenções: busquem a instrução e a compreensão da vida futura.
"O Espiritismo nos ensina que o amor é a força que liga os mundos, e que nenhuma separação é definitiva. A dor que parecia impossível de suportar tornou-se fonte de fé viva, porque pude constatar que a vida continua e que os que amamos permanecem ao nosso lado.
"Bendigo ao Criador por nos permitir levantar o véu que nos ocultava o mundo dos Espíritos pela mediunidade e colher frutos de esperança.
"Que este testemunho sirva para consolar os corações que choram e para inspirar os que buscam entendimento. Que cada um que leia estas palavras encontre nas obras de Allan Kardec, no Espiritismo prático e na fé em Deus o mesmo consolo que recebo.
"Com amor,
Jaqueline M."
"É também pelo bem que faz que o Espiritismo prova sua missão providencial. Ele cura os males físicos, mas cura sobretudo as doenças morais, e são esses os maiores prodígios pelos quais ele se afirma. Seus mais sinceros adeptos não são os que foram tocados apenas pela visão de fenômenos extraordinários, mas os que tiveram o coração tocado pela consolação; os que se livraram das torturas da dúvida; aqueles cuja coragem se fortaleceu nas aflições, que hauriram forças na certeza que ele lhes deu do futuro, pelo conhecimento de seu ser espiritual e de sua destinação. Eis aqueles cuja fé é inabalável, porque eles sentem e compreendem."6
Esse foi o desenho que a menina fez logo após a morte do pai, retratando-o vivo e presente como Espírito.

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1 Veja-se: O Livro dos Espíritos - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos, cap. VI - Da vida espírita - Relações de simpatia e de antipatia entre os espíritos - Metades eternas, itens 296 e 297. Veja-se também: Cap. VII - Da volta do Espírito à vida corporal - Simpatias e antipatias terrenas, itens 386 a 391.
2 Veja-se o artigo: Uma morte prematura e o consolo dado pelo Espiritismo.
3 O Livro dos Espíritos - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos, cap. III - Da volta do Espírito, extinta a vida corpórea, à vida espiritual - Perturbação temporária após a morte
4 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVIII - Coletânea de preces espíritas - IV - Preces pelos que já não estão mais na Terra - Por alguém que acaba de morrer
5 O Livro dos Médiuns - Das manifestações espíritas, cap. XXV - Das evocações - Questões sobre as evocações, item 282, questão 33
6 A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo, cap. XV - Os milagres do Evangelho - Curas - Numerosas curas operadas por Jesus, item 28.

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