Da dificuldade de analisar comunicações dos Espíritos
"Os maus Espíritos temem o exame. Dizem eles: "Aceitai nossas palavras e não as julgueis". Se tivessem consciência de estar com a verdade, não temeriam a luz." Allan Kardec1
Primeira instrução
Temos notado que uma das dificuldades enfrentadas nos grupos espíritas é analisar as comunicações recebidas dos Espíritos, embora a análise seja necessária para evitar que nos tornemos joguete dos maus Espíritos, ou que os médiuns sejam guiados por Espíritos pseudossábios ou fascinadores.
Comunicações contendo ideias triviais, às vezes com contradições internas e mesmo contrárias ao que ensina o Espiritismo, são julgadas boas, ainda que assinadas com nomes de Espíritos superiores, mas que são notoriamente apócrifas.
Para entender a causa desse problema, a fim de buscar a solução, pedimos instruções ao nosso professor Allan Kardec.
1. Caro professor, nós vos agradecemos por atender ao nosso chamado. Gostaríamos que o senhor nos ajudasse a compreender a causa da dificuldade que boa parte dos membros dos nossos grupos tem para fazer uma boa análise das comunicações dos Espíritos.
Resposta. - "Existem causas comuns a todos os membros que têm essa dificuldade, mas também causas específicas que dizem respeito a cada um em particular. Então, opto por elencar algumas dessas causas gerais que poderão ser identificadas pelo indivíduo que quiser verificar, em si mesmo, se tais causas dizem respeito à sua condição, à sua dificuldade na atividade de análise das comunicações dos Espíritos.
Uma das causas gerais, que está relacionada a todas as outras, é a influência perniciosa de Espíritos contrários ao avanço na divulgação do Espiritismo. Começo por ela porque essa má influência permeia todas as outras e encontra acesso nas fragilidades que nascem das demais causas, das quais esses Espíritos tiram proveito. Vamos, então, a elas.
Podemos distribuí-las, apenas em caráter didático, entre causas morais e causas cognitivas; digo didático porque elas se relacionam e, quase sempre, por trás de uma distorção cognitiva existem questões de ordem moral. As expressões, mesmo que muitas vezes não evidentes, do orgulho e da vaidade, quando alimentados pelo indivíduo que analisa, prejudicam o seu entendimento, a sua compreensão do todo e dos detalhes. Quando há o desejo e mesmo a certeza de que se tem o merecimento de obter boas comunicações, faz-se uma leitura apressada, na qual o leitor mais adivinha as palavras, a partir da leitura das primeiras letras, do que lê com calma cada uma delas, buscando na memória o seu significado, os conceitos a elas relacionados e como essa tal palavra se relaciona com o todo textual. A pressa vem da certeza que, de antemão, se tem de que a comunicação é boa, ou que se deseja que o seja, e assim se aprova algo que não foi devidamente lido e compreendido; isso está ainda mais presente quando a leitura é feita pelo próprio médium que serviu de intermediário, se ele analisar o que recebe nessas condições.
Outra causa é a falta de fé. Quando não se tem uma fé inabalável, seja na vida futura, seja na imortalidade do Espírito; quando não se tem a certeza de que os Espíritos participam ativamente das reuniões e da atividade intelectual de estudo, de análise, feitos na intimidade do lar; quando se lê ou se analisa como se se tratasse de uma atividade pró-forma, para a qual não se tem companhias invisíveis; quando se tem a impressão de que as reflexões, a análise, o pensamento acerca da comunicação lida não estão sendo compartilhados, vistos e aproveitados, e mesmo verificados por Espíritos, não se age com o devido zelo, com o devido esforço nessa atividade, por parte daquele que não tem fé.
A leitura e a análise das comunicações dos Espíritos devem ser uma continuidade do estudo realizado no grupo, com a mesma seriedade e a mesma circunspeção. Muitas vezes, os Espíritos que participaram da sessão estão junto do médium, ou de qualquer outro membro do grupo, para essa continuidade. A fé e a certeza inabaláveis de que não há solução de continuidade nessas atividades farão com que a seriedade seja a mesma em ambos os processos, em qualquer que seja o lugar.
Entre as muitas causas cognitivas, podemos destacar a falta do hábito de uma leitura aprofundada. Atualmente, em vosso mundo, existem convites à distração em quase todos os meios sociais; estímulos à leitura superficial e inadequada, à busca por informações expostas em meios nos quais abundam as imagens, o som e o movimento e o incentivo à busca por facilidades, são os mais comuns. Há uma tendência a não aprofundar conteúdos, a não refletir, a não utilizar o tempo necessário para que o conhecimento se consolide. Opta-se, então, por leituras rápidas, por distrações, por divertimento, ao invés da busca do verdadeiro recolhimento, do devido aproveitamento do tempo para que o conteúdo lido seja bem entendido e se consolide no indivíduo que se dispõe a estudar com os Espíritos e a analisar com seriedade tudo o que vem deles. Mesmo que haja a boa vontade por parte de quem estuda e analisa, o espírito não está habituado a uma leitura que ultrapasse determinado limite de tempo; o hábito do prazer imediato, da distração, é contrário ao hábito da leitura demorada, ativa e reflexiva.
Outra causa cognitiva de grande relevância é o parco desenvolvimento das habilidades da memória. A faculdade da memória é essencial para que se registre o conhecimento necessário, buscado e adquirido previamente, seja de conteúdo, seja de competência de leitura, para que se realize uma análise coerente daquilo que se lê; aí também se encaixa o problema do contexto em que viveis, as atividades e os hábitos ditos contemporâneos, o uso da tecnologia que se tem à disposição com o objetivo de poupar esforços, esforços esses que seriam úteis ao Espírito.
As faculdades nobres da alma, das quais o cérebro humano é capaz de ser o instrumento, quando não desenvolvidas adequadamente acabam, de certa maneira, por atrofiar-se, impedindo que se compreenda de maneira clara o que vai além da superfície do texto, sua profundidade e o encadeamento das ideias nele presentes.
Existem ainda outras causas, tanto morais quanto cognitivas, que poderemos explorar oportunamente. Por hoje, respeitando o tempo de que dispondes para esse fim, entendo que as que expusemos poderão ser úteis para vossas reflexões iniciais. De qualquer maneira, se houver alguma dúvida com relação ao que foi dito acima e que possamos ainda esclarecer, coloco-me à disposição."
2. O desconhecimento do Espiritismo, por parte dos membros do grupo, não poderia ser também considerado entre as causas expostas acima?
- "O desconhecimento da doutrina é o efeito das deficiências morais e cognitivas, não sua causa. Mesmo os que leem, ou que leram as obras em sua completude, que são poucos, ainda necessitam retornar a elas, buscar aprofundar o entendimento, reler pontos específicos para que tenham uma melhor compreensão dos princípios da ciência e do seu conjunto; com isso, terão melhores condições de realizar a atividade de análise, e também de aproveitar o que vem dos Espíritos e que possa ser útil ao progresso."
3. Nós agradecemos pelas instruções que nos destes, caro professor.
- Vamos prosseguir, rogando a Deus para que esse trabalho persista.
Allan Kardec
(Por psicofonia, dia 29 de agosto de 2025.)
Segunda instrução
"Se não quisermos ser vítimas desses Espíritos levianos, é necessário julgá-los, e para isso temos um critério infalível: o bom-senso e a razão." Allan Kardec2
1. Caro mestre Allan Kardec, pedimos que o senhor nos ajude a entender a razão pela qual o desconhecimento do Espiritismo é efeito, e não causa, das deficiências morais e cognitivas no que diz respeito à análise das comunicações dos Espíritos?
- "As deficiências morais e cognitivas que causam a dificuldade que muitos têm de realizar uma boa análise das comunicações, são as mesmas que impedem que se tenha um conhecimento claro do Espiritismo. A falta de entendimento é percebida na dificuldade que o leitor apresenta para compreender, não só palavras isoladas, mas também quando elas estão num conjunto maior. Tomo o ato de compreender como a capacidade de atribuir significado às palavras, sejam elas isoladas, seja compondo frases, períodos, parágrafos, etc. Uma vez atribuída a significação a cada palavra, perceber o papel que cada uma desempenha no conjunto, se há um encadeamento lógico entre elas, refletir sobre, compreender, resumir, e, enfim, explicar para si mesmo os pontos principais e os secundários, seja de uma comunicação dos Espíritos, seja de um texto ou discurso que venha dos encarnados. Aqueles que têm dificuldade de compreensão não adquirem o básico para que possam, a partir dessa apreensão, analisar a fundo qualquer comunicação de ideias.
Uma outra dificuldade presente no campo cognitivo diz respeito à carência de uma curiosidade analítica, de uma vontade de compreender a fundo tudo o que compõe um conjunto.
Entre as deficiências morais podemos acrescentar a falta de uma certa sensibilidade, de uma percepção que vai além das capacidades intelectuais adquiridas na vida atual; uma sensibilidade leva o indivíduo que busca analisar a ir além das palavras, das formas, e consiga perceber, por uma vinculação simpática ou por uma repulsão, o conteúdo moral inserido na comunicação analisada. Enquanto alguns, numa simples leitura, num primeiro contato já percebem o que está no fundo das ideias expressas numa comunicação, outros leem, releem, se esforçam, mas sentem que lhes falta algo para entender plenamente as intenções do Espírito comunicante.
Por fim, podemos notar outra deficiência no campo moral que dificulta a análise, que é a ausência de vontade de conhecer-se e de melhorar-se com o auxílio dos Espíritos; uma vontade ativa que movimenta a alma, e que, invariavelmente aquele que a tem busca, com bastante atenção, recolher de toda comunicação algo de útil para o seu progresso individual; tomar nas instruções dos Espíritos algo que lhe diga respeito, algo que lhe movimente e que possa ser colocado em prática.
Podemos usar como imagem alguém que tem fome; a fome do alimento material realiza algo característico, mesmo peculiar, que é acentuar a capacidade olfativa, fazendo com que certos cheiros provoquem reações no organismo, como a salivação, por exemplo. Ao contrário, quando não se tem fome, os mesmos cheiros não afetam a sensibilidade do indivíduo, ou podem mesmo causar-lhe repugnância.
A fome do alimento da alma é o que movimenta a vontade de saciá-la, possibilitando assim a busca desse alimento na instrução sincera e em tudo o que leva a esse objetivo, que podemos dizer que não será atingido enquanto o Espírito não obtiver o conhecimento de todas as coisas e eliminar de sua intimidade todos os traços da ignorância e das imperfeições que o infelicitam. Ao contrário, aqueles que não têm fome nem sede de progresso, não buscam e não identificam, ou mesmo não querem identificar, algo que lhes diga respeito e que, de certa maneira, lhes exija mudanças de comportamento e de percepção da realidade."
Allan Kardec
(Por psicofonia, dia 8 de setembro de 2025.)
Terceira instrução
1. Caro mestre Allan Kardec, embora nos tenhais dado boas razões para refletirmos sobre as causas de nossas deficiências, ainda poderíeis instruir-nos sobre os opostos e os antídotos de nossas deficiências morais e cognitivas?
- "Lançarei mão dessa pergunta para dar-vos mais alguns exemplos de deficiências, e já adianto que vossas reflexões acerca dos opostos e dos antídotos estão indo numa boa via, sob a inspiração dos vossos anjos guardiães. Quando tiverdes sob as vistas os principais pontos das deficiências cognitivas e morais podereis avançar em vossas reflexões; mesmo aí podeis contar com o nosso concurso, a fim de que possamos elaborar um conteúdo de instruções úteis a todo aquele que deseja ter um entendimento claro da doutrina espírita e adquirir melhores condições para fazer uma análise justa das comunicações dos Espíritos e de qualquer outro conteúdo.
Uma das deficiências cognitivas sobre a qual deveis pensar, é a dificuldade de fazer inferências, de deduzir, e aqui me refiro a uma boa comunicação. Muitas vezes, aquele que se propõe a analisar uma comunicação acaba por prender-se a um ponto, a uma frase, a uma ideia dentro de uma comunicação mais ampla; essa ideia, às vezes bem compreendida, às vezes não, é recortada e tomada como ponto essencial para julgar a comunicação como um todo, e assim concluir se ela é boa ou não. Isso ocorre sem que aquele que analisa nessas condições observe se se trata de uma afirmativa, de uma premissa, de uma conclusão, ou mesmo de um conselho ou orientação; com isso, poderá tomar o que é um ponto de contraste dentro do conjunto das ideias como a finalidade da comunicação, o que deturpa o entendimento do que está sob análise.
Se uma parte, um fragmento for tomado descolado do todo, do contexto de uma comunicação, perde-se então a sua finalidade, o seu objetivo. Somando-se a essa dificuldade, existe também a falha no uso da expansão; para que uma comunicação seja bem compreendida é preciso alargar a compreensão que se faz de seu conteúdo, conectando-o ao que vai além dela, especialmente com o conteúdo das obras espíritas; esse olhar expandido também diz respeito à verificação de fatos da realidade, do que há de positivo na ciência do mundo que justifique, ou mesmo que sirva de controle para as informações que porventura constem da comunicação.
Porém, mesmo não fazendo essa expansão no bom sentido, alguns acabam por fazer outra: inserir conteúdos, ideias que não estão no texto; seja alguma coisa lida pouco tempo antes de iniciar a análise, ou pouco tempo antes da reunião na qual a comunicação foi dada, acaba-se por buscar conteúdos alheios, mesmo discordantes com as ideias expressas na comunicação a ser analisada; assim, a comunicação será lida a partir dessas inserções indevidas, extrapolando-se o conteúdo que ali está, com seu contexto e seus objetivos específicos."
2. Embora as nossas deficiências morais e cognitivas dificultem um conhecimento claro do Espiritismo, não é essa doutrina que pode nos ajudar a superar tais deficiências?
- "Sim, é a doutrina. Na antiguidade, Sócrates foi indagado nos seguintes termos: "As virtudes são adquiridas pela instrução ou pelo exercício?" Ou seja, pela instrução as virtudes podem ser ensinadas? O filósofo, apesar de muito refletir e buscar nos diálogos um caminho de entendimento sobre os pontos levantados no problema, não deu como definitiva a resposta.3 A virtude, àquela época, para Sócrates, era de fato uma espécie de conhecimento; ele julgava inicialmente que poderia ser ensinada, mas havia um problema surgido a partir desta linha de raciocínio: "Quem estaria habilitado a ensinar virtudes?" Sua perspectiva era a de que, para ensinar bem, era preciso saber e viver aquilo que seria o objeto do ensino. Em sua busca pelo homem mais sábio, não encontrara o professor habilitado para esse mister. Sócrates tinha o seu Daimon, e não lhe ocorreu que todo aquele que desejasse instruir-se no campo das virtudes poderia buscar, junto ao seu Espírito protetor, as orientações para adquirir as almejadas virtudes.
Saber quais são seus fundamentos, conhecer os resultados causados no indivíduo que as busca, não faz com que as virtudes se tornem propriedade daquele que tem essas informações: é preciso um aprofundamento. E, para que a instrução não seja rasa, apegada à letra e sem uma conexão com os demais conteúdos, faz-se necessária a escolha de um instrutor capacitado. Deus deu a cada Espírito encarnado na Terra um protetor de uma ordem superior, com a missão de guiá-lo, de ampará-lo e orientá-lo nos desafios da vida. Além desse anjo guardião, o Espiritismo aponta a mediunidade como um meio de entrar em contato mais diretamente com Espíritos que, no mundo espírita, têm condições de conhecimento e de liberdade para serem também orientadores, professores em qualquer curso que tenha por objetivo a busca das virtudes. Um meio eficaz para estreitar os laços com esses instrutores é a prece e a busca sincera pelo conhecimento de si mesmo.
Um estudo aprofundado do Espiritismo, capaz de produzir as consequências que levem à reversão das deficiências que notais em vós mesmos, sejam elas cognitivas, sejam morais, só será possível quando a alma dedicar-se a um estudo sério e continuado, lançando mão da prece sincera, da busca pela própria transformação e pela vinculação com os Espíritos superiores que podem verdadeiramente auxiliar. Então, é uma via em que há a necessidade do conhecimento, da ligação com Espíritos superiores, e da vontade do próprio indivíduo em sanar suas deficiências, a fim de conquistar as competências cognitivas e as virtudes morais que produzem uma compreensão clara do Espiritismo.
É ainda graças ao que ensina o Espiritismo que a colaboração entre vivos e mortos ocorre, com conhecimento de causa, entre aqueles que têm objetivos similares e fazem esforços para que tais objetivos sejam alcançados. É o Espiritismo que esclarece que é possível, pela reencarnação, retomarmos na carne antigas missões, responder antigas perguntas e compartilhar, nessas oportunidades, o conhecimento adquirido e a experiência conquistada. Já no século XIX, antes mesmo de adotar meu pseudônimo, sentia a verdade dentro de mim, que ora ecoava como reminiscência, ora como intenção de consolidá-la e de espalhá-la no mundo.4 A virtude se aprende, a virtude se adquire pelo hábito, a virtude se ensina.5 Juntos podemos constatar a veracidade dessas respostas para antigas questões. Que Deus e o Espírito de Verdade estejam conosco nesse caminho que escolhemos trilhar juntos."
Allan Kardec
(Por psicofonia, dia 12 de setembro de 2025).
Eis o que pensava Sócrates sobre a virtude e o que ensina o Espiritismo
XVII. "A virtude não pode ser ensinada; vem por dom de Deus aos que a possuem."
"É quase a doutrina cristã sobre a graça; mas, se a virtude é um dom de Deus, é um favor e, então, pode perguntar-se por que não é concedida a todos. Por outro lado, se é um dom, carece de mérito para aquele que a possui. O Espiritismo é mais explícito, dizendo que aquele que possui a virtude a adquiriu por seus esforços, em existências sucessivas, despojando-se pouco a pouco de suas imperfeições. A graça é a força que Deus faculta ao homem de boa vontade para se expungir do mal e praticar o bem."6
Esse estudo teve ainda outros desdobramentos e aprofundamentos que oportunamente poderemos compartilhar com os nossos leitores, se forem considerados de interesse geral.
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1 Revista Espírita, fevereiro de 1859 - Escolhos dos Médiuns.
3 Veja-se o diálogo de Platão intitulado Mênon. Nesse diálogo Mênon e Sócrates tentam encontrar a definição da virtude, sua natureza, a fim de saber se ela pode ser ensinada ou não. E, se não pode ser ensinada, de que maneira ela pode ser obtida.
4 Veja-se: Discurso sobre a educação, pelo jovem Rivail.
5 O Livro dos Espíritos - Das leis morais, cap. XII - Da perfeição moral - As virtudes e os vícios
6 O Evangelho segundo o Espiritismo - Introdução - Resumo da doutrina de Sócrates e de Platão

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