Com um desejo sincero de ouvir mais histórias de Pedro sobre Jesus, o grupo o chamou novamente. A seguinte narração foi ditada ao médium.
Em tudo Jesus foi bom e para todos é modelo
"Havia dois dias que Marcos e eu estávamos em Siracusa. Marciano1, nosso irmão em Cristo que nos aguardava numa região mais discreta do porto, conduzia-nos por aquela cidade de viva e intensa agitação. Eram poucos os cristãos, mas reuniam-se regularmente nos lares e, para atender principalmente a quem não tinha a liberdade e a privacidade do culto doméstico, encontros eram realizados em comunhão nas catacumbas ou em áreas mais afastadas das vilas e da região central.
As reuniões mais numerosas eram aquelas das quais participavam senhoras que não queriam expor sua nova fé à sociedade majoritariamente pagã; elas se sentavam ao lado de suas servas e dos escravizados, que aproveitavam quaisquer oportunidades de se afastarem das vistas do seu senhor do mundo para ouvir as palavras do Messias. Eram reuniões curtas, nas quais narrava-se uma passagem da vida do Mestre, uma ou outra de suas luminosas parábolas, e recitava-se, de todo o coração, a prece que ele nos ensinara.
Na catacumba em que a mais numerosa assembleia era realizada, poucas lâmpadas e velas iluminavam o ambiente e serviam, também, para que se encontrasse a saída após o término das reuniões.
O contato com o dia naquela cidade agitada me transportava às lembranças das aglomerações de Jerusalém. Percorrendo as vias daquela Siracusa de matrizes gregas, mas repleta de edificações romanas, de anfiteatros e também de um circo, de aquedutos e prédios públicos monumentais; ouvindo vozes pronunciando palavras em muitas línguas, ruídos de carros, de animais e de moedas tilintando, era impossível não recordar de como o Cristo lidava com as multidões e o alvoroço das almas comuns do mundo.
Caminhando ao seu lado, preocupado com sua segurança e seu bem-estar, eu via em Jesus uma paciência sem limites em meio à multidão que muitas vezes se acotovelava para ouvir suas palavras, pedir-lhe a cura de seus males ou simplesmente narrar-lhe as dores e as expectativas de uma Israel novamente livre. Sem demonstrar cansaço, o Cristo realizava curas, libertações, e anunciava a Boa-Nova, mesmo que de muitos só recebesse incompreensão e ingratidão. Alguns tocavam suas vestes, puxavam-lhe o braço e gritavam-lhe em meio às balbúrdias dos deseducados, rogando ou mesmo ordenando-lhe que deles retirasse os males e os pecados.
Em dado momento, o Mestre me dirigia um olhar de maneira específica. Eu sabia reconhecer a mensagem implícita naquele olhar, como se fosse uma senha: era hora de nos retirarmos. Para todos nós que o seguíamos era um momento de alívio. Sairíamos do mar de agitação dos aflitos do mundo para buscar a tranquilidade de algum recanto previamente escolhido: um jardim, a casa de amigos, ou um espaço para que o Mestre elevasse suas preces ao Pai ou pudesse nos dar as lições do dia. Eram momentos de calma que contrastavam com o tumulto das multidões sedentas; porém, a face do Mestre permanecia a mesma, onde quer que estivesse. A palavra que nos edificava, que nos dava esperança, era transmitida com o mesmo entusiasmo e com o mesmo amor que víamos nos ambientes mais adversos. Ele levava em si, onde quer que estivesse, a tranquilidade imperturbável dos justos.
Em nosso último dia na Sicília, narrei a Marcos algumas experiências vividas com o Mestre em aglomerações e em meios conturbados. Adverti meu amado filho que partiríamos para a maior das cidades, aquela que muitos chamavam de Nova Babilônia, e que a inquieta Siracusa não se comparava a Roma em agitação e perigos. Olhando-me de maneira um pouco ingênua, mas transbordando boa vontade, Marcos me disse: “Roguemos ao Cristo para que possamos tê-lo como exemplo e que não caiamos nas armadilhas do caos e da perturbação. Sejamos pacíficos como ele e busquemos a tranquilidade nele e em nosso Pai, que está nos Céus”.
Abracei-o, comovido por sua fé, elevando minha gratidão ao Mestre, que em tudo foi bom e para todos é modelo. Marciano, vendo a cena, nos aguardava para nos entregar a salvos para mais uma jornada sobre as águas, rumo a um novo porto. Marcos deu-lhe algumas cópias de suas anotações mais recentes, como para retribuir-lhe por sua dedicação. Eram as letras de Marcos e as minhas memórias que começavam o seu percurso de divulgação da Boa-Nova em registros escritos."
Pedro
(Psicografada dia 7 de janeiro de 2026.)
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1 Marciano é considerado o primeiro propagador do cristianismo e o primeiro bispo de Siracusa, onde chegou no ano 39, enviado por São Pedro, de quem era discípulo.

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