PERIÓDICO DE DIVULGAÇÃO DO ESPIRITISMO PRÁTICO
Obsessão por apego - parte 1
01 / ABRIL / 2021

GRUPO ALLAN KARDEC CURADOR

OBSESSÃO POR APEGO - parte 1

SRA. LÍDIA 1

 

   A Sra. Lídia é casada, mãe de três filhos, católica, tem uma fé sincera em Deus. Ela vive com sua família numa pacata cidade do interior de Santa Catarina. 

   Há muitos anos ela sofria de males cuja causa nenhum médico terreno havia descoberto e por isso não havia um tratamento eficaz. Além da medicina tradicional, recorrera também a outros terapeutas, e até encontrou junto a eles um certo alívio para suas dores. Mas o alívio não é a cura.

   Os principais mal-estares que ela sentia eram: infecção na bexiga, dores lombares, dores fortes na garganta, que se ressentia de certa secura, pernas cansadas, angústia, perturbação do sono, sensação de que algo a sufocava, e muitas vezes acordava à noite com taquicardia. Algumas vezes sua cabeça era puxada para trás com uma força quase irresistível, mas sem causa aparente. Como cristã, já cogitava há algum tempo que seus sofrimentos pudessem ter causa espiritual.

   Em novembro de 2020, procurou um membro do Grupo Curador Allan Kardec, e lhe contou o que se passava consigo, com objetivo de entender o motivo de seus sofrimentos e, quiçá, encontrar a causa e a cura das suas dores físicas e morais.

   Os demais membros do Grupo foram informados a respeito do que se passava com a Sra. Lídia, e então ela foi convidada a ir receber o magnetismo na casa de uma magnetizadora experimentada, membro do grupo, e prontamente aceitou o convite.

   Logo no início da primeira sessão, que foi realizada no dia 08 de novembro de 2020, a Sra. Lídia sentiu a sua cabeça ser puxada para trás com vigor, e por mais que tentasse não conseguia mantê-la ereta. A magnetizadora, que também é médium, percebeu perto de ambas um Espírito mau, que tentava impedir a aplicação do magnetismo. Pediu então a Deus, com fervor, que o afastasse, e foi só depois que o Espírito se afastou que a Sra. Lídia conseguiu voltar sua cabeça na posição normal.

Observação: o magnetismo a que nos referimos é utilizado conforme ensina o Espiritismo aos médiuns curadores. Pela prece, o magnetizador pede a assistência dos bons Espíritos e coloca-se à disposição deles para ser útil àquele que sofre. Essa prática é gratuita, e os passes são aplicados apenas com as mãos, sem a utilização de qualquer outro objeto, e mesmo sem tocar fisicamente na pessoa.(Livro dos Médiuns, itens 175 e 176)

   Durante a semana, o magnetismo lhe foi aplicado à distância, às noites, sempre num horário combinado com antecedência. A Sra. Lídia relatou que no início da aplicação do magnetismo sentia sufocamento, mas logo em seguida aquela sensação passava. Todas as vezes que lhe aplicava o magnetismo, a magnetizadora percebia o Espírito mau, e sempre pedia a Deus que o afastasse.

Observação: a prece pode ser uma poderosa magnetização mental, e produz um efeito semelhante ao magnetismo aplicado sobre a pessoa presente.2

   No dia 14 de novembro de 2020, a Sra. Lídia foi outra vez pessoalmente receber o magnetismo; durante a magnetização teve a sua cabeça puxada com violência para trás, sentiu sufocamento e um enrijecimento total em seu corpo, ficando paralisada da cabeça aos pés. O Espírito notado ao seu lado era bastante endurecido e resistente ao apelo feito para que se afastasse, mas graças à assistência dos bons Espíritos ele acabava se afastando. Neste dia, só depois que o Espírito se afastou a Sra. Lídia conseguiu contar o que havia se passado com ela.

 

(Sessão do dia 19 de novembro de 2020.)

 

Observação: Se a medicina terrena não conseguira descobrir a causa das dores e dos mal-estares que acometiam a Sra. Lídia, era porque tal causa não poderia ser detectada pelos instrumentos disponíveis, nem pelos conhecimentos relativos ao corpo físico, sem levar em conta o Espírito nele encarnado.

 

Evocação dos Guias

 

   Os Guias do grupo foram evocados com objetivo de se obter instruções e orientações relativas ao caso da Sra. Lídia. Algumas perguntas foram preparadas com antecedência

   Ao aplicar magnetismo na Sra. Lídia, a magnetizadora percebeu junto dela um Espírito que parecia exercer certo domínio sobre ela, uma vez que a paralisa na hora das magnetizações e tenta intimidar a magnetizadora.

   1. Há de fato um Espírito que obsidia a Sra. Lídia? 
   2. Se sim, qual é a causa da obsessão? 
   3. O Espírito obsessor é suscetível de ser moralizado? 
   4. Ele poderia ser evocado pelo grupo?

   5. Pedimos vossos conselhos e orientações para bem nos conduzir sob vossa assistência.

   O grupo recebeu a seguinte comunicação:

   "Amigos, 

   Ouço o vosso chamado e venho trazer-vos esclarecimentos para que assim possam fazer o que o Espiritismo ensina. O Espírito que tem vínculos com a Sra. Lídia busca mantê-la sob seu domínio por julgá-la como uma de suas posses. Outrora ela lhe havia jurado amor eterno diante da Igreja, de Deus e de todos aqueles que presenciaram aquela união. Hoje esse Espírito se utiliza de todos os meios que conhece para não perdê-la. Ele poderá ser evocado, e nós vos auxiliaremos na sua moralização, pois é chegado o momento da libertação de ambas essas almas. Ele já se encontra em vosso meio, desejando ser ouvido, podeis evocá-lo e nós vos assistiremos."

Allan Kardec 

(Psicografada em 19 de novembro de 2020.)

 

"Revelando o fato das obsessões, [o Espiritismo] faz conhecer a causa, até aqui desconhecida, de numerosas afecções sobre as quais a Ciência se havia equivocado em detrimento dos doentes, e dá os meios de curá-los." Allan Kardec3

 

Primeira conversa

 

   Como nosso Presidente nos havia dito que o Espírito obsessor já estava em nosso meio, o que não é comum, pois os obsessores não querem ser descobertos, nós o evocamos em nome de Deus. O Espírito entra a falar, bastante irritado, nos seguintes termos:

   - Estão brincando com fogo! Não fazem ideia de onde estão enfiando a cara. Eu vim aqui só para dar um recado: não é a primeira vez que tentam me impedir. Mas eu tenho aqui, ó! Aqui, ó (mostra a mão esquerda cerrada, como se segurasse algo). Quero ver quem é que vai me tirá-la. E vou avisando: não se metam nisso, não se metam comigo!

   1. Nós queremos que cesse o seu sofrimento, pois sabemos que você sofre.
- Meu sofrimento? Ela é que vai sofrer, e já sofre. Eu puxo o cabresto aqui, ó!  (Ergue novamente a mão esquerda cerrada) Quero ver quem é que vai sofrer. Perguntem a ela, perguntem a ela agora, para ver... Eu estou avisando, não brinquem comigo!

Observação: O Espírito tenta intimidar o grupo ao insinuar que estaria agindo sobre sua vítima no mesmo momento em que era evocado. No entanto, somente depois é que, durante a noite, a Sra. Lídia passou muito mal, quase não dormiu, e no dia seguinte estava bastante cansada. Ela havia sido avisada que isso poderia acontecer assim que o Espírito que a obsidiava passasse a ser evocado, e antes de desistir da vingança.

   2. Quando nós o chamamos em nome de Deus, já é sinal de que não estamos de brincadeira. Nós só queremos aliviar o seu sofrimento, pois ninguém se aferra a fazer o que você vem fazendo, se não tiver uma dor pungente na alma.
   - Estão apelando para Deus... Falando em Deus.

   3. É em nome dele que nós o chamamos.
   - Não venham com essa conversa de Deus.

   4. Por que você não quer que falemos de Deus?
   - Meu acerto não é com Deus, é com uns e outros! Não metam Deus nesse negócio!

Observação: quando o Espírito fala que seu acerto é com uns e outros, chama-nos a atenção, pois até onde sabíamos ele buscava infelicitar a Sra. Lídia. Mais adiante essa história vai se esclarecer.

   5. Você sofre, senão não estaria buscando fazer outros sofrerem.
   - Eu não vou perder o meu tempo falando com vocês.

   6. Então por que veio logo no início da nossa sessão, sem ser chamado, e queria forçar o médium a falar antes de ouvir os nossos Guias, que havíamos evocado?
   - Vim para dar um recado. Parem de se meter nisso! Fiquem longe, bem longe, e aí vai ficar tudo certo. Por enquanto estou só avisando. Foi isso que vim fazer aqui.

Observação: assim que evocamos os Guias um dos médiuns foi envolvido pelo Espírito obsessor, que queria falar antes de tudo, mas como eram os Guias que desejávamos ouvir, ele teve que esperar. Isso deve tê-lo deixado ainda mais irritado. Vale notar que geralmente os Espíritos maus não gostam de ser evocados. Quando os chamamos eles se apresentam contrariados e dizem que são forçados a vir contra sua vontade. Essa questão é explicada pelo Sr. E. Quinemant, no artigo da Revista Espírita de junho de 1867 - Dissertações espíritas - O Magnetismo e o Espiritismo comparados.


   7. Como a Sra. Lídia veio nos pedir ajuda, como cristãos, não poderíamos negá-la. Assim que soubemos que você é parte do sofrimento dela, passamos a pedir a Deus por você, pois queremos vê-lo livre do sofrimento. Veja que não buscamos enfrentá-lo, nem desafiá-lo, apenas o descobrimos ao tentar auxiliá-la. Por isso não precisa armar-se contra nós.
   - Eu não pretendo usar a minha força contra vocês, mas se precisar vou usar. Ela foi e agora não vou deixá-la mais... Vou mostrar para vocês como ela vai ficar. Vocês vão entender o que eu vou fazer. Só vim aqui para dar esse recado.

   8. Você disse que "ela foi". Aonde ela foi?
   - Pedir socorro.

   9. Ah, sim. Você acha injusto que nós auxiliemos aqueles que nos pedem ajuda?
               - Eu acho que vocês não devem se meter em coisas que não conhecem, é isso que eu acho.

   10. É justamente por não conhecer as suas razões que nós o estamos ouvindo, tentando saber o que se passa. Se você nos contar as razões pelas quais sofre, quem sabe possamos auxiliar melhor.
   - Não tenho nada para falar com vocês, só dizer que saiam da minha frente. Não se metam nisso! (Fala isso com bastante ênfase e irritação).

   11. Fazê-la sofrer alivia o seu sofrimento?
   - Ela ainda não começou a sofrer, mas vai!

   12. Quanto tempo faz que você colocou o cabresto nela, como disse?
   - Faz tempo. E agora é hora de apertar, de apertar o nó, quero ver vocês arrancarem esse nó, não vão conseguir!

   13. Por que tanto ódio?
   - Vocês não sabem, por isso não se metam nisso!

   14. Você pode nos contar, e então saberemos.
   - Eu não quero. Eu vou embora e deixo aqui o meu recado: da próxima vez não vai ser tão simples assim, porque vocês podem não estar nessa mesma situação em que estão hoje aqui. (Refere-se à assistência dos bons Guias.)

   15. Deus está sempre conosco, com você, mesmo que o negue, está também com a sua vítima, com todos nós.
   - Vou embora daqui.

   16. Que Deus o abençoe, e alivie o seu sofrimento.

(Por psicofonia, em 19 de novembro de 2020.)

 

   No dia seguinte, o grupo se reuniu e evocou o Espírito obsessor da Sra. Lídia, mas um Espírito hipócrita comunicou-se tentando se passar por ele. Ao analisar o diálogo o grupo notou que não se tratava do mesmo Espírito. Perguntamos ao presidente espiritual do grupo curador, Allan Kardec, sobre a causa da intromissão daquele Espírito na comunicação, ele nos disse que o grupo não estava em completo recolhimento, e foi o que abriu espaço para a intromissão. Disse-nos ainda que deveríamos evitar qualquer vã curiosidade a respeito da história passada com o Espírito e a Sra. Lídia, e manter somente um desejo sincero de vê-los felizes.

 

Sessão do dia 21 de novembro de 2020

 

   Tivemos nesse dia a segunda conversa com o Espírito obsessor. Não vamos reproduzir aqui o diálogo, mas asseguramos que ele ainda estava bastante endurecido e obstinado em sua vingança.

 

Irineu, Espírito arrependido

 

   Nesta mesma sessão, após o diálogo com o Espírito obsessor, o mesmo médium que lhe servia de instrumento recebeu a seguinte comunicação espontânea:

   "Amigos,

   A justiça divina é implacável!

   Hoje esse Espírito sofre porque seu coração outrora foi massacrado pela traição, e isso foi motivo de grande ruína, não só para ele. Durante muito tempo nós, eu e essa que hoje ele persegue, amargamos as consequências daquele ato impensado; éramos duas almas desesperadas que não víamos outra saída, senão a fuga para longe das algemas desse que, àquela época, já se mostrava duro e até cruel. Pela primeira vez o coração dele havia sido realmente tocado, e ele a amou muito, mas sua possessão chegou ao ponto de confundi-la com um objeto que lhe pertencia, e isso se tornou para ela um verdadeiro martírio. Nós nos amávamos e não podíamos mais suportar aquela situação, então o ferimos, num ato impensado fomentado pelo egoísmo.

   Agora, que aquele passado se distanciou de nós, ainda temos o dever de ajudar esse Espírito que sofre, e buscar o seu perdão. Deus hoje nos concede a oportunidade. Somos devedores que queremos pagar a última parcela do débito, por isso temos rogado tanto a Deus, e ele nos ouviu.

   Pedimos, amigos, que nos ajudem a iluminar o coração desse pobre sofredor, e estaremos com vocês. Nós nos mostraremos a ele no momento certo, e sabemos que tudo retornará ao bom caminho."

Irineu, Espírito arrependido.

(Psicografada no dia 21 de novembro de 2020.)

 

Observação: mais adiante será revelado o grau de familiaridade desse Espírito com o obsessor da Sra. Lídia.

 

Sessão 22 de novembro de 2020

 

   Nesta sessão, antes de evocar o Espírito obsessor, pedimos conselhos e orientações aos Guias, inclusive se a aplicação do magnetismo deveria ser suspensa, a fim de evitar que o Espírito agisse sobre sua vítima da maneira como vinha fazendo.

   Recebemos a seguinte resposta:

   "Amigos, 

   Nossas orientações são para que suspendam temporariamente a magnetização sobre a Sra. Lídia. O Espírito se utiliza do momento em que ela recebe o magnetismo para intensificar seus ataques a ela. Isso acontece devido à grande simpatia fluídica que ele tem com ela, graças ao vínculo desenvolvido durante um longo período de aproximação. As preces pela Sra. Lídia irão fortalecê-la e, ao mesmo tempo, enfraquecer a ação do Espírito sobre ela. As orações que ela faz por si mesma e pelo Espírito obsessor serão de grande ajuda para ambos.

   Confiem e perseverem."

Albert

(Psicografada em 22 de novembro de 2020.)

 

Observação: a aplicação do magnetismo foi temporariamente suspensa, conforme a orientação recebida dos Guias.

 

Sessão do dia 27 de novembro de 2020

 

   Na sessão do dia 26 novamente um Espírito hipócrita tentou se passar pelo obsessor quando este foi evocado, mas descobrimos logo no início e pedimos que se retirasse. Evocamos novamente o Espírito obsessor, mas ele não se comunicou. 

   Nem sempre as curas de obsessões são fáceis, e os médiuns envolvidos nesse trabalho por vezes se ressentem das investidas do Espírito obsessor, e mesmo dos inimigos do Espiritismo que não querem ver seus irmãos felizes. O médium que servia de intérprete ao Espírito obsessor, bem como sua esposa, tiveram a noite do dia 26 para o 27 bastante tumultuada, quase não conseguiram dormir, mas nem por isso se desanimaram.

   Nesta sessão, antes de evocar o Espírito obsessor, o Presidente espiritual do grupo foi evocado para trazer-nos conselhos e orientações.

   Ao mesmo médium que tem servido de intérprete ao Espírito obsessor foi ditada a comunicação que se segue:

   "Amigos,

   As dificuldades que enfrentais devem ser sempre um motivo para insistirdes, porque o mérito do bem também está na razão da dificuldade superada. Deus tem o seu tempo e aguarda que essa alma perceba quão baixo desceu e o quanto sofre na ilusão de uma dominação cega. Ficai atentos às suas manobras, pois estais tratando com um Espírito mau, mas inteligente, e caracterizado pela persistência. Fazei com que ele veja que as leis de Deus são sábias e boas, e que o perdão é o remédio que agirá de maneira direta na chaga aberta em sua alma pelo orgulho disfarçado de dignidade. Ele perceberá a força da boa intenção e das preces que fazeis por ele, e não poderá alegar que não vos compadecestes pela sua dor. Deus quer que ele veja que apesar de causar dor ao próximo, ainda assim há quem lhe deseja todo o bem e toda felicidade. Rogamos a Deus a proteção a todos."

Allan Kardec 

(Psicografada em 27 de novembro de 2020.)

 

   Na mesma sessão, um Espírito, que não havíamos chamado, pediu para dizer algumas palavras. Eis o que falou:

   "Agradeço por me ouvirem.
   Há muito tempo peço a Deus que ouça o meu pedido e socorra essa alma que sofre por manter-se ligada a um passado infeliz. Ele sempre queria ter todos sob seu jugo, e eu buscava muitas vezes chamá-lo à razão, falar-lhe de Deus, buscando mostrar-lhe uma outra forma de agir, em que as pessoas o respeitassem por amá-lo e não por medo de reprimendas. No entanto, àquela época parecia que tudo o que eu falei não fez surgir em seu íntimo a vontade de ver o próximo de uma outra forma.
Hoje posso dizer que compreendi que ele era, como ainda é, muito infeliz. Queria que o olhassem com admiração, mesmo depois de terem sido punidos pelo seu açoite. Pedi a Deus muitas vezes por ele, a sós no meu quarto, quando era constrangida a ficar lá. Hoje, com o esclarecimento que tenho, peço a Deus que ele possa ser ajudado. Desejo que se livre dessa loucura que faz com que sofra, pois cada vez que ele faz sofrer a outrem, sente a dor em si mesmo. Então, amigos, posso chamá-los assim, porque é assim que os vejo, eu peço que perseverem. Eu me junto a vocês nas orações, pedindo por ele e também por ela.

   1. Poderia dizer-nos quem é você?
   - Fui filha dele. Chamo-me Angélica, e hoje busco ajudá-lo.

   2. Nós contamos com bons amigos, Espíritos superiores que nos ajudam também. Vamos perseverar até vê-lo livre dos açoites que desfere em si mesmo.
   - Eu agradeço. Agradeço a todos os que estão aqui, pois vejo ternura e bondade nos seus olhares e um desejo sincero de que ele retome a razão que um dia perdeu. Agora eu me despeço, mas não sem antes agradecer-lhes por se importarem com ele.

   3. Nós agradecemos a Deus, e ficamos felizes pela oportunidade de sermos úteis. 


(Por psicofonia, dia 28 de novembro de 2020.)

 

Sessão do dia 28 de novembro de 2020

 

   Na madrugada do dia 28, o médium que serve de intérprete ao Espírito obsessor, teve novamente uma noite bastante conturbada. Ao começar a emancipar-se pelo sono, sentia algo a confranger-lhe o pescoço, como querendo sufocá-lo. Todas as vezes que tentava dormir, sentia essa sensação, mas junto à sua esposa, que também é médium e membro do grupo curador, oravam a Deus por si mesmos e pelo Espírito sofredor que os assediava. A noite foi longa, eles quase não conseguiram dormir, mas ao clarear o dia ambos foram para o trabalho e, à noite, dedicaram-se com zelo ao grupo curador, servindo como médiuns.

I   niciamos a sessão desta noite pela evocação do presidente do grupo curador, Allan Kardec, para trazer-nos conselhos e orientações, e também para nos esclarecer se o Espírito que se comunicara na sessão anterior, dizendo chamar-se Angélica, era de fato quem dizia ser. Recebemos a seguinte comunicação:

   "Caros amigos,
   O Espírito que se apresentou na última sessão dizendo-lhes que foi filha do Espírito com o qual se ocupam, falou a verdade; ela foi para ele muito cara, ele a amava e zelava por ela, mesmo sendo da maneira bruta, e muitas vezes violenta, que ela lhes relatou, mas era a forma que ele tinha, e ainda tem, de expressar os seus sentimentos, seus tormentos e suas angústias.
   O seu nome é mesmo Angélica. Ela busca auxiliá-lo, roga a Deus por ele e deseja, como cristã, que ele saia desse tormento e volte seu pensamento ao Pai. Como ele não a vê, por só se ocupar com a vingança, pensa que ela também o abandonou. Será para ele uma grata surpresa saber que ela o segue e busca auxiliá-lo.
   No que diz respeito aos fenômenos vivenciados pelo médium do grupo durante a sua emancipação, trata-se da perseguição do Espírito com quem se ocupam; foi permitido para que este pudesse perceber que mesmo colocando um jugo no pescoço do médium e apertando até o limite, este rogava a Deus por ele; o Espírito pôde sentir em sua alma que lhe era oferecida a outra face, já que em outros tempos a sua simples presença causava repúdio e malquerença.
Sigam confiantes, amigos. Nós vos assistimos."

Allan Kardec

(Psicografada em 28 de novembro de 2020.)

 

   Evocamos o Espírito obsessor, e tivemos com ele uma longa conversa, mas vamos reproduzir aqui somente as partes necessárias para a compreensão do conjunto.

   Assim que foi evocado, o Espírito entra a falar:

   - O que querem?

   1. Você já sabe.

   - O que mais eu preciso fazer para vocês entenderem?

   2. Foi você que na noite passada perturbou alguns membros do grupo que o chama para lhe auxiliar?

   - Eu avisei vocês, então não podem se queixar.

   3. Não nos queixamos, mas perguntamos se quando nos agride alivia um pouco o seu sofrimento.

   - Não faço isso para aliviar o meu sentimento, faço para que vocês percebam aonde estão pisando.

   4. Então é inútil, porque se aliviasse o seu sofrimento valeria a pena sofrer os seus golpes; mas, se não alivia, é inútil, e enquanto você nos bate nós oramos a Deus pedindo que o socorra.

   - Eu não entendo, mas isso é um problema de vocês. Cada vez que se colocarem na minha frente vão se arrepender.

   5. Naquele tempo você teve frutos no casamento? Algum filho?

   - Sim.

   6. Onde eles estão hoje?

   - Não sei.

   7. Você os amava?

   - Eram meus filhos 

   8. Eles sofreram com o que aconteceu?

   - Todos sofremos.

   9. Você, como pai, buscou socorrê-los, aliviar um pouco o sofrimento deles?

   - Fiz o que pude. O que isso interessa? Querem saber agora detalhes da minha vida?

   10. Angélica, era o nome de uma de suas filhas?

   - Sim.

   11. Você a amava?

   - Era minha filha.

   12. Você a amava e ainda a ama?

   - Sim, eu a amava.

   13. Ainda a ama?

   - Sim, mas não sei onde ela está.

   14. Não vai perguntar como nós sabemos o nome da sua filha?

   - Vocês se metem em tudo, devem ter sabido de alguma forma, mas isso não me interessa.

   15. Já lhe passou pela cabeça que tem sido Angélica, sua graciosa filha, que o traz aqui? Aqui ela está, e foi ela quem nos falou a respeito do amor que sente por você e de quanto ela tem pedido a Deus pelo pai que ela lamenta ver sofrendo dessa forma.

   - Por que ela pede por mim?

   16. Porque o ama, vê o seu sofrimento e se compadece.

   - Então ela deve saber dos meus motivos, sabe porque agora preciso dar um sossego para minha alma... ela sabe, sabe bem dos motivos.

   17. Ela não passou pelo mesmo sofrimento? Não perdeu a mãe e o pai ao mesmo tempo?

   - Foi a mãe dela que fugiu dos seus compromissos, mas eu estava lá, tinha muitas coisas para fazer, para cuidar, para garantir que as coisas ficassem de pé.

   18. Nós entendemos o seu sofrimento e nos juntamos à sua filha, pedindo a Deus que cure sua ferida para que você possa voltar a abraçá-la. Ela tem estado aqui o tempo todo, e quando teve a oportunidade nos disse: ele é meu pai, e eu quero vê-lo feliz.

   - Se ela quer me ver feliz, deveria dizer a vocês que se ocupem com outras coisas, que me deixem seguir o meu caminho.

   19. Então peça isso a ela. Se foi ela que nos pediu para ajudá-lo, é ela que deve nos pedir para deixá-lo seguir esse seu caminho. Aproveite para ouvir o que ela tem a lhe dizer, pois não tem nada a perder.

   - Não sei o que vocês fazem. Não sei como sabem disso.

   20. Foi ela que nos contou, acredite.

   - Querem me confundir, pois bem.

   21. Não consegue ouvir a voz da Angélica? Ainda lembra da voz dela?

   - Deve haver um abismo entre nós, porque ela sabe que fui apunhalado e conhece os meus motivos. Então não tem sentido ela pedir a vocês que digam a mim que desista de tudo.

   22. Só não dizemos que desista de ser feliz. Pensa que seria justo da parte dela abandonar o próprio pai, só porque ele perdeu a razão? Não há um abismo entre vocês, há apenas um passo. Acredite.

   - Vou embora, e não achem que as coisas vão continuar assim, não vão.

   23. Permita-se pelo menos conversar com sua filha.

(Por psicofonia, em 28 de novembro de 2020.)

 

   Após a comunicação com o Espírito obsessor, Angélica ditou algumas palavras a fim de serem lidas para ele no dia seguinte.

 

Bilhete de Angélica ao seu pai

 

   "O abismo que o senhor diz existir entre nós, meu pai, foi o senhor que colocou. Nenhum motivo é grande o suficiente para mantê-lo nesse sofrimento, que só do senhor depende fazer cessar. Pai, a primeira vez que o senhor me segurou nos braços eu me senti segura, senti a força que o senhor tinha na alma. Hoje venho dizer-lhe que a sua força e sua determinação foram direcionadas para um caminho equivocado. Aquilo por que passamos outrora era uma oportunidade de reconciliação com Deus. Precisávamos aprender a perdoar e desenvolver em todos nós melhores sentimentos. Quero dizer, pai, que antes daquele episódio vivemos outras vidas, e erramos muito. Se o senhor se permitir, e pedir a Deus que lhe mostre, verá que naquele momento não havia vítimas, mas Espíritos que erraram e pediram uma nova chance para reparar as faltas e seguir mais felizes.

   Eu sofri muitas vezes, e o senhor sabe, mas mantive o meu propósito de mudar os meus sentimentos e me aproximar de Jesus e de Deus. Não deixei que o orgulho retomasse as rédeas de minha vida, pois eu estava cansada de tanta violência, de tanto sofrimento.

   Sabe, pai, nós precisamos aprender que as coisas não se resolvem com violência, como o burro chucro que tem que sofrer na espora e na chibata para se acalmar. Hoje Deus lhe deu mais uma oportunidade para escolher o bom caminho. Eu lhe peço que aceite, pai, e eu vou ajudar o senhor. Veja quanto tempo já se passou! É preciso deixar o passado, ajoelhar-se, olhar para o alto e pedir perdão a Deus, de todo coração. Chega de sofrimento, pai, vamos viver uma vida nova, mais justa, mais fiel ao nosso Criador.

   Eu lhe estendo a mão. Vamos construir uma vida mais feliz, pai?

   Sou eu,

Angélica."

(Psicografada em 28 de novembro de 2020.)

 

   Evocamos novamente o pai da Angélica na sessão seguinte e lemos para ele o bilhete que o Espírito de sua filha lhe havia escrito. Contaremos, no próximo artigo, o desfecho dessa história tão tocante. A Sra. Lídia teve a oportunidade de participar de uma das sessões e pôde conversar com os Espíritos daqueles que foram seus familiares num passado distante.

   Não dá para negar que o Espiritismo prático é o Consolador enviado pelo Espírito de Verdade para clarear o caminho e reconduzir os filhos de Deus ao regaço do Pai. Eis algumas de suas próprias palavras:

   "Venho, como outrora, entre os filhos transviados de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como outrora a minha palavra, deve lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a doutrina divinal. Como um ceifeiro, reuni em feixes o bem esparso na Humanidade e disse: "Vinde a mim, todos vós que sofreis." (...)

   Sinto-me por demais tomado de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa fraqueza imensa, para deixar de estender mão socorredora aos infelizes transviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Crede, amai, meditai sobre as coisas que vos são reveladas; não mistureis o joio com a boa semente, as utopias com as verdades.

   "Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: "Irmãos! nada perece. Jesus-Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade." - O Espírito de Verdade. (Paris, 1860.)4

__________

1 Esse nome é fictício para evitar qualquer constrangimento a ela mesma e à sua família.

2 Veja-se: Revista Espírita, fevereiro de 1864 - Variedades - Cura de uma obsessão, e Revista Espírita, julho de 1867 - A lei e os médiuns curadores.

3 Revista Espírita, agosto de 1865 - O que ensina o Espiritismo, 8º.

4 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI - O Cristo consolador - Instruções dos Espíritos - Advento do Espírito de Verdade, item 5.

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Mediunidade III - O que se pode obter da comunicação com os Espíritos
Mediunidade IV - Sobre a nossa saúde física e psíquica
Obsessão causada pelo espírito de disputa, curada pelo amor.
O maior obstáculo ao progresso dos grupos espíritas é o egoísmo
"Eu não mexo com quem está quieto."
Cura de obsessão motivada por suposta violação de um código de honra
Cura de obsessão sofrida por um menino autista
Obsessão curada graças ao Espiritismo
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