O ESTUDO COMO FORTALEZA
"Assim, pois, meus amigos, tendes que vos defender, não somente contra os ataques e as calúnias de vossos adversários vivos, mas também contra as manobras ainda mais perigosas dos adversários da erraticidade. Fortalecei-vos, pois, em estudos sãos1, e sobretudo pela prática do amor e da caridade, e retemperai-vos na prece. Deus sempre ilumina os que se consagram à propagação da verdade, quando agem de boa-fé e desprovidos de toda ambição pessoal." Erasto 2
Um médium estudava, na intimidade, a dissertação de Erasto sobre "Os conflitos". Ao ler a passagem colocada acima como epígrafe, teve dúvida e, para esclarecer-se, fez a seguinte pergunta ao seu Anjo guardião:
1. Por que devemos buscar nos estudos sãos a força para resistir aos ataques dos adversários vivos ou mortos?
Obteve a seguinte resposta:
"Inicialmente, pensa que, ao recomendar que se busque o fortalecimento em estudos sãos, não se está sugerindo uma estratégia de combate, instigando uma batalha intelectual em que vencerá quem tiver melhores argumentos; esse é um primeiro e importante ponto a ser considerado.
Mas, então, por que se recomendam os estudos sãos?
Por um lado, para que se tenha melhores condições de defesa, pela força dada à razão e ao entendimento, e pelo afastamento da fraqueza que é fruto da ignorância; por outro, para que se persuada o adversário revidando-o com bons exemplos, pela sabedoria que a fé inabalável promove naquele que sabe utilizar-se dos recursos que o Criador lhe concede.
Aquele que tem sabedoria, isto é, o conhecimento e a prática do bem, além de não sofrer por bagatelas, ainda tem a oportunidade de ensinar ao agressor o amor pelos inimigos, ponto alto da caridade, e assim colocar-se numa posição invulnerável aos ataques. Tem-se assim a força para demonstrar que o verdadeiro poder é o do bem e não o do mal, como se tem pretendido ao longo das eras. Pagar o mal com o bem é a única maneira de mostrar a ineficiência do mal para a conquista da felicidade.
Ademais, a ignorância é poderoso obstáculo à felicidade porque é contrária e oposta à unidade divina.3 Se a razão é o archote da alma, aquele que tem boa luz poderá ver os melhores meios não só para enfrentar as adversidades, mas para bem se conduzir e, quiçá, iluminar o caminho por onde muitos ainda seguem tateando no escuro.
Razão e entendimento são as faculdades da alma que representam a clareza e a ordem: a razão ilumina, o entendimento organiza e dispõe na boa ordem todas as ideias, todos os sentimentos e emoções que, auxiliados pela boa vontade, tornam o homem sábio e mais próximo da felicidade verdadeira.
Assim, o estudo aconselhado pelos bons Espíritos é o mesmo que o Espírito de Verdade recomenda: 'Amais-vos e instruí-vos.' A instrução dá os meios, o amor lhes dá a boa utilização, por ser de acordo com a unidade divina. Nesse mundo imperfeito, as guerras engendram o progresso intelectual e estimulam o desenvolvimento das tecnologias que favorecem a instrução. No campo moral, as perseguições criam possibilidades de impulsionar o homem ao desenvolvimento intelectual e moral, em batalhas silenciosas, entregues à consciência do guerreiro que luta com seus fantasmas interiores: preconceitos, medos, paixões desenfreadas, vícios, que são os mais terríveis inimigos da sua paz e da sua felicidade. Portanto, cabe a ele, e somente a ele, derrotá-los, a fim de tornar-se completamente inatingível e, por isso mesmo, mais livre e feliz.
Observa que além dos estudos sãos [saines] que Erasto recomenda como meio prático de defesa contra os adversários, ele acrescenta: 'e sobretudo pela prática do amor e da caridade, e retemperai-vos na prece.'
Eis, por ora, a nossa contribuição sobre o tema que, se quiseres, poderemos continuar estudando.
Anjo guardião
(Psicografada em 12 de junho de 2017.)
Nota do médium: "A principal faculdade da alma, aquela que constitui o fundo de sua essência, e é como a sua luz, é o entendimento. Podemos defini-lo como a faculdade ou a potência da alma pela qual ela percebe as coisas e forma com elas ideias para chegar ao conhecimento da verdade." (J. J. Burlamaqui)4
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1 A palavra utilizada no francês é saines, que parece significar, no texto citado: "de maneira correta no plano intelectual ou moral." (Le Petit Robert.)
2 Revista Espírita, dezembro de 1863 - Instrução dos Espíritos - Os conflitos.
3 O Livro dos Espíritos - Parte Quarta - Das esperanças e consolações, cap. II - Das penas e gozos futuros - Duração das penas futuras, item 1009 - dissertação de Paulo, Apóstolo.
4 Principes du Droit Naturel, Chap. I. De la nature de l'homme, etc., § VI. L'Entendement : ce que c'est que la VERITÉ. Paris, 1791. Por J. J. Burlamaqui, professor de direito natural em Genebra. (Princípios do Direito Natural, cap. I. Da natureza do homem.)

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