Cura de depressão causada por uma obsessão
O Sr. C., homem de quase cinquenta anos, era casado, trabalhador dedicado em sua profissão na área de engenharia, mas há vários anos havia abandonado a esposa, a profissão, e tudo o mais, vencido por uma forte depressão. Seu quadro depressivo agravava-se a cada dia, apesar de estar sob tratamento psiquiátrico e psicológico há mais de uma década. Quando os recursos médicos tradicionais se haviam esgotado em vãos esforços para curar a depressão, seu psiquiatra recomendou a eletroconvulsoterapia como última tentativa de retirá-lo da triste situação em que se encontrava.
Foi nesse período que conhecemos o pai do Sr. C., digno senhor de quase oitenta anos, viúvo, com quem o filho morava. Por uma aparente coincidência, vimos aquele senhor andando na rua, como costumava fazer todas as tardes, e percebemos que seu rosto expressava profunda tristeza. Resolvemos puxar conversa. Foi então que soubemos seu nome, onde morava, e que seu filho passava os dias e as noites fechado no quarto, a maior parte do tempo chorando. Perguntamos se poderíamos fazer-lhes uma visita, e o senhor nos disse que sim. No dia seguinte fomos vê-los. Só depois da insistência do pai, o Sr. C. saiu do seu quarto e veio nos ver. Seu estado era deplorável. Tinha todos os aspectos da loucura. Cabelos desgrenhados, olhos inchados, vermelhidão por todo o rosto, e bastante assustado. Apesar de seu estado, dava para perceber ali um homem bem educado, gentil e amável. Sua maior tortura era um atroz sentimento de culpa por não ter, segundo sua imaginação, dado a devida atenção à sua mãe, quando viva. A culpa o atormentava a tal ponto que ele repetia incessantemente que não havia nenhum jeito de melhorar as coisas, pois tudo estava perdido. Não havia possibilidade de estabelecer com ele um diálogo, pois sua razão estava desarranjada. Seu estado depressivo piorou significativamente depois da morte de sua mãe, fazia cerca de dois anos.
Na noite daquele mesmo dia tínhamos nossa reunião espírita ordinária, então fizemos um breve relato do caso e consultamos a respeito o nosso presidente espiritual, Santo Agostinho, a fim de saber se poderíamos auxiliar o Sr. C. com os recursos que o Espiritismo e o Magnetismo nos oferecem. No início da sessão oramos pelo Sr. C. e pela sua família, e em seguida comunicou-se espontaneamente um Espírito, muito irritado, que não quis dizer seu nome. Eis o que ele escreveu:
- Caminho sem rumo... Faço-o sofrer por uma culpa que ele não tem, para que sinta na carne o que no passado fez sofrer aos que não tinham culpa. Olho por olho, dente por dente: é a lei.
1. E você, é feliz?
- Sou feliz na vingança, essa é a minha felicidade. Louco há de ficar, quem a loucura causou.
2. Quer nos dizer seu nome?
- Sou um José qualquer, que acham que não tem sentimento.
(Psicografada em 21 de fevereiro de 2011.)
Passamos a fazer preces todos os dias pelo Sr. C. e pelo Espírito que se comunicara nesse dia, pois sabemos "em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso auxiliar para agir contra o Espírito obsessor."1
No dia 9 de março evocamos nossos Guias para obter orientações, com intuito de, se possível, sermos úteis ao Sr. C. e ao Espírito obsessor.
- Eis-me aqui.
1. Quem nos fala?
- Erasto. Vim em nome de Deus.
2. Desejamos suas orientações sobre o Sr. C.
- Além dos recursos que conheceis, isto é, auxiliá-lo com vossas preces e enviar-lhe bons fluidos, de modo a livrá-lo da carga peçonhenta, malfazeja que o envolve, orar também pelo Espírito que o obsidia e evocá-lo. Podeis chamar também, conforme já vos temos inspirado, o Espírito da mãe do Sr. C.
3. Ela está em condições de falar com seus familiares vivos?
- Não de falar com eles, mas temos esperança de que rapidamente ela se livrará da perturbação pós-morte e poderá conversar com seu filho, quando ele se emancipar pelo sono, a fim de ajudá-lo a livrar-se da culpa que ele carrega na alma. Isso diminuirá um pouco o acesso que tem sobre ele o Espírito que o persegue; ambos necessitam de ajuda.
Erasto
(Por psicofonia, em 9 de março de 2011.)
Sessão familiar, 10 de março de 2011
Na tarde desse mesmo dia, seguindo os conselhos de Erasto, evocamos o Espírito obsessor.
Evocação.
- Eu não obedeço ordens, não adianta. Mas não sei o que vocês usam para me obrigar a vir...
1. A força que o arrasta para o nosso meio vem do nosso bom Deus, que quer ver você feliz.
- Vocês não me enganam. Já sei, vocês querem que eu pare. Sabem quando eu vou parar? Quando ele estiver louco. Eu quero que ele fique louco!
2. Deus quer que você não seja ainda mais infeliz. É a misericórdia do Pai que lhe oferece a oportunidade de, por livre vontade, desistir dessa vingança e ter o mérito de parar com essa loucura.
- Eu não quero... não quero. Eu não quero! Se eu tenho liberdade, decido que não quero parar. Quero justiça! É só justiça que eu quero!
Observação: os Espíritos obsessores geralmente julgam-se livres, mas não percebem que estão sob o jugo do ódio, que é seu mais cruel tirano.
3. Você sabe que, quando Deus ou os bons Espíritos quiserem, farão cessar toda a sua ação sobre sua vítima. Mas Deus, que é bom, quer que você mesmo tome essa decisão. É uma mora que lhe concede.
- Se Deus é justo, sabe que é preciso fazer justiça a qualquer custo, a qualquer custo...
4. Até mesmo ao preço da sua desgraça?
- Da minha? Não há desgraça que possa ser pior. Não há dor neste mundo, nem em qualquer lugar - e olha que eu já estive em alguns lugares -, que seja pior, e eu farei com que ele sinta um pouco, e digo um pouco, uma parcela pequena, mas bem merecida, de sofrimento, aí terei um pouco de paz... um pouco.
5. Você se engana. Se persistir nessa loucura, não terá paz, porque a sua consciência vai acusá-lo.
- E a dele? A dele estava tão tranquila... Via-o antes, tão feliz, e eu o lembrei, eu só lembrei o desgraçado. (Ao dizer isso, o Espírito bate na mesa com força.)
6. Você disse-nos que sofreu. E se o que você considera justiça é "olho por olho, dente por dente", então é porque alguma vez você também foi um injusto, não lhe parece?
- Vocês não sabem de nada. Ele agora está pedindo por compaixão, e eu estou aqui só perdendo meu tempo.
7. Só queremos que você use a razão. Não precisa nos dizer absolutamente nada do que aconteceu. Estamos tomando suas próprias palavras para que reflita sobre o que faz.
- Por que não tem uma Bíblia sobre esta mesa!? (O Espírito está visivelmente contrariado e, de punho cerrado, bate outra vez na mesa.)
8. Por que você gostaria que tivéssemos uma Bíblia?
- Porque o que fazem não é em nome de Deus!
9. Você foi padre?
- Hereges! Vocês são os hereges.
10. Nosso presidente espiritual é Santo Agostinho, um dos pais da Igreja, e estamos sob a assistência dele.
- Os pais da Igreja não estariam aqui. Vocês não têm nada em nome de Deus aqui. Hereges! Estão fora da casa de Deus.
11. Onde é a casa de Deus?
- Ah! É o templo sagrado.
12. Volva seu olhar para o nosso amigo e mestre Jesus, e peça a ele que alivie seu sofrimento.
- Como ousa falar de Jesus?! Por que o evoca? Bem que ele disse que conheceriam a palavra, mas que seriam falsos. Vocês conhecem as palavras, mas são falsos.
13. Jesus rogou a Deus que perdoasse seus algozes. Se você é cristão, pedimos que observe se suas atitudes estão coerentes com as de um cristão.
- Agora eu colocarei cada coisa no seu lugar! Em nome de Deus farei justiça.
Observação: é interessante notar que, quando não se tem argumentos lógicos para contrapor a uma ideia justa, busca-se gritar com veemência palavras de ordem. É o que faz o Espírito, como querendo calar a própria consciência.
14. Poderia dizer-nos o seu nome?
- Não direi! Vocês são hereges. Não direi aos demônios. Afastem-se. Afastem-se.
15. Se continuar assim, será ainda mais infeliz. Desejamos ajudá-lo, e rogaremos ao Pai para que alivie o seu coração, que retire dele esse espinho que o fere, e ele o fará porque é Pai. Vamos orar juntos?
- Eu não oro com os demônios.
16. Então ore sozinho, e ore também por nós. Se você é padre não pode negar-se ao pedido de oração de um filho de Deus, porque seus votos são de fidelidade ao Pai.
- Vocês aqui me enfraquecem... Rezarei por vossas almas perdidas para que não ardam mais no fogo do inferno, porque se voltam só podem estar lá.
Observação: O Espírito se retirou, e nós oramos com fervor pedindo a Deus que aliviasse o sofrimento desse nosso irmão.
(Por psicofonia, em 10 de março de 2011.)
O Espírito do ex-padre foi evocado mais algumas vezes com objetivo de levá-lo a desistir da vingança. Nos primeiros diálogos ele se mostrava resistente a qualquer argumento, mas as preces de todos os membros do grupo e a intervenção do bons Espíritos, acabaram por dar bons resultados. Não reproduziremos aqui os primeiros diálogos inteiros pois em nada eles acrescentariam. Colocaremos apenas as partes que julgamos mais relevantes do caso, com intuito de mostrar o quanto se pode aprender sobre a justiça divina nas conversas com Espíritos imperfeitos, sob a assistência dos bons Espíritos.
Sessão do dia 19 de março de 2011
Evocação do Espírito obsessor.
- Insistentes! Com que direito fazem isso, criaturas?
1. Queremos saber suas notícias.
- Vocês perturbam os meus dias, a minha ação, os meus propósitos. Por que fazem isso?
2. Sabemos que o seu coração está em chamas, e conhecemos o remédio que há de aliviá-lo. É nosso dever de cristãos buscar aliviar a dor daqueles que sofrem. Não foi isso que Jesus ensinou? Foi também ele que nos ensinou a bela Oração Dominical, vulgarmente chamada de "Pai Nosso". Lembra-se?
- Sim, fazia essa prece de joelhos.
3. Deus se compadece da sua dor e envia esses bons Espíritos para socorrê-lo. Não jogue fora essa oportunidade tão importante para a sua felicidade.
- Não é a minha felicidade que querem. Vocês querem que eu o deixe. Mas não o farei, não é justo. Como ele pagará pelo que fez?
4. Pergunte a esse Anjo bom que nos assiste e lhe observa com olhos de ternura. Ele sabe mais do que nós e saberá lhe responder. Ouça-o.
Depois de alguns instantes de silêncio, o Espírito fala:
- Ele me diz que o amor cobre a multidão dos pecados, mas o que faz ele para merecer uma gota de amor? O que faz ele agora? Não pode ser... Eu não consigo amá-lo, não poderei fazê-lo! Eu não consigo deixar de pensar na dor que invade a minha alma. Não consigo... Os santos nos livrarão, mas não há perdão para os injustos, não há!
5. Deus não quer a morte do ímpio, mas quer que ele se converta e viva.
- Se eu o deixo, deixo de ter honra! Deixo de cumprir os desígnios de Deus, que é levar os pecadores aos tribunais.
6. Na consciência de cada um estão inscritas as leis Divinas, e ninguém pode fugir desse tribunal. Se você confia em Deus, sabe que nada, nenhuma infração das Suas leis passa impune.
- Oh, Deus!... Como pode!? Oh, Deus! Se eu deixá-lo vocês verão quem ele é. Eu ainda acho que não se fará justiça...
7. Mas consente em deixá-lo? Nós lhe pedimos em nome de Deus, e pedimos que confie em Deus.
- Eu sei que chamam em sua proteção esse, diante do qual me curvo sem poder fazer nada.2 Diante dele eu empenho aqui a minha palavra que o deixarei por um tempo. Mas, se ele não fizer o que vocês dizem que fará, não titubearei, nem perante este, diante de cuja presença me inclino, e farei justiça à minha maneira.
9. Nós gostaríamos de saber seu nome. Você gostaria de nos dizer?
- Pouco importa isso. Não vejo sentido, mas se fazem tanta questão de terem um nome, podem me chamar de Félix.
(Por psicofonia, em 19 de março de 2011.)
Observação: Como morávamos perto da casa onde o Sr. C. residia com o pai dele, desde que tivemos conhecimento da sua situação íamos visitá-lo alguns dias na semana e o convidávamos para dar uma volta pelas ruas arborizadas das cercanias. Não fossem esses breves passeios, a maior parte do tempo do Sr. C. ficava na cama, sempre aos prantos. Embora tivéssemos tentado, insistentemente, falar sobre outros assuntos, as mesmas frases de desesperança eram repetidas por ele como se fossem uma gravação. No dia seguinte a este diálogo, em que Félix disse que o deixaria por um tempo, em nosso passeio habitual o Sr. C. observou as árvores, por sob as quais passava sempre de olhos turvados de lágrimas, e comentou algo sobre o pH da terra, sobre alguns dados técnicos da sua especialidade profissional. Uma grande alegria nos invadiu a alma ao constatarmos que Félix havia cumprido a sua promessa, e que era mesmo a sua má influência que se exercia sobre o Sr. C. Cessada a influência, observou-se um primeiro bom resultado. Esse passo foi para o grupo um grande encorajamento para perseverar na cura completa dessa obsessão.
Embora Félix tivesse dado um tempo na vingança que exercia sobre o Sr. C., ele ainda precisava perdoá-lo e arrepender-se para que cessassem suas angústias. Por isso o chamamos ainda algumas vezes para dar-lhe encorajamentos nesse sentido. Lemos sobre perdão das ofensas, itens 14 e 15, do cap. X de O Evangelho segundo o Espiritismo - Bem-aventurados os que são misericordiosos - Instruções dos Espíritos.
Em seguida tivemos com ele a seguinte conversa:
1. Você estava aqui quando lemos sobre o perdão?
- Sim.
2. Não lhe parecem justas as palavras de Paulo, apóstolo, e de Simeão, a respeito da necessidade de perdoar as ofensas?
- Sim, mas o perdão que eles preconizam parece exigir um esforço sobre-humano. Não parece ser algo dentro de uma possibilidade, eu diria, racional. Não consigo compreender.
3. Se você considerar que existe uma diferença bem grande entre justiça e vingança, compreenderá. Deus, que ama todos os seus filhos, quer que o pecador se arrependa e tome o bom caminho. Ademais, como ensinou Jesus, nós seremos perdoados conforme perdoarmos nossos inimigos.
- No entanto, uma chaga que arde em brasa não se fecha por um esquecimento ou o perdão simplesmente, pois a dor não cessa. Uma chaga aberta faz com que lembremos a todo instante de quem foi o causador da ferida que não cicatriza.
4. O que nós desejamos, e que temos pedido a Jesus, é que ele cure essa sua ferida, que lhe ajude a retirar da alma esse amargor. Se você desejar, e pedir sinceramente, ele o ajudará, a ferida cicatrizará e você será feliz.
- Eu sei que alguns me censuram e me acusam, mas eu sofro... eu sofro...
5. Nós não o censuramos. Sabemos da sua dor e desejamos que tenha fim. Sente-se bem em nosso meio?
- Sim, sim, mas são outros que me censuram.
6. Em nosso último encontro você disse ter visto em nosso meio um dos nossos Guias que você respeita.
- Sim, eu vi. Ele está aqui agora e me aconselha.
7. Nós rogaremos todos os dias por você, como temos feito. Se desejar conhecer um pouco mais sobre as leis de Deus, ensinadas pelo Espiritismo, poderá vir sempre estudar conosco e aprender com os bons Espíritos.
- Eu os acompanharei por algum tempo para ouvir sobre o que estudam.
(Por psicofonia, em 25 de março de 2011.)
Sessão do dia 03 de abril de 2011.
Nota: Assim que Félix foi evocado, seu Espírito foi percebido pelo evocador. Tinha a aparência de um jovem sorridente, de cabelos lisos, castanhos claros, vestido em hábito de padre.
- Estou aqui, e digo que não é fácil sair da situação em que me encontro.
1. Você poderá buscar o auxílio de Jesus, que disse: "Vinde a mim todos vós que sofreis e estais sobrecarregados, e eu vos aliviarei." Peça a Jesus com sinceridade: Senhor, ajuda-me a tomar a minha cruz, a negar a mim mesmo e a seguir-te.
- Por que ele não me deu clareza e razão enquanto eu buscava edificar a sua Igreja? Deixou que o lobo se infiltrasse no rebanho e destroçasse aqueles que tinham fé...
2. É preciso fazer como Jesus fez, e perdoar os inimigos.
- É tão difícil... a insegurança, os sentimentos tristes me brotam à flor da pele.
3. São apenas lembranças infelizes, e lembranças são pensamentos que podem ser mudados com uma vontade firme.
- São lembranças que me consomem a alma...
4. Tente buscar na memória as boas lembranças. Recorda do moço vigoroso e cheio de sonhos que foi você no passado. (Foi dito isso com base na imagem vista no início da sessão.)
- Ah, eu me perdi! Eu me perdi... tinha tantos sonhos... guardava os sonhos da mocidade... Desejava mesmo entregar-me ao Cristo. Onde me perdi, Deus? Não há mais aquele moço.
5. O Cristo também disse: toma a charrua e não olha mais para trás.
- Se vocês ainda desejam ocupar-se comigo, continuem a orar por mim e também por aquele que vocês assistem, porque eu não consigo ter nenhum sentimento por ele que não seja de revolta e ódio.
Observação: embora Félix tenha mantido a sua palavra de cessar a vingança, ainda guardava a mágoa do passado por não compreender a justiça divina.
6. Você se lembra de alguém a quem amou? Um pai, uma mãe, um irmão, um filho, um amigo?
- Sim, lembro.
7. E este alguém está no mundo dos Espíritos?
- Creio que sim, mas não o vejo.
8. Então peça a Deus para que o aproxime dessa alma de quem se lembrou. Deseja fazer agora a Oração Dominical conosco?
- Tenho o coração tão amargo... não consigo nem orar.
Observação: Dissemos em favor de Félix a Oração Dominical, e ele acompanhou em silêncio.
9. Nós continuaremos a orar por você, como temos feito. Receba o nosso abraço carinhoso.
- Vou continuar a manter a minha palavra. Toda vez que venho aqui - e o confesso mesmo que contrariado - tiro um pouco do peso de minha alma. Se desejam continuar a ocupar-se de mim, eu agradeço.
(Por psicofonia, em 03 de abril de 2011.)
Após o diálogo com Félix, recebemos as seguintes comunicações:
"Em meio a um deserto de sofrimento já brilha uma centelha que aquece e traz vida àquele que, cansado de sofrer, busca refazer-se na fonte viva a fim de iniciar uma nova caminhada, com passos mais firmes na direção da verdadeira felicidade.
A fonte representa os ensinos de Jesus que, por muito amar, ainda envolve com seu olhar de ternura os sofredores desse mundo, pois os tem por filhos prediletos. Os doentes da alma que buscarem consolo encontrarão a fonte que os dessedentará, fortalecendo-os para que, livres do passado infeliz, possam seguir as pegadas do Mestre. Que Deus fortaleça a todos os que, de boa vontade, buscam o caminho da regeneração."
Um Anjo guardião
"Assistir aqueles que sofrem e caminham cumulados de dor e de mágoas, é para vós a oportunidade de colocar em prática o que ensina o Espiritismo, que tem como bandeira a caridade. O mundo está repleto de sofrimentos, e vós mesmos tantas vezes vos contais entre os que sofrem, mas nunca estais abandonados: sempre há alguém a velar por vós. Com essa certeza, devereis ser sempre gratos a Deus e buscar dar a vossa cota de trabalho desinteressado em prol daqueles que ainda não se deram conta da misericórdia divina. São muitos os corações que se debatem em sofrimento; nós nos compadecemos dessas almas, e contamos com homens que, na Terra, estendam mãos amigas para que possamos, no serviço mútuo, aliviar o amargor dos que habitam esse vale de lágrimas, e inspirar a eles a fé e a esperança de um futuro feliz."
Espírito Protetor
(Psicografadas em 03 de abril de 2011.)
Sessão do dia 28 de abril de 2011
Evocação do Espírito Félix.
- Aqui estou.
1. Quem nos fala?
- Félix
2. Está mais feliz?
- Ainda infeliz.
3. Tem conseguido superar um pouco mais as dificuldades?
- Sim. Ainda luto com as minhas emoções que me perturbam bastante, mas tenho me esforçado. Enquanto eu tinha um propósito, e me fixava só nele, parece que não sentia essas coisas que agora me perturbam tanto a alma, porque agora desejo um pouco de paz e de descanso, e tem sido difícil.
4. O que mais o perturba?
- As lembranças... As lembranças...
5. Você não tem lembranças felizes para trazer à memória?
- Tenho pensado.
6. Nós conseguimos sobrepor lembranças tristes por outras mais felizes, e, certamente, você as tem. Ao longo da sua trajetória como Espírito imortal, deve ter tido muitos bons momentos.
- Mas as lembranças que me vêm ainda não são boas, e aí sinto desejo de prejudicar aquele que as provocou; essa situação agora me perturba, e ainda o perturbam também. Ao mesmo tempo, vem o conflito, pois quero buscar um outro caminho, e o bom Espírito que prometeu me assistir olha-me e me diz que eu devo ter forças para lutar e mudar, mas confesso que tem sido difícil... muito difícil.3 O que me dá forças são as preces que fazem por mim, e que agora ouço de bom grado.
7. Como você nos disse anteriormente, houve alguém no passado a quem você respeitava. Poderia nos dizer de quem se trata?
- Mas ele está tão afastado de meus pensamentos, tão longe. É um amigo caro, de quem eu lembrava todo o tempo no passado.
8. Qual era o assunto que mais os aproximava?
- Eram assuntos da mocidade, tínhamos sonhos, fazíamos planos juntos. Não sei onde ele está agora. Nós nos perdemos, eu acho, nos distanciamos pelo caminho.
9. Pergunte a Santo Agostinho, que nos assiste, onde está o seu amigo, e se é possível chamá-lo.
- Ele diz que é possível, mas não sei como. Perdemos o contato.
10. Pergunte a ele.
- Devo orar a Deus, ele diz.
11. A mesma lei que permite que você venha quando o chamamos, também permitirá que o seu amigo venha, basta chamá-lo em nome de Deus.
- Seria muito bom revê-lo. Tínhamos tantas coisas em comum, tantos sonhos, planejávamos tantas coisas juntos. De repente, não o vejo mais. Não vejo mais aqueles que faziam parte de uma boa época da minha vida.
12. E no entanto eles vivem, Félix, são imortais como você. Eles estão por aí, nas moradas da casa de nosso Pai, encarnados ou desencarnados, e você poderá reviver os bons momentos, traçar novos planos.
- Os planos ficaram longe, tão longe, meu Deus! Os últimos planos que fiz foram sempre de vingança, forjados pelo ódio, pelo rancor.
13. Quem pode fazer o mal, pode também fazer o bem e ser feliz, e ainda terá a ajuda de Deus. Podemos juntos pedir a Deus que lhe permita aproximar-se do seu amigo. Temos certeza que se pedirmos com o coração, Deus nos atenderá. Como é o nome do seu amigo?
- Marcos.
14. Nós pediremos a Deus que permita que o Marcos se apresente a você, Félix. A oração é uma forma de se aproximar do seu amigo.
- Eu desejo. Sei que ele não me negaria um momento de atenção, que talvez seja de desabafo.
15. Nós desejamos que você se sinta como membro da nossa família, deste grupo composto por Espíritos e homens. Desejamos sinceramente que você seja feliz.
- Peço que continuem a orar por mim, a fim de que eu tenha forças e não enlouqueça.
16. Nosso querido amigo e Guia Santo Agostinho, em um de seus belos textos diz que a prece aplaca o calor excessivo das paixões4, e é verdade. Deseja fazer a Oração Dominical conosco?
- Sim.
17. Então vamos unir os nossos corações e pedir ao Pai, somando ao seu o nosso desejo. Félix proferiu, emocionado, a Oração Dominical, e todos nos colocamos diante de Deus, reverentes, pedindo suas bênçãos em favor do nosso irmão sofredor.
(Por psicofonia, em 28 de abril de 2011.)
Após o diálogo com o Félix, o Espírito de Marcos se comunicou espontaneamente pela fala, dirigindo inicialmente estas tocantes palavras a Deus:
- Deus, Pai amado, olha pelos teus filhos, almas ainda infantis. Derrama, Senhor, sobre nós, a tua misericórdia.
Amigos, quero expressar a minha sincera gratidão e encorajá-los, pois Deus permite a todos os seus filhos a oportunidade bendita do recomeço, e assim será com Félix.
1. Quem nos fala?
- Marcos.
2. O senhor é o amigo do Félix?
- Sim.
3. Ele não o vê?
- Ainda não. Por quanto tempo, meus amigos, temos pedido a Deus esta oportunidade! Os bons Espíritos, meus irmãos, aqui estão.
Digo-vos que não deixeis que a dúvida vos tire do caminho abençoado pela fé, pela união. Nós temos vos assistido, e vos agradecemos com o coração alegre.
4. Poderia dar-nos notícias do Espírito da mãe do Sr. C.?
- Ela toma consciência da sua situação, e muito brevemente unirá esforços em prol da melhora de seu filho, ao qual também nós estamos empenhados em auxiliar. Até breve, amigos.
(Por psicofonia, em 28 de abril de 2011.)
Seguindo o conselho que havíamos recebido de Erasto, chamamos uma das irmãs do Sr. C., e contamos a ela o que se passava. Ela, embora não tivesse conhecimento do Espiritismo, é católica, acredita na vida após a morte, e tinha um desejo sincero de ajudar o irmão a sair daquela triste situação. Então consentiu em participar de uma de nossas sessões para evocar sua mãe.
O Espírito foi evocado e escreveu o que se segue:
Eu sou X. Venho dizer que tenho compreendido melhor o que acontece comigo. Entendi que estive muito doente, mas que não preciso mais sofrer com aquele corpo.5
Tem ao meu lado alguns Espíritos que me ajudam, e sei que logo poderei me aproximar novamente da minha família para refazer algumas coisas. Eu agradeço e peço que continuem a orar por mim.
(Psicografada em 28 de abril de 2011.)
Sessão do dia 04 de maio de 2011
Evocação do Espírito de Félix.
- Aqui estou.
1. Quem nos fala?
- Félix.
2. E então, Félix, está mais feliz?
- Sinto-me mais aliviado, embora me sinta cansado.
3. Tem pensado em seu amigo Marcos?
- Desde a nossa última conversa tenho pensado. Há muito não lembrava dele...
4. Ele está entre nós.
- Não o vejo.
5. Se você desejar sinceramente, e pedir a Deus que lhe abra os olhos, poderá vê-lo...
- Eu desejo, desejo mesmo, porque tenho andado sozinho...
6. Então pense nos diálogos que teve com ele, lembre-se do seu rosto. Chame-o com a ternura do amigo que está saudoso.
- Gostaria muito de vê-lo.
7. Então vamos evocá-lo juntos.
Em nome de Deus, todo poderoso, nós evocamos o Espírito de Marcos, amigo do Félix. Permita, Pai amado, que eles possam se reencontrar. Dilata a visão do nosso Félix, a fim de que ele possa ver esse amigo que lhe estende as mãos.
(Depois de longa pausa)
- Sim, ele está... ele aqui está!
8. Graças a Deus!
- Sim. Sim.
9. É ele mesmo?
- É o meu velho amigo! Meu velho e bom amigo!
10. O que ele lhe diz?
- Diz que o tempo passou, mas que ele nunca me abandonou. Onde eu estava, então?! Meu Deus! Meu Deus! Ele está aqui! Ele está feliz.
11. E você?
- Também estou. Há quanto tempo não me sentia assim... um amigo... um amigo...
Quanto tempo se passou? Não sei nem quanto tempo fiquei perdido... Envergonho-me, até. Se ele sonda a minha intimidade, eu me envergonho...
12. Agora só nos resta agradecer a Deus, Pai misericordioso, que sempre ouve o nosso apelo, não é Félix?
- Sim. Sim... Deus! Sim...
13. Então vamos agradecer. Bom Deus, nós agradecemos pelas bênçãos concedidas ao nosso amigo Félix. Louvado seja o vosso nome, Senhor. Abençoa-o, para que ele possa sentir sempre a Sua presença em sua alma. Ajuda-o a ouvir esse amigo que o ajuda, e permita que essa amizade seja duradoura por todo o sempre; alivia a sua dor e dá-lhe forças para perseverar nas boas resoluções.
- Marcos vai me ajudar, preciso ter paciência. Ele está calmo, sereno, mas é ele mesmo, cheio de boa vontade e alegria.
14. Nós vamos chamá-lo mais vezes, Félix.
- Eu virei. Virei sim, e espero estar mais forte, mais feliz. Agora preciso ir. Sinto-me melhor, bem melhor.
15. Que Deus o abençoe.
- Obrigado por tudo.
(Por psicofonia, em 04 de maio de 2011.)
Logo em seguida, Marcos ditou as seguintes palavras:
Por mais cegos que estejam e não possam compreender a infinita bondade do Criador, Deus, que é justo e também misericordioso, nunca abandona seus filhos.
Não vos esqueçais, nem por um único instante, amigos, que alguém vela por nós, que jamais estais a sós. Crede, quando buscais o auxílio com o coração sincero ele não vos faltará.
Que Deus vos abençoe e vos dê forças para livrar-vos das imperfeições e seguir o caminho feliz que Jesus nos ensinou.
Marcos
(Psicografada em 04 de maio de 2011.)
Sessão do dia 14 de maio de 2011
Evocação de Félix.
- Aqui estou.
1. Sente-se mais aliviado, Félix?
- Sim.
2. Poderia nos falar como foi o encontro com seu amigo Marcos?
- Eu achava-me perdido, sem uma possibilidade certa, mas Deus deu-me a oportunidade de reencontrar-me; pôs este amigo no meu caminho novamente. Agito-me, ainda, porque não posso manter a sua presença o tempo todo comigo. Trocamos ideias, recordações, e ele me incentiva. Não sou vítima, e nem mais desejo ser algoz. Preciso mudar. Agora tenho ouvido sempre os estudos deste grupo, os diálogos com os Espíritos, e tenho buscado compreender melhor.
3. Então pode-se dizer mais feliz?
- Sim. Se a felicidade é essa busca, sinto-me feliz.
4. Quando não pode estar com o Marcos, você fica em companhia de alguém?
- Tenho buscado esses amigos novos que fiz, ao me aproximar deste grupo, e eles me encorajam; e, de alguma forma, me vejo obrigado a acompanhar aquele que prejudiquei durante todo esse tempo. Isso ainda me traz certa dor, mas é preciso vencer isso.
Observação: Da Revista Espírita, destacamos este trecho: "Os bons Espíritos vêm esclarecer-me, trazer-me a força de que necessito para lutar contra a influência dos maus Espíritos, depois eles se afastam, deixando-me entregue às minhas próprias forças para lutar contra o mal. É então que eu sinto a influência benéfica de vossas boas preces, porque, sem o saber, continuais a obra dos bons Espíritos de além-túmulo."6
5. Você se sente obrigado por uma força externa, por algum Espírito que lhe constrange, ou por causa do vínculo criado?
- Temos um vínculo. Quando me dou conta estou junto dele. Deve haver, por parte de Deus, um motivo. E eu, que tanto insisti nessas loucuras... agora não posso mais me ver como vítima.
6. O Sr. C. percebe a sua presença?
- Sim.
7. O que a sua presença desperta nele?
- Ele se agita.
8. Mesmo você não tendo mais a intenção de prejudicá-lo?
- Vocês desconhecem a relação que temos, os vínculos que nos unem; mas, de qualquer forma, tenho buscado, com a ajuda desses Espíritos bons, olhá-lo de forma diferente. Tenho lutado...
9. Ele também sofre.
- Sim, eu vejo.
10. Ele é um filho de Deus, que um dia será Anjo. Há pouco tempo Pascal nos deu um sábio conselho para vencermos o egoísmo e o orgulho, que tanto nos infelicitam. Ele disse-nos: "Comecem pelo olhar. Olhar o outro no que ele virá a ser, Espírito puro, como Jesus." A maldade é uma situação temporária, que logo mais, não se pode precisar quanto tempo, se apagará dos corações. Então nosso olhar se modifica, e passamos a ver os seres humanos já antevendo o que eles virão a ser. Se ainda sofremos, é por causa do egoísmo e do orgulho, mas como disse o Marcos: "Somos almas ainda infantis." Deixaremos de ser quando nos decidirmos por avançar.
- Creio nisso.
11. Por que você não pode ficar o tempo todo com seu amigo Marcos? Ele tem outras ocupações?
- Sim. Nós nos distanciamos por razões de sentimentos. Ele avançou, eu não. Ah, se eu soubesse! Mas assim é... No entanto, ele vela por mim, agora eu sei.
12. Há algo que nós possamos fazer por você, além das preces, Félix?
- Já fazem o suficiente, eu sei. As preces muito me aliviam. Agora preciso ir.
13. Sinta-se abraçado com carinho, e que Deus o abençoe sempre.
- Eu agradeço.
(Por psicofonia, em 15 de maio de 2011.)
Mais de um ano se havia passado desde as primeiras conversas com Félix, quando o evocamos por ocasião do encontro anual do Geak de 2012.
- Aqui estou.
1. Receba nosso abraço carinhoso, Félix.
- Sinto-me verdadeiramente feliz por estar aqui.
2. Você gostaria de nos falar um pouco sobre o encontro passado, de como foi para você estar em nosso meio?
- Eu me sinto emocionado porque volto ao lugar onde tudo começou; onde, arrastado pelos pensamentos desse grupo, pude ter aqui o início de uma nova vida. Claro que naquele dia eu me encontrava aqui contrariado; hoje, feliz e agradecido por terem me aberto os olhos. Eu estava cego, não conseguia perceber a vida eterna, tão grandiosa.
Observação: no encontro anual do Geak, realizado em fevereiro de 2011, nós orávamos todos os dias pelo Sr. C. e por seu obsessor. Sabemos que a prece de várias pessoas unidas em pensamento tem uma força poderosa. Durante o encontro, que durou três dias, Félix foi percebido em nosso meio, algumas vezes, por um médium vidente que participava do encontro; viu tratar-se de um padre, pelo hábito preto que vestia. Félix estava visivelmente irritado com a nossa iniciativa de auxiliar o Sr. C., de cujo sofrimento tínhamos tido conhecimento recentemente.
3. Gostaria de nos falar um pouco sobre seu amigo, o Sr. C.?
- Eu o visito com regularidade, agora buscando substituir o sentimento que tinha, infelizmente tão equivocado, ainda mais para mim, que havia feito votos de compreender o meu próximo. Hoje procuro olhá-lo como criatura de Deus. E já que vocês me dão a palavra, amigos, gostaria de aproveitar para dizer a vocês da responsabilidade que temos, nós que compreendemos, ou buscamos compreender as palavras caridade, amor e fraternidade. Quando nos afastamos do bom caminho, o recomeço é sempre mais difícil, a luta é mais dura e demorada. Desde que fui recebido nesse grupo, esses bons Espíritos que nos assistem estão me ensinando o verdadeiro significado das palavras que pronunciei acima, e eles buscam ensiná-los também.
4. Embora para nós, no corpo, seja mais difícil ouvi-los.
- Eles estão sempre dispostos a ensinar aqueles que desejam ouvir.
5. Algo mais que você queira nos dizer, amigo?
- Teria tantas coisas a falar, tanto a agradecer, mas o tempo não me permite. Deixo a minha gratidão profunda e sincera a todos que se ocuparam comigo; que não levantaram nenhum sentimento de censura, ensinando-me a indulgência pelo exemplo. Obrigado a todos.
6. Que Deus o abençoe sempre.
- Obrigado.
(Por psicofonia, em 19 de fevereiro de 2012 - Encontro anual do Geak.)
No mesmo dia, após o encontro do Geak, em nossa reunião familiar, tivemos a participação do Sr. C., que desde que fora curado da obsessão, e graças às muitas conversas que tivemos com ele, havia reavivado sua fé em Deus, que há muito tinha perdido. A seguinte comunicação foi ditada a ele, espontaneamente:
Caro amigo,
Aqui estou, nesta oportunidade, abençoado pela misericórdia divina, para te dizer que é tempo de acender em ti o brilho no olhar e a vontade firme que sempre norteou a tua vida. Hoje Deus nos dá essas oportunidades: a ti, de estar num corpo físico para refazer a tua caminhada, escrevendo, de agora em diante, outra história; e a mim, agora fora do corpo, mas com o coração em paz, a oportunidade do recomeço.
Como vejo mais claro neste momento, não desejo desperdiçar essa oportunidade de dizer-te que sigas em frente buscando as boas aspirações, e se Deus me permitir eu te inspirarei boas ideias, e com isso aliviarei também a minha alma.
És jovem e forte, e ainda podes fazer muitas coisas, principalmente pela tua melhora moral, que é o mais importante e o que Deus mais valoriza. Coloca, amigo, teus pensamentos no futuro e deixa o passado; eu o deixei e te convido a fazeres o mesmo.
Recomendo que agradeças ao Pai por tudo o que tens de bom em tua vida, e o bendigas todas as manhãs ao te levantares; todas as noites, ao te deitares, lembra-te que é por Ele que existimos, na carne ou fora dela.
Segue feliz, é o que te desejo agora e para sempre.
Félix
(Psicografada em 26 de setembro de 2012.)
Observação: Com a moralização de Félix e seu arrependimento efetivo, o Sr. C. voltou a ser o que era antes da funesta obsessão. Desejou saber que ciência era essa que o ajudou, quando as ciências da Terra já haviam esgotado, em vão, todos os seus recursos. Demos a ele o livro "O que é o Espiritismo?" Ele o leu com interesse. Depois leu também O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo, e A Gênese - os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Leu também alguns artigos da Revista Espírita, e continua lendo e divulgando o Espiritismo para seus familiares e amigos, sempre que se apresenta uma ocasião.
Depois da cura da obsessão o Sr. C. ainda passou por alguns problemas de saúde, como uma grave crise de vesícula que, segundo Erasto, eram ainda os efeitos da obsessão prolongada, da ação fluídica malsã que ele sofrera e cujos fluidos precisavam agora ser expulsos do organismo pelo magnetismo.
Essa informação tem fundamento nestas palavras de Allan Kardec: Uma vez penetrado por um fluido maléfico, o perispírito é como uma vestimenta impregnada de odor acre, que os mais deliciosos perfumes não podem fazer desaparecer.7
Os membros do Geak continuaram a orar pelo Sr. C. e pelo Félix, que se tornaram amigos de todos.
Totalmente curado da obsessão, o Sr. C. voltou a ocupar-se com seus negócios, antes sob o encargo de uma de suas irmãs. Algum tempo após a sua cura, seu velho pai adoeceu e precisou de cuidados por alguns meses, antes de falecer. O Sr. C. cuidou dele com esmero e dedicação. Hoje ele não mais sofre pela morte da mãe, nem do pai, pois várias vezes os evocou com o auxílio do grupo e obteve provas de que eles continuam bem vivos no mundo dos Espíritos.
Por ocasião do décimo aniversário da formação do Geak, recebemos a seguinte comunicação espontânea:
"No momento em que cheguei a esse grupo eu estava preso nas trevas da minha ignorância: não via, não ouvia, tudo era somente dor e desejo de vingança. Mas Deus, infinitamente bom, acendeu uma luz naquele meu mundo escuro, e ao me aproximar dela eu passei a ver, ouvir e sentir de modo diferente, e tudo se modificou. Aquele mundo que eu habitava foi se desfazendo aos poucos, e pude reconhecer-me: eu estava em frangalhos, talvez muito pior do que aquele pobre infeliz que eu perseguia. Foi uma pequena luz, amigos queridos, mas uma luz que hoje brilha dentro de mim com a força de um raio solar, porque passou a guiar o meu caminho, e não só o meu, mas o de muitos outros Espíritos que também aqui chegaram.
Minha gratidão a esse grupo que me recebeu e onde sei que sou sempre lembrado. Sou feliz por tê-los como amigos.
Felix
(Psicografada em 09 de fevereiro de 2017.)
Observação: Félix tem sido um dos Espíritos protetores do nosso grupo. Tem auxiliado Espíritos sofredores do mundo dos Espíritos e sempre que pode dá bons conselhos aos Espíritos obsessores que evocamos.
Tudo isso devemos ao Espírito de Verdade que, em sua inesgotável misericórdia, rogou ao Pai que nos enviasse o Consolador, estendendo-nos assim a sua mão socorredora.8
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1 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVIII - Coletânea de preces espíritas - V - Preces pelos doentes e pelos obsidiados - Pelos obsidiados, item 81
2 Refere-se a Santo Agostinho, presidente espiritual do grupo que se mostrou ao Espírito.
3 Veja-se Revista Espírita, julho de 1867 - Dissertações espíritas - Luta dos Espíritos pela volta ao bem.
4 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVII - Pedi e obtereis - Instrução dos Espíritos - Felicidade que a prece proporciona.
5 A Sra. X... faleceu após estar há alguns anos sofrendo de Alzheimer.
6 Revista Espírita de julho de 1867 - Dissertações espíritas - Luta dos Espíritos pela volta ao bem.
7 Revista Espírita, agosto de 1863 - Ação material dos Espíritos sobre o organismo.
8 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI - O Cristo consolador - Instruções dos Espíritos - Advento do Espírito de Verdade, item 5

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