Espíritos felizes
SÃO LUÍS
(Louis IX - 1214 - 1270)
Allan Kardec publicou, na Revista Espírita de dezembro de 1859, uma comunicação assinada por Júlio César; ali o Espírito diz ter vivido na Terra como Louis IX, rei da França no século XIII, que ficou conhecido no mundo como São Luís.1
Com o objetivo de conhecer um pouco mais sobre a vida de São Luís, que é um dos nossos amados Guias, um dos membros do grupo fez um resumo biográfico com base no que alguns amigos e biógrafos anotaram sobre essa grande alma.
Após termos lido o resumo, evocamos algumas vezes o Espírito de São Luís para que nos falasse sobre em que consiste sua felicidade e também nos trouxesse ensinos morais. Ao longo dos diálogos, obtivemos instruções que acreditamos que possam ser úteis também aos nossos leitores.
Sua passagem ao mundo dos Espíritos
Evocação de São Luís, em nome de Deus.
- Estou aqui, em nome de Deus, para conversarmos, e feliz pelo chamado.
1. É São Luís quem nos fala?
- Sim, sou eu.
2. O senhor poderia nos dizer como foi sua passagem ao mundo dos Espíritos, no dia 25 de agosto de 1270, quando deixou seu corpo físico na Tunísia, em meio a uma cruzada?
- Sim. Eu fechei os olhos para o mundo em oração a Deus, e abri os meus olhos como Espírito louvando a Deus. Minha passagem se deu num átimo de segundo e foi a realização do reino de Deus prometido para os justos. Algumas emoções não podem ser expressas por palavras, e as mais belas poesias terrenas as retratariam apenas palidamente. Digo que tudo o que eu buscava, tudo o que esperava das instruções que me eram dadas nas prédicas, a respeito dos ensinamentos do nosso senhor Jesus, e dos seus missionários, se revelou verdadeiro para mim assim que me vi fora do corpo; senti então a presença inconfundível daquele que busquei imitar durante toda a minha vida: era o mestre Jesus me recebendo, junto com seus missionários, envolvendo-me num amplexo tão suave quanto indescritível. Precisaríeis de novas palavras para descrever tal felicidade!
Em seguida olhei para a Terra, primeiramente para os amigos mais próximos, para aqueles que tinham laços comigo, e dizia a eles que não chorassem a minha partida; que continuassem as suas vidas e não se permitissem desviar do reto caminho pelas seduções do mundo, que são tantas. E, se o meu corpo jazia na terra, eu tinha sede de instruir-me mais, de contribuir para reformar o que eu via como equivocado na sociedade. Era a minha vontade continuar a dedicar-me ao próximo, e Santo Agostinho disse-me que esse meu pedido seria aceito por Deus, mas que eu precisava ampliar alguns dos meus atributos. Foi o que busquei fazer.
"Afastando todas as ocupações ociosas e fúteis, o piedoso rei Luís preferia passar seu tempo a ler as santas escrituras. Ele tinha uma bíblia com numerosas marcações, as obras de Santo Agostinho, dos doutores e padres da Igreja. (...)
"Ele fez construir uma grande sala, próxima da Sainte Chapelle de seu palácio, onde reuniu as obras originais de Santo Agostinho, Ambrósio, Jerônimo, Gregório e outros doutores. Era uma felicidade para ele ir estudar ali e convidar outros a estudar também." Guillaume de Nangis 2
A felicidade prometida aos eleitos
3. Embora seja difícil expressar em palavras, pedimos que o senhor tenha a bondade de nos dizer em que consiste hoje a sua felicidade.
- Num primeiro momento, minha felicidade foi poder abarcar, num golpe de vista, a minha trajetória como Espírito; e quanto mais observava, mais a minha felicidade se ampliava proporcionalmente à progressão feita; era a realização do que conheceis apenas em teoria: ver e entender Deus. Digo-vos que esse seria um motivo suficiente para que todos os que conhecem essa possibilidade abrissem mão de suas impurezas para alcançar tal objetivo.
Posso dizer que a felicidade de que gozo hoje não tem nenhuma relação com a matéria. O contato com Deus, num entendimento perfeito de suas leis, é um estado íntimo de felicidade permanente, mas não isolada, pois também consiste numa estreita relação com o próximo. Se há uma ligação estreita com Deus, há, ao mesmo tempo, uma ligação com o próximo; e, na medida em que mais nos aproximamos de Deus, mais essa ligação se amplia ao infinito. A título de comparação, imaginem um núcleo familiar de quatro membros que se amam, que se estimam, que se cuidam mutuamente. Agora imaginem não quatro pessoas, mas um número infinito de seres: esse é um pálido exemplo do amor imenso entre os seres depurados. Nós amamos muito, e velamos pelos nossos irmãos menores que começaram a dar agora seus primeiros passos, e também por aqueles que se transviaram.
Após a morte, São Luis não tomou mais partido nas Cruzadas
4. Quando São Luís deixou seu corpo no campo de batalha, no ano de 1270, o senhor chegou a tomar ainda algum partido naquela Cruzada?
- Não. A minha busca, a partir dali, foi analisar da melhor forma todos os lados da questão; pude constatar, ao mesmo tempo, interesses nobres e interesses inconfessáveis de ambos os lados dos conflitos. O meu partido foi então o de fazer cessar as Cruzadas, e buscar defender a fé cristã por outros meios.3
Encontro com Jesus
5. Em que período de sua existência o senhor conheceu Jesus? Foi antes ou depois da encarnação como Júlio César?
- Foi depois, e num momento muito marcante em que ele, sem censurar-me, apenas convidou-me a segui-lo; disse para que eu me colocasse diante de Deus e fizesse votos para que dali em diante pudesse transformar a grandeza que eu tinha construído sobre mim mesmo em humildade diante de nosso Criador.
6. Esse primeiro encontro foi provocado pelo senhor mesmo, por Jesus, ou de algum outro modo?
- Eu buscava algo, sem encontrar; em minha intimidade os sentimentos queimavam; eu sentia uma agitação e ao mesmo tempo um vazio. Eu olhava as obras que realizara até então, julgando-me todo poderoso, o senhor dos reinos, e me sentia vencido. Nada encontrava na alma que me fizesse realmente feliz. Foi então que surgiu em meu pensamento uma imagem: a passagem de um sábio nazareno pela Terra. Aquela imagem foi se ampliando, e eu quis saber o que estava acontecendo. Perguntava-me: quem é esse homem que perpassa o meu pensamento e faz vibrar-me a alma? Eu, o grande diante do mundo, agora me sentia pequeno diante dele, grande porque vinha de Deus. Quanto mais nítida ficava aquela imagem, mais o vazio no qual eu me debatia era preenchido, mesmo resistindo ou querendo afastar-me dela. Foi então que ele se aproximou e convidou-me a cessar as lutas; disse-me que eu, que me fizera o melhor dos melhores, a partir de agora envidasse uma nova luta, mas que minhas armas fossem a humildade e a caridade. Naquele momento caí de joelhos e, num movimento natural, orei a Deus. Eu sabia da prática da oração como um recurso, mas não a utilizara até então.
7. Tomou da charrua e não olhou mais para trás?
- Sim, sem nenhuma dúvida. Tive então perfeita ciência de que teria muito a sofrer, muito a expiar, mas passei por todos os sofrimentos bendizendo a Deus.
"Por várias existências miseráveis e obscuras eu tive que expiar as minhas faltas e, da última vez, vivi na Terra com o nome de Luís IX." JÚLIO CÉSAR 4
8. Mas agora tinha como modelo e guia Jesus.
- Sim, e a minha proximidade com Jesus passou a ser permanente, possibilidade essa que é igualmente dada a todos que quiserem aproximar-se dele, por uma união sincera e fraternal. Foi o que ocorreu comigo no passado, quando estava cheio de dúvidas e anseios, debatendo-me com o que havia construído em minha intimidade, e aceitei adotar Jesus por modelo e guia; então fui por ele socorrido. Todos nós só daremos passos verdadeiros na direção de Deus quando aceitamos a mão de Jesus estendida, que a todos convida constantemente. A minha conversão, que podemos chamar assim, pois será entendida no seu real significado, digo a minha conversão verdadeira, abriu a porta estreita e fechou a larga5. Aquela decisão firme gerou em minha alma um grande fervor, e toda a energia da minha vontade passou a ser concentrada e dirigida para um único objetivo, com a visão perfeita de onde queria chegar, e o caminho a ser percorrido: a integração com Jesus e com nosso Criador e Pai, e amá-lo acima de todas as coisas. É possível observar esse mesmo processo em todos os casos de conversão verdadeira registrados na história da Humanidade.
Poderia nos instruir sobre as razões pelas quais o senhor ama a Deus?
- Meu amor por Deus começou quando Jesus convidou-me, para alívio da minha consciência, a auxiliar o próximo, e foi aumentando na medida em que eu queria aliviar a minha consciência e Deus me dava as oportunidades. O meu amor por Deus foi se transformando na medida em que fui conhecendo melhor as suas leis, e a observá-las sendo cumpridas. Meu amor a Deus tornou-se ainda maior quando percebi que suas leis não são corruptíveis como as leis terrenas, mas que são eternas e atemporais; posso dizer que eram as suas leis perfeitas que mais me atraíam, e a minha ascendência divina a chamar-me a gravitar para Deus. Porém, digo que um primeiro movimento necessário foi abandonar a paixão por mim mesmo, ou seja, o egoísmo.
Observação: segundo Guillaume de Nangis, amigo íntimo de São Luís, o rei reportava sempre suas ações a Deus. Sua vida era dedicada ao próximo. Ele visitava com constância os hospitais e alimentava os doentes com suas próprias mãos, mesmo os leprosos.
Ainda segundo Nangis, o rei dizia que "Devemos amar os homens porque eles são criados à imagem de Deus; devemos amá-los porque eles são bons ou podem tornar-se bons." Conta também que: "O piedoso rei era ardoroso na caridade cristã, e buscava atrair todos os corações para Deus, por seus bons exemplos e pelos ensinamentos que dava. Buscava primeiramente tocar seus filhos e as pessoas que trabalhavam em seu palácio."
Também era costume do rei convidar muitos pobres, todos os dias, para compartilhar com ele das refeições, e depois lhes dava suprimentos para que alimentassem suas famílias.6
Conselho para o desenvolvimento da nossa fé
9. Pedimos que o senhor nos inspire a fé que já possui e nos ajude a desenvolver a fé inabalável.
- Digo que é preciso tomar uma resolução firme e definitiva, diante de Deus, a partir de hoje, não de amanhã, sem justificativas para a procrastinação, de adotar Jesus como modelo em vossa vida, de maneira integral, na acepção absoluta do termo, fazendo isso por meio de uma reflexão lógica e séria. O autoconhecimento deve ter uma continuidade, pois não basta identificar as imperfeições e justificar a permanência no estado atual pelas próprias imperfeições. É uma auto-sabotagem justificar, pelas próprias aflições, a paralisação dos vossos passos na via do bem. É no exercício da fé racional, espelhando uma intimidade incorruptível e determinada, que se fará o progresso e se vencerão as imperfeições.
Como sabeis, o Anjo guardião auxiliará o seu protegido a ter um olhar ampliado, a dilatar a sua visão e auxiliá-lo a retirar dela o nevoeiro das imperfeições, a fim de que dessa forma ele perceba melhor a presença de Jesus.
Missão de Luís IX, rei da França
10. Em que consistia a sua missão como Luís IX, rei da França?
- A minha missão era demonstrar que se pode conciliar o poder temporal com a submissão e o amor a Deus e o amor ao próximo. Deveria provar que o poder que me fora concedido na Terra não deveria ser utilizado para explorar os ignorantes, os pobres e os fracos, e sim dar-lhes instrução e encaminhá-los para Deus; deveria fazer isso sem me perder no emaranhado da política e das disputas territoriais. Mesmo nos embates mais difíceis que enfrentei, até nos que tive com o sumo pontífice da Igreja7, eu deixava sempre claro que a minha conduta era pautada nos ensinamentos do nosso bom Jesus. Essa era a minha maior prova, e eu a aceitei mesmo sabendo que poderia falhar.
A justiça unida ao amor
11. Sabemos que São Luís buscava ser justo em tudo o que fazia, especialmente quando julgava alguma causa. Poderia nos falar um pouco sobre a justiça?
- Sim. Percebi como ficastes tocados com aquele quadro em que eu escutava atentamente os dois lados dos litigantes, à sombra de um carvalho8. Após cada sentença, eu buscava, acima de tudo, tocar o coração daquele que aparentemente perdia, pois somente dessa forma a justiça estaria completa; eu tentava, ainda que de modo imperfeito, espelhar a justiça de Deus, pois era essa que eu buscava sem cessar. Pedia a Deus a todo momento para ser justo e não me dobrar diante de interesses que não eram justos.
Eu buscava julgar as causas, não para que simplesmente tivesse um ganhador e um perdedor; utilizava o princípio de colocar na balança os dois lados. Nas contendas de disputas, e não me refiro às penais, eu não queria que um lado se sentisse como se estivesse perdendo algo. Por isso, em cada julgamento eu dava bastante atenção àquele que era tido como perdedor da causa; fazia com que ele visse a realidade como um todo, para que na sua consciência despertasse a ideia do erro e do prejuízo que causou ao próximo, ou de sua tentativa de prejudicar ou manipular o outro: buscava assim o equilíbrio da balança. Na maioria das vezes os julgamentos eram exitosos, quando lograva despertar nas consciências dos envolvidos a ideia de que aquele julgamento deveria ser um aprendizado para que buscassem uma nova conduta a partir de então.
Saint Louis rendant la justice sous le chêne de Vincennes. (São Luís rendendo a justiça sob o carvalho de Vincennes.) (https://fr.wikipedia.org/wiki/Louis_IX)
12. O senhor tinha a justiça unida ao amor, e buscava a educação das partes.
- Sim, é dessa forma, captaste a essência.
13. Segundo seus biógrafos, a sua imparcialidade nos julgamentos que o senhor fazia era inviolável, e o interesse pessoal jamais entrava em causa. Prova disso é que o senhor penalizou seu próprio irmão, numa disputa dele com um cavalheiro, porque ele agira injustamente contra este último.
- Sim, esse exemplo de imparcialidade é justo, pois frequentemente os interesses pessoais entravam em causa, os títulos corrompiam, e o que era para ser justiça transformava-se em injustiça. Eu buscava sondar a integralidade dos motivos de cada conflito que me era apresentado. Como sabeis, além dos conflitos, das disputas que chegavam até mim, eu fazia questão de buscar e resolver também as ocultas, pois sabia da existência de pessoas necessitadas que não ousavam buscar-me.
"Se uma questão importante era posta para deliberação no Conselho Real, ele o Rei enviava aos conventos um pedido de preces para que Deus lhe inspirasse o verdadeiro espírito de justiça e a melhor maneira de honrar, por sua decisão, a Providência divina." (Guillaume de Nagis, do mesmo livro.)
Visão sobre a justiça após a morte
14. O senhor considera que conseguiu ser justo, como desejava, em todas as contendas sobre as quais teve que ajuizar?
- Logo após a libertação do corpo, essa foi a minha primeira busca: saber se julguei de forma satisfatória aquilo que estava sob minha responsabilidade. Pude ver que em alguns julgamentos poderia ter feito melhor; observei que em alguns casos não consegui abarcar a integralidade da verdade. Dei-me conta de que poderia ter julgado alguns casos em etapas, mas na minha ânsia por resolver tudo o que se me apresentava, algumas decisões foram intempestivas. Aprendi com a observação desses casos o valor da prudência.
Curas feitas por São Luis
15. O corpo de São Luís, por estar muito longe da França, foi feito em pedaços a fim de ser transportado. Mais tarde, seus membros foram espalhados por vários lugares da Terra, e são tidos como relíquias sagradas guardadas a sete chaves. O senhor se ocupa com aqueles que buscam esses locais para lhe pedir curas?
- Naquela época, logo após a minha morte, muitos reputaram-me o título de santo, de que eu não fazia jus. No entanto, Deus concedeu-me a grata satisfação de poder dar continuidade, com minhas poucas possibilidades, ao alívio das doenças, secundado por outros Espíritos que haviam avançado mais. Digo que apenas algumas curas que eu fizera ficaram registradas, mas me foi possível auxiliar, com a permissão de Deus, a outros tantos pedidos silenciosos e reservados. Registro que foi uma grata satisfação atender a quem me buscava. No entanto, com o passar do tempo esses pedidos diminuíram.
16. A que o senhor atribui o fato de se ter deixado de buscar o auxílio de São Luís, mesmo da parte dos franceses?
- Há alguns aspectos que posso enumerar. O principal deles é que naquele tempo a tradição era mais considerada mas, com o tempo, muitos fatos foram perdendo vida, tornando-se frios. Por isso a importância de dar continuidade à divulgação de fatos dessa natureza, de curas ocorridas em todos os tempos na história da Humanidade, a fim de que tais fatos não acabem nos túmulos. Um outro aspecto, que não deve ser tido como censura, mas apenas uma constatação, é que, em geral, a Igreja se voltou mais para a política, relegando as curas dos doentes a segundo plano ou como algo extraordinário, e por vezes mesmo como sendo apenas um mito. As curas pelo poder do magnetismo, como fazia Jesus, poderiam ser mais conhecidas e vulgarizadas; esse é um recurso que o Espiritismo veio trazer à luz de forma cristalina, sem alegorias ou misticismos, esclarecendo que tal fenômeno está nas leis de Deus, e, portanto, trata-se de uma lei natural.
17. Então nós podemos recorrer ao senhor quando quisermos obter uma cura, principalmente a cura de nossa alma?
- Sim, sem dúvida, todos os que quiserem podem contar comigo.
Lembro que esse grupo tem uma importância especial para mim, pois é uma forma de dar continuidade, pelo Espiritismo prático, à divulgação da bondade de Deus para com seus filhos. Se pudésseis ver como trabalhamos sem cessar ao lado de Jesus, de nosso mestre Allan Kardec, de Santo Agostinho, que foi e continua sendo meu professor, e de tantos outros, para despertar o sentido do bem e do belo em cada um que assim o desejar, ficaríeis tocados! Essa seria para vós uma evidência que não deixaria nenhuma dúvida ou hesitação quanto à nossa missão junto a Deus.
Permissão para publicar os diálogos
18. O senhor permite que publiquemos nossos diálogos na Revista Espírita - periódico de divulgação de Espiritismo prático, reunindo o que eles contém de interesse geral?
- Sim, certamente, fazendo-se esse trabalho de selecionar as respostas mais desenvolvidas e que tenham utilidade geral. Essas biografias nos aproximam, e ao aproximar o leitor dos Espíritos felizes eliminará o preconceito que alguns alimentam de que há um distanciamento entre nós e os homens, ou uma tendência de endeusar as almas nobres, ou ainda, a ideia de que nós somos de natureza diferente. O conhecimento da trajetória dos Espíritos superiores, clareia o olhar nublado que faz acreditar que há Espíritos criados unicamente para o bem e outros para o mal, ou ainda alimenta a ideia de que há o limbo entre os Espíritos maus e os bons. Esses estudos biográficos são uma iniciativa inspirada pelos vossos Guias, há algum tempo, e deve se repetir com outras biografias.
Observação: todas essas conversas foram obtidas pela mediunidade falante (psicofonia), por um único médium, em evocações particulares, no Grupo Allan Kardec Familiar, no decorrer dos meses de setembro a novembro de 2021.
Para não alongar mais este artigo, nós nos detemos por ora. Quiçá possamos publicar futuramente outros ensinos que obtivemos nas conversas com São Luís, pois cremos que eles poderão ser do interesse dos nossos leitores.
__________
1 Revista Espírita, dezembro de 1859 - Comunicações espontâneas na Sociedade - Julio Cesar
2 Vie et vertus de Saint Louis, ch. VI, "De son soin à étudier les saintes écritures." (De sua dedicação ao estudo das santas escrituras.) (Trechos traduzidos do francês pela equipe da Revista Espírita - periódico de divulgação de Espiritismo prático.)
3 De fato, a 8ª cruzada é considerada como sendo a última. "Habitualmente são contadas oito cruzadas, da primeira (final do século XI) à oitava (1270)." (https://fr.wikipedia.org/wiki/Croisade)
4 Revista Espírita, dezembro de 1859 - Comunicações espontâneas na Sociedade - Julio Cesar
5 Veja-se: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVIII - Muitos os chamados, poucos os escolhidos - A porta estreita.
6 Do livro: Vie et vertus de Saint Louis, segundo Guillaume de Nagis, confessor da rainha Marguerite. Texto estabelecido por René de Lespinasse. Paris, 1877.
7 O Rei Luís IX de fato teve algumas discussões com o papa Inocêncio IV. Uma delas foi quando este queria o apoio do rei para uma guerra contra o imperador de Roma e o rei buscou resolver a questão pela diplomacia. (No Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, sexta-feira, 29 de junho de 1860, Sessão particular, tem alguns comentários a respeito da conduta de São Luís para com a Igreja.)
8 Conta-se que o rei Luís IX se sentava, recostado num velho carvalho, no Bois de Vincenne, para fazer os julgamentos daqueles que disputavam uma causa na justiça. Os litigantes se sentavam em volta dele e ouviam o que seu rei lhes dizia (ver imagem acima).

DOWNLOAD DO ARTIGO EM PDF