Da aparente diminuição do número de médiuns
Havíamos estudado a dissertação de Erasto, intitulada "Os Conflitos", publicada na Revista Espírita de dezembro de 1863, da qual destacamos esta parte:
"O número dos médiuns é hoje incalculável e é desagradável ver que alguns se julgam os únicos chamados a distribuir a verdade ao mundo e se extasiam ante banalidades que consideram monumentos. Pobres iludidos que se abaixam ao passar sob os arcos de triunfo, como se a verdade tivesse esperado a sua vinda para ser anunciada."1
Para nos esclarecer sobre a passagem acima, Erasto foi evocado e dirigimos a ele a seguinte pergunta:
1. Qual é a causa da diminuição do número de médiuns atuantes hoje em dia, diferentemente do número incalculável a que o senhor se referiu do século XIX?
Recebemos a seguinte resposta por um dos médiuns do grupo:
"A aparente diminuição do número de médiuns tem duas causas principais: a disseminação da explicação materialista dos fenômenos mediúnicos, e a deturpação das ideias espíritas, urdida na sombra pelos seus inimigos.
Com o predomínio das ciências materialistas, estas passaram a tentar explicar os fenômenos espíritas pela ótica materialista. Os médiuns naturais passaram a ser tratados como doentes e o tratamento medicamentoso tornou-se a panacéia para recuperar a "saúde" destes. Não raro, já os primeiros sinais da mediunidade são tratados e procura-se extirpá-los por meios artificiais; sob essa perspectiva, os ditos doentes nada têm a aprender com as vozes, visões ou efeitos físicos que em torno deles surjam.
Por outro lado, aqueles que notam que há uma faculdade nova despontando em si mesmo ou num dos seus, e se dão conta de que há algo a ser observado; que gostariam de compreender e desenvolver tal faculdade, não encontram grupos espíritas sérios que tratem dessa questão como algo natural. Isso se dá porque os Espíritos que muitas vezes assistem os grupos não permitem que haja proliferação de médiuns, pois se isso acontecesse suas estratégias de dominação e suas falsas ideias rapidamente ruiriam, porque não têm a sustentá-las a força da verdade.
Não podendo negar a mediunidade, uma estratégia utilizada foi fazer crer que certos médiuns, cujas faculdades eram as mais promissoras, eram emissários de Jesus na Terra, alguém especial, e assegurar que só bem poucos teriam esse privilégio. Tais ideias eram ditadas por falsos Guias, em meio a pequenos conselhos de moral, para que tivessem aparência de verdade, e que tais ensinamentos vinham de Espíritos superiores. A pretenção desses falsos Guias é a de que os bons Espíritos perdessem assim seus intérpretes e que o Espiritismo, conforme proposto por Allan Kardec, deixasse de existir. Porém, como o Espiritismo é o supremo apelo de Deus à humanidade, nada puderam contra a sua força. Nem mesmo a deturpação dos conceitos espíritas foi conseguida pelos seus inimigos, pois as obras espíritas continuaram ao alcance de todos, frustrando suas expectativas de ver as obras de Allan Kardec transformadas em peças de museu.
É assim que, embora combatidas ferrenhamente, as ideias espíritas continuam a se propagar. Novos médiuns surgem, novos grupos se formam, pessoas interessadas buscam se instruir na ciência espírita. Têm muito o que enfrentar? Sim. Há obstáculos a transpor? Sim, os há. Mas não posso dizer que são maiores do que os daquela época em que me dediquei à elaboração da estatística que citastes acima. Muito já foi vencido. O terreno foi bem preparado pelo mestre Allan Kardec, e todo aquele que deseja verdadeiramente avançar pode contar com a assistência dele e também com a nossa."
Erasto.
(Psicografada em 03 de julho de 2015.)
"Os médiuns são os intérpretes dos Espíritos; suprem neles os órgãos materiais que lhes faltam para nos transmitir suas instruções; por isso são dotados de faculdades para esse efeito. Nesses tempos de renovação social, eles têm uma missão particular; são árvores que devem dar o alimento espiritual a seus irmãos; eles são multiplicados para que o alimento seja abundante; há-os em toda a parte, em todos os países, em todos os níveis da sociedade, entre os ricos e os pobres, entre os grandes e os pequenos, a fim de que não haja deserdados, e para provar aos homens que todos são chamados."2
__________
1 Revista Espírita, dezembro de 1863 - Instrução dos Espíritos - Os conflitos
2 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX - A fé transporta montanhas - Parábola da figueira que secou, item 10.

DOWNLOAD DO ARTIGO EM PDF