PERIÓDICO DE DIVULGAÇÃO DO ESPIRITISMO PRÁTICO
Cura de uma possessão exercida sobre uma criança
01 / JUNHO / 2022
Cura de uma possessão exercida sobre uma criança

 

Breve relato do caso

 

   No dia 23 de outubro de 2021, um membro do Geak fez um breve relato de um caso de possessão levada a efeito por um Espírito que buscava vingar-se de um garoto residente em outro estado.

  Eis o que ele reportou:

   "S., menino de dez anos de idade, sofre muito com ataques de fúria e a família não sabe mais o que fazer, pois essas crises vêm acontecendo desde que ele tinha quatro anos. 
   Pelo que a mãe do menino falou, tudo começa com pequenos sinais de mau humor, sem motivo aparente. Nos dois últimos anos o garoto tem tido acompanhamento psiquiátrico e psicológico. O menino foi diagnosticado com duas síndromes: TDAH (Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade) e TOD (Transtorno Opositor Desafiador). Faz uso de medicamentos tarja preta (Concerta, Ácido Valproico e Risperidona). Mesmo tomando esses três tipos de psicotrópicos diariamente, as crises acontecem, e são cada vez mais violentas. Conta a mãe que, nesta semana, ele teve duas crises no colégio; uma na segunda-feira, ocasião em que quebrou toda sala e parte da área externa; outra na sexta-feira, ocasião em que o SAMU foi chamado e o garoto foi levado para uma clínica psiquiátrica, pois um dos atendentes socorristas conseguiu, com muita conversa e paciência, fazer com que o menino se acalmasse e aceitasse o socorro. Depois que se acalma, o garoto fica envergonhado e não sabe dizer porque agiu da maneira que agiu. A mãe dele também está sob tratamento psiquiátrico e está sob controle, mas o ambiente familiar é bem complicado.

   A mãe disse que não há nenhuma regularidade nas crises, ou qualquer estopim que as desencadeie, então não há um padrão. A mãe, que ainda é bem jovem, está visivelmente abalada, pois tem mais um filho de três anos sob sua responsabilidade. Quando eu disse a ela que iríamos tentar ajudar, ela agradeceu e ficou emocionada, e disse que já tentaram até o exorcismo, o que ainda foi mais prejudicial ao seu filho. Prontificou-se a fazer tudo que for necessário para ajudar o grupo a ter sucesso, inclusive a participar de alguma reunião, se precisar. Dei-lhe conselhos e pedi que orasse aos Anjos guardiães dela e dos filhos, e que confiasse em Deus."

   Assim que soube do sofrimento dessa mãe e de seu filho, o grupo passou a orar todos os dias por eles, e também por um possível Espírito infeliz que poderia estar perturbando-os. Assim que foi oportuno, os Guias do grupo foram consultados a respeito desse caso, e se seria possível auxiliar essa família com os recursos que o Espiritismo oferece.

 

Sessão do dia 25 de outubro de 2021

   

   Nesta sessão evocamos Santo Agostinho e demais Guias, especialmente o Anjo guardião do menino, para nos trazerem instruções sobre as causas das crises que acometem o garoto. Preparamos antecipadamente as seguintes perguntas:

   1. Qual é a causa das crises nervosas que acometem o garoto S., desde os seus quatro anos de idade?

   2. Por que as crises são intermitentes e não constantes?

   3. Nosso grupo poderia curar esse garoto? 

   4. Se sim, como?

   5. Pedimos vossos conselhos e orientações para nos conduzirmos sob vossa assistência e para não sermos confundidos por maus Espíritos.

   Recebemos a seguinte resposta:

   "Caros amigos,

   Esse caso com o qual desejam se ocupar trata-se de uma obsessão das mais cruéis, porque o Espírito deseja levar filho e mãe ao estado que chamais loucura. As crises são motivadas pelo Espírito que ataca o menino aproveitando-se da situação em que se encontra a família. As preces que dirigis a eles irão fortalecê-los. Trata-se de um caso de vingança que já se arrasta há algumas encarnações, mas que agora deverá cessar, libertando a ambos esses Espíritos que se esqueceram da virtude do perdão. A evocação do Espírito obsessor poderá ser feita com proveito por este grupo."

Santo Agostinho

(Psicografa em 25 de outubro de 2021.)

 

Primeira conversa com o Espírito obsessor

 

   Logo depois que o médium anotou as respostas acima, viu aproximar-se um Espírito furioso. Perguntamos a Santo Agostinho quem era o Espírito e se deveríamos ouvi-lo. Ele respondeu que se tratava do Espírito obsessor do garoto S., e que poderíamos deixá-lo falar, então o evocamos.

   1. Em nome de Deus, nosso Pai amado, nós queremos ouvir esse Espírito que sofre, e pedimos a Santo Agostinho e a Allan Kardec que nos inspirem o melhor a ser dito e a ser feito. O Espírito entrou a falar nestes termos:

   - Vocês estão invadindo o meu terreno e vão sentir o peso da minha mão; vão se arrepender por isso. Eu vou dizer uma coisa a vocês: não tem uma batalha dessas que eu tenha perdido, e ele sabe disso.

   2. Você se refere ao menino S.?

- É... o menino inocente! Vocês são cegos, mas eu vou avisando: aquele terreno é meu, aquela família toda é minha.

   3. Ele lhe prejudicou no passado?

- Muito mais do que vocês poderiam imaginar, muito mais!

   4. Nós sentimos muito que isso tenha acontecido, e desejamos ver você livre desse sofrimento. Nós o chamamos em nome de Deus, e sabemos que Deus há de curar suas feridas e restabelecer a paz em sua alma. Não somos seus inimigos.

   - Eu realmente não sou de muitos amigos, e não vou admitir que vocês façam o que estão pretendendo fazer. Antes de vir aqui eu fui prevenido de que se meteriam no meu caminho, já me abriram os olhos.

   5. E veja que nós nem sabíamos da sua existência.

   - É, mas eu já sabia da de vocês, porque tinham essas intenções.

   6. Jamais pensamos em provocá-lo. Entenda que nós não somos seus inimigos, só queremos entender as suas razões, já que você veio até nós. Conte-nos.

   - Minhas razões são simples: um dia se tem o chicote na mão, no outro não se tem mais, nem as correntes, nem o poder, nem nada que impeça que se pague por aquilo que se fez. É simples assim essa situação, que é hoje a daquele que vocês querem defender.

   7. Agora é você que tem o chicote e as correntes?

   - Claro, as coisas mudam.

   8. E um dia você também não mais as terá, como disse.

   - Pode ser, mas agora eu tenho, e aviso que não cruzem o meu caminho!

   9. Nós vamos pedir a Deus que alivie o seu sofrimento, lhe inspire o desejo do perdão e lhe dê forças, porque é preciso força para perdoar. Deus há de dar-lhe força. Você há de convir que se vingar é fácil, basta estar invisível e com o chicote na mão, como você diz. No entanto, perdoar uma ofensa grave é algo grandioso, é um ato das almas nobres. Nós pedimos a Deus que lhe dê força para libertar a si mesmo das correntes do ódio.

   - Não vou ceder.

   10. Gostaria de nos dizer seu nome?

   - Não interessa. Vou embora. Recado dado!

 

(Por psicofonia, em 25 de outubro de 2021.)

 

As crises se intensificaram ainda mais

 

   No dia 7 de novembro tivemos com o Espírito obsessor uma segunda conversa, mas ele continuava irredutível em sua vingança, e ameaçou atacar com mais vigor ainda o menino. Sabemos que, quando um Espírito obsessor é descoberto e evocado para ser moralizado, inicialmente ele tentará usar todas as suas forças contra sua vítima, num ato de desespero, e foi o que ele fez. Eis a notícia que a mãe do menino nos enviou no mesmo dia: 

   "Esta semana foi muito intensa. Meu filho teve três crises, e numa delas derrubou uma professora. Fomos chamados ao Conselho Tutelar e a outros Órgãos. Meu corpo dói, como se tivesse levado uma surra, mas sigo firme. As coisas por aqui estão muito difíceis. Ontem (6 de novembro) S. teve uma crise muito forte, e o meu filho de três anos, ficou desesperado, chorava sem parar. Chamei o SAMU e S. foi levado para o hospital aqui mesmo em nossa cidade. Ficamos por lá por cerca de duas horas, depois o liberaram. Achei que ele ia ter mais uma crise em casa, mas graças a Deus não teve. Hoje de manhã já acordou bem agitado, mas continuo com as orações. No momento está brincando com o irmão. Tenho feito as orações com os meninos todas as noites, e eles também têm orado, repetindo as palavras que eu falo na prece."

 

Sessão do dia 14 de novembro de 2021

A assistência dos bons Espíritos jamais nos falta

 

   Na sessão do dia 14 evocamos Allan Kardec para nos trazer conselhos e instruções sobre a obsessão sofrida pelo menino S.

   Porém, antes de passar a palavra ao mestre, a evocadora leu a dissertação "A felicidade que a prece proporciona"1, ditada por Santo Agostinho, e tinha a impressão de que esse santo Espírito falava pela sua boca as palavras que havia ditado no século XIX, pois as dizia com um entusiasmo não habitual. Uma forte emoção invadiu o ambiente, dos dois lados da vida. Isso justifica as palavras inicias ditas pelo médium, já em emancipação, reproduzidas abaixo.

   Médium, em emancipação: "Eu posso descrever, a título de instrução, o que percebia enquanto lias o texto e fazias a prece; os nossos guias São Luís, Espinosa, e em especial Santo Agostinho, estavam juntos, orando, fazendo reverberar a prece para tocar nossas almas, a dos Espíritos familiares presentes, e também do Espírito que obsidia o garoto S. Todos foram tocados, se sentiram mais leves e perceberam a mão de Jesus a todos estendida. Esse é um exemplo de um verdadeiro banquete divino.
Allan Kardec se aproxima, e eu silencio os meus pensamentos, a minha intimidade para favorecer a sua comunicação. Por favor, evoque-o novamente."

Palavras inicias de Allan Kardec


   1. Nosso caro mestre e amigo, precisamos da sua mão vigorosa para bem nos conduzir, e o chamamos com esse propósito. Vem instruir-nos, mestre, e ajude-nos a ouvi-lo com clareza, que é o que nós desejamos.
   - O que presenciastes foi um verdadeiro festim como o da parábola a que se refere o Evangelho. Esse é um exemplo da elevação da alma, e é a essa comunhão frequente conosco que nós vos convidamos. É numa comunhão como essa que os Espíritos sofredores haurem novas forças e alimentam a esperança, e com ela vem-lhes a lembrança de sua origem divina. É nesse movimento que o Espírito consegue ver quem ele realmente é e aonde quer chegar, tendo por modelo e guia Jesus. Esse é um exemplo da santa emulação provocada por um trabalho específico realizado pelo nosso amigo Santo Agostinho. Essa é a missão dos vossos Guias: conduzir seus protegidos a Deus. Mas, ah!, quantos ainda se debatem em caminhos tortuosos a que adentraram por livre escolha! Quantos aumentam as suas dores, perfeitamente evitáveis com um pouco de boa vontade!

 

Sobre o menino S. e sua família

 

   2. O senhor pensa que devemos falar para a mãe do menino que ele sofre uma obsessão por vingança?

   - Digo-vos que é importante conversar com a mãe do menino para esclarecê-la sobre a real situação de seu filho, e sobre o papel que cabe a ela na cura dessa obsessão. Ela também precisa exercer para isso um papel ativo, que é o mais importante, na educação desse Espírito que ela aceitou receber como filho. É preciso esclarecê-la a respeito do seu papel de mãe, pois ela também carrega dores internas das quais foge, porque às vezes se sente impotente. Dizei-lhe que ela haurirá forças quando orar com fervor e confiança a Deus, ao seu Anjo guardião e ao Anjo do seu filho.

   3. Qual é seu pensamento sobre as atividades a que o menino tem se dedicado, nos últimos dias, e que preocupam sua mãe, como desenhar por muitas horas, fazer objetos de papel, montar lego, entre outras atividades manuais?

   - O menino está num momento que consideramos como de transição para a cura definitiva da obsessão. Como Espírito, ele tem consciência do que lhe acontece e buscava medir forças com seu inimigo invisível. Como agora ele está sendo poupado, pela graça de Deus, das ações do Espírito sobre ele, sente-se aliviado, mas acha-se um tanto perdido; então, encontrou nas ocupações manuais que a mãe descreveu, uma forma de aliviar os abalos internos, e com isso sente-se mais seguro. A mãe deve orar sempre com ele, falar-lhe de Deus, do seu Anjo guardião. Quanto a vós, deveis continuar com as preces e magnetizações mentais diárias.

   4. O senhor poderia dizer-nos o nome do Espírito obsessor?

   - Sim, o nome dele é Túlio. Como foi observado pelo médium, ele veio escutar a prece a contragosto; eu o trouxe como se faz com o menino rebelde que é levado, quando chega o tempo de ser educado. Fizemos isso para que ele tivesse a oportunidade de refletir sobre o que tem feito até agora, e perceber o sofrimento que causa a si próprio. Deveis lembrá-lo de que ele esqueceu do magnetismo do amor. Esse amor será o remédio eficaz para tocar essa alma, que se julga mais endurecida do que de fato é. Ele já observou a sua impotência contra o bem, e quando Deus determina que é chegada a hora de cessar a dor, é tempo de despertar.

   5. O senhor julga oportuno que evoquemos o Túlio hoje, por esse médium que lhe serve de instrumento, embora o tenhamos evocado por outro médium até agora?

   - Digo que sim, que a evocação por esse médium será proveitosa, e alerto o médium para que, a fim de não sofrer abalos, tome a postura de não se permitir os choques que o Espírito irá naturalmente irradiar. Deveis envolver esse Espírito no amor mais puro, num magnetismo ao qual não é possível opor resistência, no intenso amor que Jesus mostrou e exemplificou como uma lei, pois é contra essa lei de amor que o Túlio tem lutado. Fazei com que ele veja a desistência da vingança como uma vitória, e não como uma derrota. São esses os meus conselhos. 

(Por psicofonia, em 14 de novembro de 2021.)

 

Terceira conversa com o Espírito obsessor

 

   Logo em seguida, evocamos o Espírito de Túlio, que entrou a falar irritado.

   - Se eu pudesse, quebrava essa mesa!

   1. E aí teríamos que consertá-la. Por que você nos daria esse trabalho, se não lhe queremos mal?

   - Ele é um mal! Apenas está com um manto de inocência! Tô vendo que usaram um novo remédio nele, mas isso não vai continuar. Aquilo vai passar, porque ele é o mal. Eu não quero esse remédio que têm me oferecido.

   2. Poderia nos dizer que remédio é esse do qual você fala?

   - Não interessa.

 

Observação: o Espírito se refere às preces, que são uma magnetização mental, e que vários membros do grupo vinham fazendo em favor dele e do garoto desde que souberam dessa obsessão.

 

   3. Por que as nossas preces lhe fazem mal?

   - Impedem-me de continuar para levá-lo à loucura, como um dia ele me levou. Não quero ficar calmo aqui!

   4. Poderia nos dizer se esteve conosco hoje pela manhã, quando conversávamos com nosso guia Allan Kardec?

   - Sim, estive.

   5. Percebeu quem o convidou a vir?

   - Fui arrastado para cá!

   6. Alguém lhe machucou?

   - Alguém cruzou o meu caminho.

   7. Mas não lhe machucou, não é verdade?

   - Não quero ser chamado à ordem, só quero continuar livre, sem barreiras. O sofrimento dele me alimenta. Foi um modo que eu achei para ter minhas mãos...

   8. Túlio? É esse o seu nome? (O Espírito se emociona, e o médium sente seu corpo todo perpassado como que por um choque elétrico.)

   - Sim. Esse nome atravessa meu coração. Não, não, não!

   9. Por que Túlio? Ele lhe faz lembrar alguém que o chamava por esse nome? Nós o chamamos e lhe pedimos que reflita sobre o sofrimento que tem causado a si mesmo e busque livrar-se dele, como filho de Deus que é.

   - Não entendo porque eu tenho que falar a desconhecidos! Eu não quero admitir, não quero refletir! Se eu sinto alguns efeitos do sofrimento que causo a ele, e se essa for a minha cota, sofrerei com prazer.

   10. Você disse que não lhe agrada conversar com desconhecidos, mas se olhar bem ao seu redor verá que não tem só desconhecidos aqui, tem também aqueles que o amam e que você bem conhece.

   - Não quero me acalmar... Não quero olhar para outro lado. Só para ele, ele, ele, ele! Se é para sujar as mãos, não tem problema.

   11. Percebe alguém conhecido em nosso meio?

   - Não interessa!

   12. Túlio! (O Espírito se emociona novamente ao ouvir seu nome) Pare de se comportar como criança, porque você não é mais criança. Converse conosco como um adulto, pois queremos o seu bem.

   - Ela não estaria aqui falando dessa maneira, isso é uma ilusão... Não está aí do teu lado, não! Não está falando comigo...

   13. Ah, sim, até que enfim você a percebeu. (Trata-se do Espírito daquela que fora mãe dele na última encarnação, e agora inspirava a evocadora.)

   - Não! Isso é uma ilusão, essa é uma armadilha! Eu já usei muitas armadilhas, e também já caí em muitas delas.

   14. Você perdeu a confiança nos seus próprios sentidos?

   - Sim, os sentidos nos enganam.

   15. Pergunte a ela, pois ela quer lhe falar há muito tempo.

   - Não, não. Ela também tem uma parcela de culpa pelo que eu sou hoje. Ela escolheu ele! Escolheu ele, ele!

   16. Ela o ama, Túlio.

   - Não, não, não! Eu vou superar tudo isso. Não tem como eu ter uma nova vida! Acabou tudo para mim, e vai acabar para ele também. Eu não quero depor as minhas armas...

   17. Pois fique com elas, mas converse conosco com calma. É hora de hastear a bandeira da paz.

   - Ele não mostrou bandeira branca no passado.

   18. Mas você pode fazer isso e ter o mérito diante de Deus. É isso que Deus quer de você, Túlio. Quem é esse Espírito que lhe fala com tanto amor?

   - Aquela que foi, mas não é mais, a minha mãe.

   19. Foi ela que lhe deu esse nome?

   - Sim. Mas eu larguei tudo, inclusive esse nome. Não quero mais identidade, só quero estar junto dele para me vingar. (Refere-se ao garoto a quem obsidia.)

   20. Já que você e ela estão aqui, não seria um dever de gratidão ouvi-la, pelo menos pelo leite que sugou do seu seio?

   - Leite que ficou amargo depois...

   21. Ela o alimentou nos primeiros anos, lhe deu a vida do corpo, lhe ensinou as primeiras palavras e a dar os primeiros passos.

   - É uma armadilha, uma armadilha...

   22. Você se lembra daquele tempo?

   - Não quero lembrar, enterrei essas memórias. Só quero acabar com ele, e digo que logo mais estarei com ele.

   23. Se continuar com isso, logo mais estará com a consciência mais pesada, e mais infeliz, Túlio. Nós temos orado por você todos os dias. Não o conhecemos, mas queremos o seu bem, porque você é nosso irmão, porque somos filhos do mesmo Pai.

   - Não importa se depois eu ficar no vazio, não importa isso que vocês fazem.

   24. Tem ouvido as nossas preces?

   - Isso que vocês fazem me expulsa de perto dele! Vocês tentam me envolver nisso aí, e estou começando a perceber que é parecido com o que eu faço, mas é uma outra polaridade. Daqui há pouco aprendo a contornar isso...

 

Observação: o Espírito se refere ao magnetismo com que o garoto que ele obsidia é envolvido, graças à ação das preces que o grupo tem feito por ambos.

 

   25. A sua mãe quer curar as suas feridas, e Deus envia bons Espíritos para lhe dizer que é hora de soltar essas correntes.

   - Mas ele não merece a liberdade, não, não.

   26. E você, Túlio, não merece libertar-se?

   - Eu não quero ver essa luz, eu quero voltar para a escuridão...

   27. Você não foi criado para viver na escuridão. Foi criado pelo amor de Deus, e tem a marca do Criador em sua consciência. Não tem como fugir da luz porque ela vem de Deus.

   - Isso é um canto... É o canto da sereia, não pode ser verdade.

   28. Por que não? Deus quer ver todos os seus filhos felizes, e com você não é diferente. Por isso ele envia esses bons Espíritos para lhe tirar do atoleiro.

   - Essa calma que sinto aqui vai passar... O problema é eu estar ligado aqui, esvaziando as minhas forças. Eu não pedi esse remédio, não consigo ver isso como verdadeiro. Não consigo acreditar que ela está aqui...

   29. O que ela lhe diz, Túlio? É importante ouvir sua mãe com atenção, pois assim  terá melhores elementos para discernir, já que a conhece. (Depois de alguns minutos de silêncio, o Espírito continua).

   - Ela não vai me passar sermão? Não sei, não sei!

   30. Ela só quer passar a mão na sua cabeça, como fazia quando você era ainda um menino, feliz, sorridente.

   - Como ela está falando pela tua boca?!

 

Observação: a evocadora era inspirada pelo Espírito da mãe do Túlio, e isso lhe chamou a atenção.

 

   31. Ela não quer passar sermão, quer lhe estender a mão, se você se permitir.  (Depois de alguns minutos de silêncio) Agora você consegue reconhecer que é ela?

   - Sim. Ela está me transportando para o passado e mostrando-me as suas lembranças... Estamos abrindo juntos uma porta... Está se abrindo uma porta no meu coração.

   32. E o que tem aí?

   - Tem alguém muito machucado, mas tem também... (longo silêncio). 

   Ela me mostra que a minha essência nunca será apagada, porque é uma essência permanente. Mas eu não quero abrir essa porta de novo... Ela fala a mesma coisa que vocês têm me falado, e diz para eu parar com essa insanidade. Mas parece impossível isso que ela me pede, que é para eu seguir um novo caminho, um caminho melhor; diz que não tem como ser diferente daquilo que ela me aconselha a fazer. E como fica o que eu fiz? Como fica a minha imagem? A de um perdedor, de um fraco?

   33. Tente lembrar daquele que morreu na cruz por todos nós. Ele foi açoitado, maltratado, chamado de impostor, e por fim pregado numa cruz infame. Ele não foi forte por ter perdoado seus assassinos e por ter pedido ao Pai que perdoasse aos que o crucificaram?

   - Parece-me que sim, que foi perseverante...  Novamente eu sou invadido por uma luz... Parece um imã.

   34. É Jesus que lhe chama, como chamou Lázaro e mandou-o sair do sepulcro.

   - Eu já estou morto há muito tempo...

   35. Jesus lhe chama para a verdadeira vida. Saia da escuridão, Túlio. Peça forças a Jesus, que é o grande médico das almas. Peça a ele para curar suas feridas, e elas cicatrizarão. Ele espera por você há tanto tempo, e nunca perdeu a esperança de que um dia você se levantaria e andaria na direção dele.

   - Há muito tempo meu pensamento só é dirigido àquele por quem sinto ódio... Há muito tempo só tenho ele no meu pensamento. Como cortar essa ligação?

   36. Como você teve a vontade de fazer o que tem feito, poderá decidir-se agora por ouvir sua mãe e buscar Jesus, que lhe estende a mão para tirá-lo do sofrimento. É no uso da sua própria vontade que você decidirá ser feliz ou continuar sofrendo. É bem simples assim, Túlio.

   - Mas, e essas ligações, como tirá-las?

   37. Você receberá ajuda para livrar-se delas e para estabelecer laços de afeto verdadeiro. Jesus pode ajudá-lo a abrir as correntes de ódio que você mesmo criou. Experimente, você não tem nada a perder.

   - O que posso dizer no momento é que vou falar com ela, essa que foi minha mãe, mais um pouco.

   38. Está certo. Logo mais nós o chamaremos para que nos conte como foi a conversa com a sua mãe, Túlio. Pode ser assim?

   - Combinamos assim, dessa forma. Nisso tens a minha palavra.

   39. Nós agradecemos pela sua confiança. Que Deus o abençoe.

(Por psicofonia, em 14 de novembro de 2021.)

 

Nota: veja-se o artigo da Revista Espírita, julho de 1867 - Dissertações espíritas - Luta dos Espíritos pela volta ao bem.

 

Sessão do dia 17 de novembro de 2021
Quarta conversa com o Espírito de Túlio

 

   Evocação.

   - Estou aqui.

   1. É o Túlio quem nos fala?

   - Sim, sou eu. Quando decidi conversar com minha mãe, e no momento atual em que escuto as preces, tenho visões de que tudo isso passará, mas são visões temporárias. Esse passado, que tomei como presente permanente, agora começa a pesar sobre mim. E hoje posso dizer que venho sem minhas armas. Hoje também não lutei contra essa calma que antes me deixava ainda mais irritado. Venho, sim, diferente, mas tenho muitos assuntos em aberto, e ainda não sei como aceitar esse convite que me foi feito por minha mãe e por vocês.

   2. Você não está sozinho, Túlio. Sua mãe o ajudará e nós também, com nossas preces. Além disso, tem Jesus, que é o grande médico das almas, e também os bons Espíritos, nossos guias, que o ajudarão.

   - E os meus machucados, como ficam eles? Minhas feridas estão em brasa, porque agora percebo o peso do tempo, que me esmaga. Além disso, alguns Espíritos querem me fustigar. Como conseguir vencer esses desafios que me parece um trabalho de Hércules? Não tenho essas forças, mas constato que esse remédio (efeito das nossas preces e do magnetismo dos bons Espíritos) têm mais efeito sobre mim do que sobre ele, que ainda me perturba muito (refere-se ao menino S.); mas posso dizer que agora percebo melhor esse remédio em mim.

   3. Quanto mais desejar esse remédio, mais ele lhe será benéfico. Você nos disse que precisa de uma força hercúlea para entrar numa nova via. Pois bem, você fez realmente forças hercúleas até agora para manter vivo um passado infeliz, não foi?

   - Sim, isso sim.

   4. Agora poderá fazer o inverso: olhar para o futuro com esperança e alimentar sua alma com ele, antecipadamente, ou seja, trazer o futuro feliz para o presente. Com isso, irá apagando o passado infeliz da memória. É como sair de um quarto escuro e fétido e sentir uma brisa suave, muito agradável, perfumada e luminosa, a soprar em seu rosto.

   - E eu não via nada disso! Por quê? Eu não via nada disso...

   5. Simplesmente porque não queria, mas agora você quer. É sempre a sua vontade dirigindo suas escolhas. Acredite nisso. Você pode escolher sempre, então escolha o melhor hoje.

   - Falas igual a minha mãe, só que aqui acontece algo diferente quando falas.

   6. Poderia descrever o que acontece?

   - Estou aqui com essa pessoa (refere-se ao médium) de forma análoga a quando estava lá com ele (o menino). Lá eu percebia que era um circuito de uma forma, e aqui é um circuito diferente. Ele me faz voltar-me unicamente para o que você está falando, ao lado da minha mãe, e daquele que me trouxe aqui outras vezes (Allan Kardec), e trazia a mim as preces de vocês e também as dele. Quando você fala, e com a calma que irradia ao meu redor, os meus pensamentos vão se organizando. Isso me ajuda a não escutar o barulho que escutava antes: é isso que acontece.

   7. Graças a Deus, Túlio! É justamente porque lhe faz bem falar por esse médium e ouvir os bons Espíritos que aqui estão, e também a sua mãe, que nós o chamamos e o chamaremos mais vezes. Esse é um recurso que Deus nos oferece porque o ama e quer vê-lo livre do sofrimento.

   - Digo que atenderei sempre o chamado. Eu preciso de um tempo longe deles. (Refere-se ao garoto e à sua família.)

   8. Podemos orar juntos agora?

   - Sim, sim, eu aceito.

   9. Vamos fazer juntos a oração que Jesus ensinou.

   - Mas sabes que para alguns assuntos, não sei se estou preparado... (refere-se à parte que diz: "Perdoa as nossas ofensas assim como perdoamos...)

   10. Nós entendemos, mas a prece vai ajudá-lo com isso também, Túlio. Jesus levará a nossa prece a Deus por você e com você. Busque ficar recolhido e colocar seu coração nas palavras que iremos proferir.

   - Sim, aceito.

   11. (Foi feita a Oração Dominical). E então, Túlio, sentiu um alívio?

   - Vou pensar sobre o perdão, nunca pensei que eu teria faltas pelas quais deveria pedir perdão. Não sei o que seria isso, mas vou pensar.

   12. Que Deus o abençoe e o ajude nesse novo caminho.

(Por psicofonia, em 17 de novembro de 2021.)

 

Instruções de Allan Kardec sobre a crise de rebeldia do menino

 

   Havíamos recebido a notícia de que o menino S. tinha tido uma nova crise, ontem, dia 16, mas sua mãe nos enviou um áudio explicando que o que houve não foi uma crise, mas uma certa rebeldia do menino porque não queria mais tomar os medicamentos que, segundo ele, são muito fortes para ele, que ainda é uma criança. 

   Logo após o diálogo com o Espírito de Túlio, chamamos o presidente do grupo curador, Allan Kardec, para nos dar orientações.

   1. Pedimos vossos esclarecimentos sobre a atual situação do Túlio e da família que sofre sua má influência.

   2. O Espírito de Túlio teve alguma responsabilidade na crise de rebeldia que o garoto teve ontem, por não querer tomar os medicamentos que, segundo ele, são muito fortes para sua idade?

   3. Pedimos vossas orientações para que possamos bem nos conduzir sob vossa assistência.

   Evocação, em nome de Deus.


   - Amigos, digo que hoje foi dado mais um passo, mais uma etapa foi vencida para a cura do Túlio e dos familiares que sofriam a sua influência. Ele começa a fazer reflexões, mas ainda precisará de conselhos para perceber de fato o que Deus poderá lhe dar se escolher o bem em vez do mal. Com os esclarecimentos que receberá, pela evocação e os diálogos, ele terá um novo olhar sobre sua trajetória, pois assim ele poderá se decidir por tomar um novo rumo. Desde que ele entre nessa nova via perceberá a bondade de Deus e passará a ouvir os bons Espíritos que sempre lhe deram conselhos, e entenderá que sempre teve condições de rever suas atitudes, pois nunca fora abandonado. Essa nova visão despertará nele a esperança, e com a esperança virá a vontade de fazer o bem como uma necessidade.

   1. O senhor poderia nos esclarecer sobre a crise de rebeldia que o garoto teve ontem?
   - Sim. Ele é um Espírito que também precisa de educação moral. Ele já sente que está livre da má influência e expressa sua intimidade com vigor. Foi para auxiliá-lo a domar suas más inclinações que ele pediu a Sra. L. como mãe. Ela sabia que essa seria uma tarefa árdua, porém cheia de amor e de recompensas futuras, se levada a bom termo. Assim, digo que a situação não foi provocada pelo Túlio, mas foi o próprio menino que, tendo agora consciência, como Espírito, de que a causa do seu mal não é física, não quer mais tomar os medicamentos. Logo ele não precisará mais deles, e sua mãe igualmente se livrará dos remédios que hoje considera como muletas. Como conselho para a mãe, digo que, quando ela tomar Jesus para seu médico e a sua verdadeira base nessa vida, ela cumprirá os seus deveres e terá o coração tranquilo; sua felicidade será consequência desse seu movimento interno e de sua fé em Jesus e em Deus.

 

Observação: logo que percebeu que seu filho estava livre da obsessão, a Sra. L. deixou de dar a ele os remédios, e de fato ele teve uma significativa melhora em seu ânimo.



   2. O menino poderá saber que se tratava de uma obsessão ou só a sua mãe?
   - Sim, mas digo que ele mesmo poderá falar à mãe sobre essa experiência. Assim que forem retirados os remédios e houver a reorganização do seu organismo, ele poderá falar naturalmente sobre isso, sem reservas. Está aí mais um motivo para que sua mãe, buscando instruir-se a respeito da ação dos Espíritos sobre os homens, que também são Espíritos, possa ver como natural o que se passou com sua família. Chegará um momento em que a mãe, reunida com os filhos, irão orar pelo Túlio. A prece deles, envolvida em sentimentos de amor e de perdão, auxiliará no soerguimento desse Espírito. Essa é também uma oportunidade concedida por Deus ao menino para que ele faça o bem nessa vida. Aconselho encerrar a conversa por ora, pois o médium dá sinais de cansaço.

 

Observação: não é de admirar que o médium apresentava cansaço, pois além do trabalho profissional do dia, já havia servido de instrumento a um longo diálogo com Túlio, e depois ao mestre Allan Kardec.

 

   3. Nós agradecemos.
   - Eu agradeço igualmente.

(Por psicofonia, em 17 de novembro de 2021.)

 

Visita à família do menino

 

   Com intuito de levar a efeito o conselho dado por Allan Kardec, para que se esclarecesse a Sra. L. sobre a verdadeira causa do mal que acometia seu filho, a evocadora viajou na sexta-feira, dia 19 de novembro, para a cidade onde reside o médium, e que dista cerca de 80 quilômetros da cidade onde mora a família, a fim de, no dia seguinte, irem contar pessoalmente à mãe que as crises que seu filho vinha sofrendo, desde os quatro anos de idade, eram provocadas por um Espírito que tirava vingança.

 

Orientações prévias para a visita à família

 

   No sábado, dia 20, pela manhã, antes da viagem, Allan Kardec foi evocado para trazer os conselhos e as orientações para nortear os procedimentos dos membros do grupo curador na visita à família.

   Evocação.

   - Estou aqui para vos esclarecer sobre os assuntos que dizem respeito à visita, a fim de que esse encontro com a família ocorra sob as vistas de Jesus. Sabeis da importância do recolhimento para que estejais focados e possais favorecer a visita do nosso mestre Jesus àquela família, e para que a mãe possa então considerar o início de uma nova vida para ela e para seus filhos: um tempo de renovação para todos. 

   É importante que ela grave em sua intimidade que quem está curando o seu filho é Deus, e que aproveite essa nova vida, agora livre da injunção do Espírito de Túlio, para bem educar os filhos e conduzi-los ao bom Pai. É também importante que ela busque se guiar sob as inspirações do seu Anjo guardião para não desviar-se de seus deveres com as inúmeras distrações que a vida oferece aos habitantes do vosso mundo. Se ela buscar ouvir constantemente seu Anjo guardião saberá diferenciar aquilo que é importante e oportuno para si mesma e para seus filhos, Espíritos imortais que são, daquilo que não o é, e assim fazer as melhores escolhas para sua felicidade futura. Se assim o fizer, daqui em diante ela será movida pela fé em Deus e não mais pelo medo. 

   Digo-vos que o objetivo da visita é esclarecê-la sobre o que ocorreu até então, e falar-lhe da responsabilidade que lhe cabe, pois todos devem ter um papel ativo em suas vidas. Tanto ela quanto o seu filho deverão saber que a felicidade depende das boas escolhas, de enfrentar com coragem as aflições que todos têm em partilha nesse mundo, mas que estão sob o olhar e o amor de Deus, que vela por todos. 

   Dizei a ela que a felicidade que sentirá pela cura de seu filho deverá ser o combustível para que seja uma pessoa de bem, que só faça o bem; que os anseios e inseguranças que ela tem sejam transformados em perguntas ao seu Anjo guardião, e ele irá responder a todas, segundo a vontade de Deus. Nesse movimento interno para melhorar-se, na interação constante com seu Anjo, ela perceberá que pode libertar-se dos remédios, que agora terão um gosto amargo, e logo mais irá descartá-los com toda confiança em Deus. Fazer o bem será o seu mais eficaz remédio.

   Outro conselho que damos à mãe, é para que ela aproveite essa nova fase e fale para os filhos sobre os ensinamentos de Jesus, sobre seu amor pela Humanidade, sobre o perdão; que busque gravar fundo na alma do seu filho S. a importância do perdão e de seus benefícios para a verdadeira liberdade e para a felicidade. Sabemos que ela quer conselhos, por isso nós os damos. 

   Convidei também o Túlio para acompanhar essa visita. Falei a ele que será uma oportunidade de cura para ele também. O menino não irá percebê-lo, pois garantiremos o distanciamento entre ambos.

   Antes de iniciardes a visita, num movimento de recolhimento e como emissários de Jesus, ligais-vos aos Anjos guardiães da família e peçais a Deus o afastamento dos Espíritos levianos para que essa visita seja proveitosa, tanto nos diálogos quanto na aplicação do magnetismo.

 

Observação: foi-nos aconselhado aplicar o magnetismo tanto no filho como na mãe, e assim foi feito.

 

   1. Nós pedimos que o senhor não desvie de nós o seu olhar e nos sustente com suas mãos vigorosas. 

   - Estaremos juntos, e já antecipamos que essa visita será coroada de bênçãos, pois é isso que Jesus espera de todos.

   2. Podemos encerrar por ora?

   - Sim, podemos encerrar.

(Por psicofonia, em 20 de novembro de 2021.)

 

Avaliação e conselhos de Allan Kardec após a visita à família

 

   Consideramos que a visita fora exitosa, como havia previsto o nosso mestre. Fomos muito bem recebidos pela jovem e amável mãe e seus dois filhos. Regressamos no início da noite. Após o banho, o jantar e um breve descanso, o médium se prontificou a evocar Allan Kardec para que nos trouxesse sua avaliação da visita.

   Evocamos então o nosso mestre.

   - Aqui estou. Para vossa instrução, nessa nova fase da cura do garoto, do Túlio e também da Sra. L., farei um breve relato do que vimos e da nossa atuação deste lado, durante a visita que fizestes hoje à família. Com isso, alguns pontos serão motivo de estudo especial.

   Como havíamos dito inicialmente e pudestes constatar, houve um trabalho prévio especial para que a mãe pudesse organizar seus pensamentos, para que o menino pudesse estar tranquilo e conseguimos estabelecer uma boa ligação com ele. Sabíamos que, pelo seu caráter, deveríamos fazer um trabalho especial a fim de que ele não se fechasse, e ficamos felizes com o bom êxito. O Anjo guardião do menino o acalmava e dizia a ele que vocês os visitavam em nome de Jesus. Ele tem sede de instrução moral, tem sede de instruir-se nas leis de Deus. Nesta noite ele terá um sono tranquilo; amanhã deveis perguntar à mãe como foi a noite, para que isso fique registrado. Perguntai-lhe também como está seu estado íntimo. Após essa visita, em que houve a aproximação física e agora eles conhecem alguns dos que oram por eles, as preces terão ainda mais resultados benéficos. Vereis a mãe munindo-se de novas forças morais, e terá uma nova relação com o seu Anjo guardião, graças ao magnetismo que lhe aplicastes e a livrou de fluidos malsãos. Em breve o seu olhar, que hoje carrega o peso da dor, será iluminado pela luz da esperança que se acenderá diante dela. Por ora, ela ainda tem alguns resquícios de medo de que o filho ainda venha a ter alguma crise; essa é também uma ideia a ser dissolvida pela fé verdadeira em Deus que ela poderá desenvolver.

 

Observação: no dia seguinte, perguntamos para a Sra. L. se eles haviam dormido bem, ela respondeu que sim, que os três haviam "capotado". 

Soubemos pela mãe e pelo próprio S., que ele quase não dormia à noite porque era assombrado pelo medo, e com isso a mãe também não conseguia ter o sono tranquilo.

 

   1. A prece dirigida em favor da mãe, enviando-lhe pensamentos de coragem, de bom ânimo, irá favorecê-la nesse sentido?

   - Sim, certamente, e será de grande utilidade. Vereis igualmente bons resultados quando a família orar pelo Túlio; e chegará logo o momento de o Túlio também orar por eles. Observarão então verdadeiros milagres da fé, os milagres que o perdão mútuo favorece: vereis uma nova família.

   2. O senhor considera que fizemos de maneira satisfatória a nossa parte na visita? Teria algum ajuste para fazermos nas próximas tarefas que nos forem confiadas?

   - Digo que a boa vontade e a preparação prévia, a busca por fazer o melhor, é sempre acompanhada pelos Anjos guardiães, e com isso as atividades poderão ser sempre exitosas, se assim agirdes. Para esse caso, tinha que se dar uma dupla ação, agindo ao mesmo tempo sobre a mãe e sobre o filho, por uma abordagem pela palavra, chamando à razão, unida à prece e ao magnetismo. O recolhimento é sempre vital para se focar no objetivo visado. Chegará um tempo em que a ação do magnetismo estará mais desenvolvida e especializada em vós, e estareis em maior relação com os Guias na sua aplicação; com esse ganho de experiência, de acréscimo de fé, esses elementos serão fatores dinamizados para futuros auxílios; a fé se comunicará de maneira mais intensa àqueles que receberem o magnetismo.

   O médium me pergunta porque ele sentiu tanta emoção durante a visita e as conversas com o menino. Digo que ele fora envolvido pelo Anjo do S., que estava bem próximo e lhe inspirava sentimentos de compaixão e ternura pelo seu protegido e por sua família; graças a essa proximidade foi possível interagir com o garoto, pois se não houvesse a participação do seu Anjo teríamos algumas dificuldades. O médium então sentia o amor do Anjo pelo garoto, e também a repercussão das emoções do Túlio, que estava acompanhado por mim. Ali, naquela cena, igualmente tocante para nós, o Túlio se arrependeu de forma integral; acompanhou a oração de maneira pacífica, e pediu para, no futuro, orarem com ele em favor do menino.

   3. Durante a aplicação do magnetismo no menino, ele disse ter sentido como se algo estivesse mexendo no seu estômago, quando o aplicamos naquela região. Poderia dizer-nos o que se passava?

   - Estava sendo retirada do seu estômago uma mistura de resíduos dos medicamentos e de fluidos nauseabundos. Ao serem retirados pelo vigor da vontade de aliviá-lo, ele sentia a movimentação dos fluidos. Nos próximos dias, perguntai à mãe sobre as mudanças que tem percebido em seu filho, pois elas já ocorrem. Nessa investigação ela observará algumas melhorias.

   Agora despeço-me, feliz pelo diálogo, e espero estarmos reunidos logo mais, quando dormirdes.

   4. Nós pedimos que o senhor nos atraia para perto de vós, de Jesus e dos nossos Anjos, quando nos emanciparmos daqui a pouco, a fim de nos instruirmos convosco.

(Por psicofonia, em 20 de novembro de 2021.)

 

Observações sobre a visita à família

 

   Quando explicamos ao menino o que é o magnetismo e para o que serve, e o convidamos a receber os passes magnéticos, num primeiro momento ele ficou um tanto assustado, foi para seu quarto e se negou a recebê-los. Veio-nos a inspiração para que mantivéssemos a calma e aplicássemos o magnetismo antes na mãe. Foi o que fizemos. Enquanto aplicávamos nela o magnetismo, ele voltou para onde estávamos, se sentou e ficou observando até que terminamos. A mãe demonstrou tranquilidade e disse ter sido muito bom receber o magnetismo. Perguntamos ao menino se ele gostaria de experimentar, e ele aceitou.

   Depois de termos feito os procedimentos indicados por Allan Kardec, veio-nos a ideia de retirar alguns fluidos na região do estômago do garoto e foi o que fizemos repetidas vezes, antes de aplicar-lhe fluidos calmantes. Em seguida, perguntamos a ele se tinha sentido alguma coisa, e ele disse que sim, que algo estava mexendo dentro do seu estômago, mas que depois parou e ele se sentiu bem. 

   Vale destacar que o papel do médium, Sr. C. K., foi essencial durante todo o tempo da visita, pois enquanto a evocadora conversava com a mãe, no mesmo ambiente em que estavam também os dois filhos, ele conversava com o garoto S., que pintava alguns desenhos em um caderno. Falava-lhe de Deus, dos Anjos Guardiães, da importância de se manter calmo em todas as situações, por piores que elas sejam. 

   Outro fato digno de nota é que S. é um menino muito amoroso com sua mãe e também muito grato. Ele ama seu irmão menor, e numa ocasião disse que assumiria o papel de pai dele, porque o pai, segundo ele, não se mostrava digno disso e anteriormente havia batido na sua mãe. Na porta da geladeira estavam pendurados vários bilhetes muito tocantes que S. escrevera para sua mãe. Num deles, escrito no dia 19 de outubro, dia do seu aniversário de dez anos, estava escrito na capa de uma folha dobrada: "10 anos com tigo". Na parte interna: "Obrigado, mãe, por tudo! Eu te amo muito. Obrigado por ter mi dado a vida! (Tinha três corações desenhados logo abaixo, ao lado do desenho de uma figura de mulher.)

   Quando dissemos que iríamos embora, S. disse que queria vir conosco, pois ficou muito apegado ao Sr. C. K.., com quem jogou bola por alguns minutos antes de tomarmos um lanche que eles haviam preparado para nos oferecer, com muito carinho.

   Enquanto tomávamos o lanche, S. se levantou, colocou-se onde todos podíamos vê-lo e, com a sinceridade digna da criança com a qual devem se assemelhar aqueles que querem o reino dos céus, disse-nos, com as duas mãos juntas, num gesto de reverência: "Muito obrigado por tudo o que vocês fizerem por nós!"

   A própria mãe ficou emocionada com aquela atitude tão espontânea e sincera de seu filho. Não precisamos dizer que a emoção também nos tomou e que nada mais tínhamos a dizer, senão elevar o pensamento a Deus e agradecer ao bom Pai por ter ouvido as nossas preces em favor daquela família tão sofrida, e que agora já vislumbra a luz da esperança.

   A mãe e os dois filhos nos acompanharam até o portão de saída do condomínio onde moram, sempre sorridentes e agradecendo pela visita e pela ajuda que receberam do grupo.

   Bendito Espiritismo! Salve nosso tão caro mestre Allan Kardec, presidente do grupo curador, sempre tão solícito!

 

Quinta conversa com Túlio

 

   Na sessão do Geak do dia 22 de novembro de 2021, evocamos o Espírito de Túlio para saber suas notícias.

   Eis a comunicação que recebemos:

   "Eu estou aqui, e hoje venho de outra forma a essa reunião. Não é fácil olhá-los nos olhos, porque venho como aquele que diminuiu muito o seu tamanho. 

   Tenho dois sentimentos dentro de mim neste instante: um de gratidão, porque um véu espesso e escuro que cobria meus olhos foi retirado e agora eu vejo coisas que não via; outro, ainda de um certo receio, porque preciso recomeçar e inicio por avaliar tudo o que me aguarda pela frente.
   Estive junto na visita que fizeram à família, e o que vi serviu para que eu pudesse ter ideia das consequências tão sérias do mal, e também da misericórdia de Deus, esse Ser que eu havia esquecido. Vi o trabalho que os Espíritos superiores, e outros que também lá estavam, tiveram para arrumar o estrago que eu fiz... Eles me mostraram a dor e o amor e também como é possível a dor unir e o amor curar. Curar não somente o garoto atormentado e a sua mãe, mas também a mim, que pude ver todo um passado se desenrolando diante de mim com detalhes, fazendo que eu visse o quanto fui culpado por tudo que aconteceu.
   Uma luz agora se acende e eu quero ver melhor. E quando perguntei aos bons Espíritos como poderia superar tudo isso, eles me disseram que era com o amor, e eu quero aprender sobre isso.
   Agradeço por terem se importado comigo."

Túlio
(Psicografado em 22 de novembro de 2021.)

 

Notícias enviadas pela Sra. L., no dia 24 de novembro de 2021

   "Nós estamos bem. O S. está bem. Anteontem à noite (dia 22) ele pediu para ler uma das preces, e depois que acabamos as preces, ele falou: mãe, faz aquele negócio que a Sra. X. fez em mim. Ele queria que eu fizesse o magnetismo, aí eu disse: faço sim. Eu nunca tinha feito, mas pedi muito a Deus que me desse condução, que meu Anjo da guarda tivesse ali e que eu pudesse ser útil. Então estamos nessa situação: às vezes damos um passo para traz, mas para dar dois para frente, mas tá tudo bem."

   Falamos para a Sra. L. que o Túlio, quando evocado nas primeiras vezes, ficava incomodado com a calma que sentia em nosso meio, e dizia que não queria sentir calma. Então ela respondeu:

   "É curioso, porque o S., quando estava nas crises, não se podia falar a ele na palavra calma. Dizer calma para ele era o mesmo que dizer: dragão guerreiro eu te invoco! Ao ouvir essa palavra ele se transformava. Ele não queria ouvir a palavra "calma". Se alguém falasse calma para ele, ele pulava, pulava, até dizer chega. Era muito difícil. Mas é bom saber o que está acontecendo porque aí a gente sabe como lidar com a situação. Nós continuamos orando, e vamos seguindo, porque os resultados estão vindo e nós estamos muito tranquilos com isso."

 

Notícias enviadas pela Sra. L., no dia 02 de dezembro de 2021

 

   "Nós estamos bem, com a graça de Deus! 

   Gostaria que soubesse que aqui estão acontecendo coisas lindas!

   Continuamos com as nossas orações, mas agora os meninos estão mais participativos.. eu leio algumas preces, outras eu leio e o M. (o filho de três anos) repete (porque ele também quer ler) e o S., além de ler algumas preces, há alguns dias tem pedido para fazer uma prece pelo Túlio (apenas por ele) e as palavras dele são: 'Deus, cuida do coração do Túlio pra ele melhorar e se sentir bem' ... e assim tem sido todas as noites."

   No dia 8 de março de 2022, a Sra. L. nos disse que o garoto estava muito bem, e que eles todos estavam felizes.

   Graças ao que ensina o Espiritismo, foi possível curar essa obsessão / possessão exercida sobre o menino S., de apenas dez anos, magro, mas que, quando tomado pelo Espírito obsessor ficava com uma força descomunal, que homens fortes não podiam contê-lo. Allan Kardec ensina, em suas obras, como se curam as obsessões, e não é com exorcismos. Eis o que ele diz:

   "Quase sempre a obsessão exprime uma vingança exercida por um Espírito, e frequentemente tem sua fonte nas relações que o obsidiado teve com ele em precedente existência.

   Nos casos de obsessão grave, o obsidiado fica como que envolto e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É desse fluido que é preciso desembaraçá-lo; ora, um mau fluido não pode ser eliminado por um mau fluido. Por uma ação idêntica à do médium curador, nos casos de enfermidade, é preciso expulsar o fluido mau com o auxílio de um fluido melhor.

   Esta é a ação mecânica, mas que nem sempre basta; é preciso também, e sobretudo, agir sobre o ser inteligente, ao qual é preciso ter o direito de falar com autoridade, e essa autoridade só é dada à superioridade moral; quanto maior for esta, tanto maior será a autoridade.

   Mas, ainda não é tudo: para assegurar a libertação, é preciso levar o Espírito perverso a renunciar aos seus maus desígnios; é preciso fazer que nasça nele o arrependimento e o desejo do bem, com a ajuda de instruções habilmente dirigidas, em evocações particulares feitas tendo em vista a sua educação moral; pode-se então ter a doce satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito.

   A tarefa se torna mais fácil quando o obsidiado, compreendendo a sua situação, dá sua contribuição de vontade e de prece; não é assim quando este, seduzido pelo Espírito enganador, se ilude sobre as qualidades de seu dominador, e se compraz no erro em que é mergulhado por este último, porque, então, longe de a secundar, repele toda assistência. É o caso da fascinação, infinitamente sempre mais rebelde do que a mais violenta subjugação. (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXIII.)

   Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso auxiliar para agir contra o Espírito obsessor."2

 

__________

1 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVII - Pedi e obtereis - Instrução dos Espíritos - Felicidade que a prece proporciona

2 A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo, cap. XIV - Os fluidos - II - Explicação de alguns fenômenos considerados sobrenaturais - Obsessões e possessões

 

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