Instruções dos Espíritos
Sobre os nossos preconceitos religiosos
No dia 10 de junho de 2013, ocasião em que evocamos nosso presidente espiritual Santo Agostinho no GEAK, para nos esclarecer se poderíamos estar sob alguma espécie de fascinação exercida por maus Espíritos, de ilusão sobre o que estávamos fazendo no grupo, ou algum outro tipo de influência perniciosa, recebemos dele a seguinte resposta:
- "Ilusão, sim, provocada e alimentada muitas vezes por Espíritos falsos religiosos que se aproveitam dos vossos preconceitos e hábitos do passado, tais como:
- uma crença cega e confortável na autoridade constituída;
- pouca experiência nas reflexões e na análise de ideias e raciocínios;
- falta de coragem para aceitar e viver em conformidade com a nova realidade que se vos apresenta pelo Espiritismo."
Embora as respostas de Santo Agostinho nos parecessem justas, sabíamos que precisaríamos empreender mais esforços para entender toda a extensão de suas palavras a fim de aproveitarmos bem aquele ensinamento para a nossa melhora moral. No entanto, dois anos se haviam passado desde que recebêramos aquelas respostas, sem que percebêssemos mudanças significativas nos trabalhos do grupo. Então, numa de nossas sessões, retomamos as respostas de Santo Agostinho e pedimos ao nosso professor de educação moral, Allan Kardec, que nos ajudasse a compreender melhor os escolhos apontados pelo nosso presidente espiritual.
Primeiro ensino
Admiração do bem pelo bem
1. Caro mestre, pedimos que nos ajude a entender o que significa o preconceito religioso que parece ainda nos caracterizar, e que dá margem às más influências.
Recebemos a seguinte resposta:
- "A ciência espírita deve ser vista por vós como instrumento de transformação moral. Os seus adeptos sinceros devem, pois, buscar sempre a própria melhoria, combatendo em si os germens do orgulho e do egoísmo que lhes atrasam os passos. Devem eles vencer as más inclinações e preparar-se sempre para novas provas, pois entendem que a vida terrena deve ser um contínuo aprendizado.
O preconceito religioso sobre o qual vos foi alertado tem por característica primeira a falta de reflexão sobre os próprios atos. Poucos se perguntam: 'Por que ajo desta maneira?' 'Qual é o móvel e o objetivo dessa minha ação?'. Tais perguntas devem ser feitas tanto com relação às mínimas ações, quanto com aquelas que aparentemente têm um impacto maior na vida. A crença de que as próprias ações não têm um porquê e não geram nenhuma consequência, ilude, com ar de inocência, a paralisia daqueles que não estão dispostos ao trabalho árduo de mudar a si próprios, mas cuja consciência já faz distinção entre o bem e o mal. Tomam, então, a admiração do bem pelo próprio bem, encontrando, do ponto de vista individual, a justificativa para permanecerem como estão.
Do ponto de vista do grupo, que é o conjunto dos indivíduos, há alguns aspectos que devem ser observados, como a progressividade do aprendizado e a aplicação dos conhecimentos já adquiridos. Num grupo onde o preconceito religioso não domina, quando um bom conselho for recebido todos se esforçarão para aplicá-lo e, provavelmente, dúvidas surgirão, pois há um detalhe na ciência espírita que nunca deve ser esquecido: sua aplicação é sempre individual; o entendimento e o efeito do conhecimento adquirido têm particularidades, pois deve-se levar em consideração a situação em que se encontra cada Espírito, daí o dinamismo que caracteriza o Espiritismo.
O modo como cada indivíduo se relaciona com as dificuldades é outro aspecto importante que eu gostaria de vos lembrar; quando surge um problema, o preconceito religioso faz com que se entenda tal problema como punição; ao contrário, aquele que deseja a verdade busca rearranjar as variáveis e repete quantas vezes sejam necessárias as tentativas para encontrar a solução. Ademais, apresenta o problema para que outros, livres das prevenções e das pressões exercidas sobre o grupo, o analisem e se possa então melhor observá-lo; por isso o grupo deve alegrar-se quando novos grupos espíritas sérios surgem.
Utilizar as ferramentas da ciência espírita é bem simples, mas exige firmeza de caráter, vontade constante e um desejo sincero de melhorar-se; se agirdes assim, unindo a essas qualidades a humildade de coração, sempre tereis os bons Espíritos ao vosso lado para vos sustentar os passos."
Allan Kardec.
(Psicografada em 6 de janeiro de 2015.)
Segundo ensino
Crença cega e confortável na autoridade constituída
Ainda com intuito de compreender melhor a respeito dos nossos preconceitos religiosos, evocamos novamente Allan Kardec e lhe fizemos a seguinte pergunta:
1. Caro Mestre, ajude-nos a compreender melhor o preconceito religioso que ainda atrapalha o nosso progresso, e que o nosso presidente espiritual chamou de "crença cega e confortável na autoridade constituída."
Recebemos a seguinte resposta:
"Meus amigos,
O objetivo essencial do Espiritismo é a transformação do homem, descortinando-lhe uma verdade que até então o influenciava, mas que ele não entendia como isso ocorria. A busca pela verdade tem, nos preconceitos e nas ideias preconcebidas adquiridas pelo Espírito ao longo do tempo, dois dos seus grandes empecilhos. Tudo o que alimenta essa postura, egoísmo, orgulho, vaidade, interesse próprio, atrapalham o avanço que o Espiritismo veio propor e poderia operar em cada indivíduo.
Um desses grandes preconceitos a ser vencido é o chamado preconceito religioso. As religiões, como instituição, garantem a sua legitimação pela apropriação da verdade e passam a defender sua interpretação como defende-se uma propriedade do ataque dos ladrões. Assim, todo aquele que entende diferentemente daquilo que foi estabelecido como verdade passa a ser visto como uma ameaça, pois pode vir a ferir-lhes os interesses institucionais. As religiões constituídas têm como característica principal o esforço para se perpetuarem e para convencer seus adeptos a aceitarem os seus dogmas, sem questionamentos.1
O Espiritismo, ao contrário, por ser uma ciência moral e filosófica, exige de seus adeptos uma permanente busca da verdade, e esclarece que é pelo esforço constante por se melhorar que chegarão a uma melhor compreensão do que é a verdade.
Digo-vos que o entendimento das leis divinas se consolida na vivência das virtudes que já conheceis, virtudes estas que alavancam o vosso saber para um outro patamar. As comunicações regulares com os Espíritos são fundamentais neste processo, porque vos levam a compreender desde já o vosso destino futuro. Podereis dizer que já possuís tal certeza e não precisaríeis assim refazer os passos dados. Embora parte deste pensamento esteja correto, ele pode apresentar uma armadilha à qual deveis estar atentos; não seria tal crença obtida pela autoridade religiosa de que vos falei acima, adquirida mais por ouvir dizer do que uma convicção fruto do trabalho da própria razão? Porém, se a vossa crença for sincera, ela deverá ter modificado o vosso caráter e o vosso comportamento. No entanto, digo-vos que ainda assim deveis continuar buscando o auxílio dos vossos guias e interagindo com os diversos Espíritos que vos cercam, pois agora tereis novas perguntas e novas habilidades que vos ajudarão a trabalhar com mais eficácia pelo vosso próprio progresso e, por conseguinte, pelo da humanidade. O saber adquirido por ideias preconcebidas tende ao comodismo; o saber verdadeiro busca incessantemente aperfeiçoar-se, porque está sempre unido à humildade de coração."
Allan Kardec.
(Psicografada em 16 de janeiro de 2015.)
Terceiro ensino
Armadilha do período religioso
Lemos o que está escrito no item 12 do cap. XIX, "A fé humana e a divina", que diz: "Até ao presente, a fé não foi compreendida senão pelo lado religioso, porque o Cristo a preconizou como poderosa alavanca, e porque se viu nele apenas o chefe de uma religião." Pensamos que talvez estejamos vendo em Allan Kardec apenas o chefe de uma doutrina, e isso caracterizaria em nós a crença cega na autoridade constituída. Esse raciocínio está correto? Poderia desenvolver melhor essa ideia?
Eis a reposta:
"Percebestes a armadilha do período religioso. Vede que, baseados na autoridade do chefe, ao qual dão poderes excepcionais, muitos espíritas creem que assim espalharão a verdade, apenas pela repetição do que está escrito nos livros, tidos então por sagrados. Esquecem, porém, que inúmeros inimigos do Espiritismo existem e que se aproveitam da tendência de certos adeptos a tomar a simples admiração do bem pelo bem, para impor seus objetivos de dominação. Nada mais propício para Espíritos e homens que querem ter seus rebanhos para guiar, do que impedir que seus seguidores se esclareçam pelo uso da própria razão, e assim se emancipem espiritualmente pelo entendimento e a prática das leis de Deus.
Para que o Espiritismo continue sua marcha progressiva é preciso que os Espíritos superiores encontrem espaço nos grupos espíritas, e assim possa, cada um de seus membros, obter um bom entendimento dos ensinos morais do Cristo e desenvolver a fé racional e inabalável em Deus e nas suas leis.
Quantos problemas se vos apresentam, para os quais não tendes solução, e esqueceis de perguntar como nós vemos tal situação? Quantos acontecimentos não acompanhais nas mídias, e sobre os quais poderíamos vos instruir, mas esqueceis de utilizar as ferramentas que o Espiritismo vos oferece para melhor compreenderdes, embora não vos canseis de comentá-los, até mesmo vos esquecendo da indulgência?
Crede, meus amigos, a ciência espírita não veio para ficar restrita ao século XIX, ela deve ser dinâmica e servir ao progresso moral da Humanidade até que ele se realize por completo na Terra, pois o seu objeto de estudo é atemporal. Com o estudo sério e continuando, podereis ter sempre novas perguntas a fazer aos Espíritos e obterdes assim novos esclarecimentos. Não imagineis a ciência espírita como sagrada, no sentido de intocável, nem que seja preciso defender seus ensinos como se defendem os bens dos ladrões; o seu caráter, reafirmo, é o da investigação constante para que possais vos melhorar e vos aproximar cada vez mais de Deus. Não vos recomendo uma crença cega, mas vos proponho uma maneira de refletir, de instruir-vos no estudo com os Espíritos. Sabemos que o aprendizado é individual, mas ele gera o bem comum. Crede, amigos, quando aplicais a ciência espírita com este objetivo é que expressais verdadeiramente a amizade que tendes por mim.
Allan Kardec
(Psicografada em 19 de janeiro de 2015.)
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1 A Gênese - A Gênese segundo o Espiritismo, cap. I - Caráter da revelação espírita, item 8

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