Nicolau de Bari e seu encontro com Jesus
Um pequeno grupo de amigos aproveitou o feriado de Páscoa, em abril de 2025, para fazer estudos com os Espíritos sobre diversos temas. Foram cinco dias de estudos proveitosos.
Na sexta-feira santa foi lida e comentada a dissertação número 6, do Espírito de Verdade, de O Evangelho segundo o Espiritismo.1
Em seguida, o Espírito de São Nicolau de Bari foi evocado, dirigindo-se a ele as seguintes palavras: nós vos agradecemos sinceramente pelas boas e tocantes palavras que nos ditou no dia de Natal do ano passado, como cristão verdadeiro que sois. (Trata-se do artigo: A fé é posta à prova em momentos graves.)
Eis a resposta do Espírito:
"Amados, já estou entre vós e muito me felicito pela cuidadosa leitura e pelo visível entusiasmo que de vossos corações irradiava. Que eu possa, com as bênçãos do Cristo, trazer respostas satisfatórias às vossas questões."
1. O senhor aceita ser um dos nossos guias nesta nossa encarnação, e inspirar-nos a fé quando ela nos faltar?
- "Aceito com imensa alegria."
2. Conhecera o Cristo antes da vossa encarnação no terceiro século, como Nicolau?
- "Sim. Eu fui um dentre os pequeninos que se aproximaram do Cristo, citados nos evangelhos."2
3. Qual era seu nome então?
- "Ivã."3
4. Poderia contar-nos como foi que conhecera o Cristo e o que isso significou para o senhor?
- "Num amanhecer doce, após uma madrugada fria, estar diante do mais luminoso dos sóis aquece e dá claridade à vida de quem se abre a uma nova aurora.
Eu, uma criança pobre e gozando da "liberdade" de quem compartilha a infância com muitos irmãos tive, em meu contato com o belo Nazareno um momento da mais perfeita alegria. Ele era alto e de uma feição resplandecente; sua voz era suave, mas de um alcance inigualável.
Estávamos a brincar, em nossa singela despreocupação de criança, quando ouvimos sua voz e fomos atraídos a ele. Um magnetismo sem comparação fez com que esquecêssemos qualquer noção de boas maneiras, frente aos adultos que dele estavam próximos, e fomos abrindo espaço entre eles para nos aproximar daquele homem singular. Naquele dia, todos nós tivemos nossas vidas renovadas; nossas posteriores encarnações, bem como os períodos de erraticidade, foram totalmente entregues à comunhão com o nosso bom Pastor."
5. Na dissertação que lemos no início, o Espírito de Verdade disse, a respeito das nossas almas: "e eu, o jardineiro divino, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos." Podeis instruir-nos sobre como devemos praticar o silêncio em nossos pensamentos, a fim de que o Jardineiro divino possa nos ajudar?
- "Tal silêncio pode ser comparado à imagem das águas límpidas de um lago numa noite sem vento; é a calmaria, a ausência de agitação que faz a lâmina d'água servir de espelho à lua plena e majestosa. O silêncio do pensamento é a disposição da alma que se recolhe numa tranquilidade consciente, numa postura humilde, sem agitações, para receber as ternas claridades do pensamento regenerador do divino Jardineiro. Já vos foi dito em outra oportunidade que a tranquilidade é condição indispensável para que tomeis boas decisões; para que o discernimento seja bem exercido e as virtudes possam ser cultivadas.
Ocorre que nesses tempos de ruídos, de pressa e de ansiedades, o mais comum é que o silêncio se torne insuportável. Vemos tantas pessoas que, ao despertarem na madrugada, presas da insônia e da angústia dos dias mal vividos, se desesperam pelo simples fato de se acharem a sós com seus próprios pensamentos. A agitação interna, ao invés de ser acalmada, é aumentada pela busca irrefletida dos ruídos confusos e perturbadores do exterior. Mesmo tendo a opção de buscar o encontro pacífico consigo mesmo, de fazer boas e úteis reflexões, de elevar o pensamento a Deus, o insone escolhe, na maioria das vezes, entregar-se a algo sonoro, colorido e fugaz que lhe distraia, fazendo com que se distancie de si mesmo e de Deus.
Silêncio do pensamento, portanto, assim o entendo, é a tranquilidade da alma, cultivada de maneira humilde, a fim de receber e absorver pelo intelecto e pelo coração as verdades divinas que lhe chegam quais as suaves luminescências da lua."
6. Como o senhor vê o dia de hoje, em que a crucificação do Cristo é lembrada por grande parte da Humanidade?
- "Mesmo que essas celebrações de origem católica algumas vezes sejam vividas mais nas aparências, ou na superficialidade que o comércio incentiva, grande número de indivíduos guarda dias como o de hoje para refletir, meditar sobre a vida do Cristo em sua passagem pela Terra e sobre a própria vida. A crucificação, as dores do Messias, ainda podem tocar as almas que desconhecem a verdadeira essência de seus ensinos. Apesar de um certo apego a imagens fortes, com certa dose de desequilíbrio e até de irracionalidade em certas celebrações, observamos alguns efeitos benéficos. Estes são inícios de certa sensibilização que servem para que almas até pouco tempo indiferentes, possam dar espaço à mensagem que, aos poucos, suplanta as cores vivas e tristes da sua paixão, dispondo-se assim a ouvir a Boa Nova de um Cristo distante do madeiro, mas próximo de seus irmãos e que, com todo o seu amor, convida-os à renovação, pela fé e a esperança inabaláveis."
7. O senhor teria algum assunto de sua preferência sobre o qual gostaria de nos instruir em momento oportuno?
- "Ao contrário do que sugerem algumas lendas, sempre busquei cultivar a calma e a paciência. Esta última, por sinal, foi palavra de ordem em muitas oportunidades em minha vida. Proponho-me, humildemente, a tratar dessa virtude quando for possível; isso me trará muita satisfação, pois creio que ela é útil em qualquer época."
8. Algo mais que gostaríeis de nos dizer, ou podemos encerrar por ora?
- "O diálogo, ouvir e falar, é o que mais me entusiasma e me alimenta o íntimo. Porém, hoje não nos é possível continuar por causa das limitações da matéria. Teremos, se nosso Pai o permitir, e sob a orientação de nosso mestre, outras tantas oportunidades. Chamai-me, e estarei convosco.
Vosso amigo e servidor,
Nicolau de Bari."
(Psicografada dia 18 de abril de 2025.)
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1 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI - O Cristo consolador - Instruções dos Espíritos - Advento do Espírito de Verdade, item 6
2 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VIII - Bem-aventurados os que têm puro o coração - Deixai vir a mim as criancinhas
3 O nome Ivã, forma russa de João, derivado do nome hebraico Yohanan, e do grego "Ioann?s. (Infopédia - Dicionário Porto editora.) Esse fato era desconhecido do grupo.

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