PERIÓDICO DE DIVULGAÇÃO DO ESPIRITISMO PRÁTICO
Foi o egoísmo que me derrotou - Um suicida
01 / AGOSTO / 2025
Foi o egoísmo que me derrotou

 

Henrique, um suicida

 

   O jovem Henrique morava com sua mãe, funcionária pública, que vinha enfrentando problemas com o alcoolismo e estava separada do pai dele há anos. Com pouco mais de vinte anos de idade o jovem se casou e foi morar com sua esposa. Tiveram uma filhinha, fruto desse casamento. No entanto, as disputas entre sua mãe e sua esposa, por sua companhia e sua atenção, o levaram ao desespero e ele acabou fraquejando: suicidou-se no final do ano de 2019.

   Seu tio, que é espírita, sempre lhe dava apoio, conselhos, e o convidava a participar das reuniões espíritas em seu lar. Henrique até participou de algumas sessões, recebeu conselhos do Espírito de sua avó materna, mas não deu prosseguimento ao estudo do Espiritismo.

   Algum tempo depois de sua morte, seu Espírito foi evocado por seu tio, por um outro médium do grupo, e teve com ele a conversa que se segue.

   Evocação.

   - Que bom, meu tio, ouvir a tua voz a me chamar.

   1. Qual é sua situação?

   - Eu me sinto um desgraçado. Agora percebo claramente o erro que cometi.

   2. Percebe as orações que temos feito por você?

   - Tenho sentido... são pequenos clarões que trazem um pouco de alívio.

   3. Tem pedido a ajuda de Deus?

   - Não.

   4. Pense no bom Pai, que perdoa os filhos que se arrependem, porque conhece as fraquezas humanas. Peça a Deus que lhe perdoe, que lhe dê uma nova oportunidade para refazer o caminho.

   - Não sei, meu tio, se eu mereço esse perdão. Hoje eu percebo que fui muito egoísta fazendo o que fiz, por não ter buscado ajuda, pois agora sei que podia ter buscado ajuda. Não sei como não lembrei de vocês, deste grupo familiar, que são meus amigos, e me deixei precipitar no abismo! Agora que estou aqui, que consegui ouvir esse chamado, entendo que vocês podem me ajudar, porque o sofrimento que sinto é terrível. É um sofrimento muito grande... que me acompanha desde aquele momento fatal...

   5. Todos nós aqui temos pedido a Deus por você e por sua família, a fim de que todos tenham força para suportar essa prova com fé.

   - É bom ouvir isso. Agora eu até me envergonho por não ter sido forte, por ter tido essa fraqueza, e isso só aumenta o meu sofrimento. Suas palavras me remetem àqueles momentos em que você me falava sobre o Espiritismo. Por que eu não consegui lhe pedir ajuda, meu querido tio!? Por que não lhe abri o meu coração enquanto era tempo!? Agora vejo que o sofrimento pelo qual eu passava, o sofrimento que me levou a fazer o que fiz, era grande, mas só agora vejo que poderia ter sido evitado. O pior é que sei que a minha família sofre, percebo o sofrimento que causei sobretudo à minha mãe. E como isso dói, como machuca e aumenta cada vez mais a minha culpa... Isso tudo me apavora.

   6. Agora o momento é de pedir a Deus que lhe ajude, que lhe dê forças para superar o sofrimento e seguir em frente. Se você desejar, nós podemos fazer agora com você a prece que Jesus ensinou.

   - Quero, sim. Agradeço muito por me chamarem, e quero, sim, rezar com vocês, me ajudem! Preciso ser ajudado, porque me sinto enfraquecido, mas desejo pedir a misericórdia de Deus.

   7. Após ter sido feita a Oração Dominical, Henrique disse:

   - Eu espero que vocês me chamem outra vez. É tão bom saber que alguém que se importa comigo... apesar de tudo!

   8. Vamos continuar orando por você. Ore você também, com confiança em Deus, que ele te dará forças.

   - Muito obrigado. Vou gravar bem essas palavras, tio, e vou fazer o que você está me aconselhando.

   9. Que Deus o abençoe.

Henrique

(Por psicofonia, pela Sra. L., dia 9 de janeiro de 2020.)

 

   Numa outra sessão, Henrique comunicou-se espontaneamente nestes termos:

   - Eu preciso falar...Eu preciso falar, se vocês me permitirem.

   1. Sim, pode falar.

   - Eu ouvi que falavam sobre os erros humanos e o arrependimento, e eu errei, cometi muitos erros nessa minha vida, mas o maior erro foi o suicídio. Meu Deus, como me arrependo. Quanta dor, quanta dor! E tudo por orgulho, por fraqueza. Hoje percebo o sofrimento da minha família! Minha filha... que precisa tanto de um pai... Por que o meu amor por ela não foi maior que o meu egoísmo?!

   2. Você consegue fazer alguma coisa por elas hoje?

   - Não. O remorso corrói a minha alma. Por enquanto é só sofrimento, eu conto com as preces de vocês para que eu consiga sair dessa situação e fazer algo por elas, talvez o que deixei de fazer em vida. Peço a Deus que me ajude a ser útil um dia.

   3. Nós pedimos a Deus que lhe ajude a compreender as leis divinas e se fortaleça, com fé na bondade e na misericórdia do Pai.

   - Eu agradeço e peço que orem por mim.

   4. Continuaremos a orar por você, Henrique. Que Deus tenha misericórdia do seu sofrimento e o alivie. O arrependimento sincero lhe ajudará.

Henrique 

(Por psicofonia, tendo por médium o seu tio, dia 16 de abril de 2020.)

 

   O grupo nunca deixou de orar por esse Espírito, que tanto sofria. Numa outra oportunidade ele ditou ao seu tio as seguintes palavras:

   "Eu ainda sofro com as lembranças daquele momento infeliz, mas pelo menos agora eu vejo que, na medida em que tenho admitido o quanto o meu orgulho agiu e ainda age sobre mim, reconhecendo isso em minha alma, tenho recebido a ajuda desses bons Espíritos que me falam de esperança e de fé. O arrependimento ainda é para mim muito doloroso, mas necessário, porque antes eu perguntava a Deus porque ele tinha me abandonado, agora eu digo: meu Deus, por que eu o abandonei!?

Essa oportunidade de me comunicar aqui, tio, é um refrigério para mim, pois recordo todo o carinho que já recebi de vocês. Lembro que foi sentado ao redor de uma mesa, como essa, que me deram a oportunidade de aprender sobre as leis de Deus, e eu não aproveitei. Mas eu sei que Deus é bom e logo quero poder reparar tudo o que fiz, e o conhecimento que agora busco aqui há de me ajudar. Obrigado por tudo o que fizeram e ainda fazem por mim."

Henrique

(Psicografada por seu tio, dia 21 de setembro de 2022.)

 

Sessão familiar do dia 25 de fevereiro de 2025

 

   Passados alguns anos, durante os quais o grupo sempre fez preces pelo Espírito de Henrique, ele foi evocado novamente para dar notícias de sua situação.

   - Estou aqui.

   1. Quem nos fala?

   - Henrique. Fico muito feliz por poder vir aqui de novo.

   2. Gostaria de contar-nos algo, antes de lhe propormos algumas perguntas que preparamos?

   - Estava pensando em como eu poderia chegar aqui, agradecer, e não consigo achar outras palavras que não sejam "muito obrigado", de todo o meu coração. Se não fossem as preces, os bons pensamentos que me dirigem, meu sofrimento teria sido muito maior do que foi. Quando ainda estava no corpo, eu achei, pela ilusão, pela fraqueza, que se eu saísse da vida poderia "dar um tempo", como se diz, para resolver as coisas, mas foi uma infeliz dedução, uma covardia moral. Depois, ainda me dei conta de que essa não foi a primeira vez que fugi da vida pelo suicídio, o que foi um peso bem grande para mim. Ao mesmo tempo, tive a certeza de que, se eu cultivar bem a minha alma de agora em diante, jamais farei isso de novo. Agora eu sei que só entrando num corpo novamente para enfrentar a mim mesmo é que irei progredir.

   3. Se você ainda sofre, poderia dizer-nos de que natureza é o seu sofrimento?

   - Sim, ainda sofro. Quando eu consegui ter mais consciência do que fiz e me veio o remorso, eu quis ver aquelas que eu amo, que deixei de maneira tão egoísta. Mas isso ainda não me é permitido, o que me gera um grande sofrimento, porque eu queria poder pedir perdão a elas, bem de perto, mas não posso. Eu sofro, mas entendo por que sofro, e sei que a punição do egoísta é ficar consigo mesmo por um tempo... ironicamente como eu queria... (O Espírito fala essas coisas chorando).

   4. O que lhe impede de visitar sua mãe, sua esposa e sua filhinha?

   - Não consigo me aproximar delas. Eu desejo, eu quero, eu vou, mas nunca chego...

   5. Então não há uma proibição formal? 

   - Não, mas a questão é que eu nunca chego...

 

"Pelo estudo da situação dos Espíritos, o homem sabe que a felicidade e a desgraça, na vida espiritual, são inerentes ao grau de perfeição e de imperfeição; que cada qual sofre as consequências diretas e naturais de suas faltas, ou, por outra, que é punido naquilo em que pecou; que essas consequências duram tanto quanto a causa que as produziu; que, por conseguinte, o culpado sofreria eternamente, se persistisse no mal, mas que o sofrimento cessa com o arrependimento e a reparação; ora, como depende de cada um o seu aperfeiçoamento, todos podem, em virtude do livre-arbítrio, prolongar ou abreviar seus sofrimentos, como o doente sofre, pelos seus excessos, enquanto não lhes põe termo."1

 

   6. Você já fez um movimento sincero sobre si mesmo, colocando-se de alma aberta diante de Deus, para pedir a ele que lhe perdoe e lhe dê uma nova oportunidade?

   - Sim, eu pedi perdão a Deus, e foi quando pude me aproximar da minha avó e de outros Espíritos familiares. Foi aí que eu soube que Deus estava ouvindo o que eu pedia, porque antes eu sentia uma dor que não dá para explicar...

   7. Você nos disse que não foi a primeira vez que se suicidou. Então se lembra de outras existências, anteriores a essa sua última?

   - Sim, lembro. Posso falar um pouco, dentro do que me é permitido. As facilidades que eu tinha numa encarnação anterior, as condições materiais favoráveis, me levaram a negligenciar as coisas mais importantes, a negligenciar principalmente aqueles que por mim tinham tanto amor e carinho. Eu sempre fugi, sempre usei de subterfúgios para fugir das responsabilidades. E, quando reencarnei como sobrinho do médium, tinha assumido um compromisso, uma responsabilidade que eu sabia que teria de levar até o fim, mas fui fraco...

 

Observação: o médium, tio de Henrique, comentou que o sobrinho era de fato revoltado por não ter uma condição financeira melhor e ter que trabalhar para prover o sustento.

 

   8. As nossas preces lhe têm sido úteis?

   - Muito, muito úteis. Sabe quando você está no meio de um barulho bem alto, num local onde só se ouvem ruídos estridentes? Então você entra numa sala, fecha a porta e está tudo calmo. Era como eu me sentia nos primeiros tempos após a morte, e era como sentia o efeito das preces. Hoje ainda sofro, mas é diferente.

   9. Algo mais que nós possamos fazer por você?

- Só peço que continuem com as preces por mim para que eu tenha forças. Eu quero estar aqui para aprender a ter fé, a fé verdadeira, sobre a qual vocês estão estudando.

   10. Se nossos estudos lhe fazem bem, venha sempre que quiser.

   - Eu virei, com certeza eu virei.

   11. Que Deus o abençoe.

   - Amém.

Henrique

(Por psicofonia, por seu tio, dia 25 de fevereiro de 2025.)

 

Sessão do dia 18 de março de 2025

 

   Evocação do Espírito de Henrique.

   - Estou aqui e quero agradecer, porque tem sido muito importante para mim vir aqui novamente conversar com vocês. Tem sido importante acompanhar os estudos sobre a fé, pensar mais em Deus.

 

Observação: vemos aí a importância das reuniões espíritas no lar, do estudo das obras de Allan Kardec, pois assim se dá oportunidade para que os Espíritos familiares também possam buscar aí a própria instrução. Veja-se o artigo: Reuniões Espíritas no Lar I - Espiritismo consolador.

 

   1. Essas nossas conversas lhe ajudam de alguma maneira a aliviar seus sofrimentos?

   - Sim, me ajudam muito, porque eu sempre pensava: "tudo bem, eu sei de tudo o que fiz, sei também que tudo o que estou passando é bem merecido". Porém, durante a conversa passada percebi que essa era apenas uma maneira de lidar com uma certa revolta. Ao entender que o sofrimento pelo qual tenho passado é uma oportunidade de progredir, e ainda poder estar próximo dos meus familiares mortos e de vocês, não posso mais ter esse sentimento de revolta. Sim, agora eu me sinto melhor, mais aliviado.

   2. Poderia contar-nos o que mais contribuiu para que você vencesse a revolta, que parece não ser de hoje em seu Espírito?

   - Foi conseguir perceber que junto com o sofrimento e a dor, havia uma oportunidade. Abriu-se uma porta, quando me dispus a encarar a verdade sobre mim mesmo, quando me dispus a admitir as minhas fraquezas. Foi então que entendi que a encarnação que Deus nos impõe é para vencermos as nossas imperfeições e assim sermos verdadeiramente felizes. Então, o sofrimento e a dor não são uma punição gratuita, mas uma oportunidade de refletir sobre as próprias ações. Isso muda tudo.

 

"Quem é, com efeito, o culpado? É aquele que, por um desvio, por um falso movimento da alma, se afasta do objetivo da criação, que consiste no culto harmonioso do belo, do bem, idealizados pelo arquétipo humano, pelo Homem-Deus, por Jesus-Cristo.

"Que é o castigo? A conseqüência natural, derivada desse falso movimento; uma certa soma de dores necessária a desgostá-lo da sua deformidade, pela experimentação do sofrimento. O castigo é o aguilhão que estimula a alma, pela amargura, a se dobrar sobre si mesma e a buscar o porto de salvação. O castigo só tem por fim a reabilitação, a libertação. Querê-lo eterno, por uma falta não eterna, é negar-lhe toda a razão de ser." Paulo, Apóstolo.2

 

   3. Compreende hoje que o sofrimento é a consequência de suas próprias ações moralmente livres?

   - Sim, completamente. É minha responsabilidade, só minha.

 

   "A perspectiva da responsabilidade fora da lei humana é o mais poderoso elemento moralizador: é o objetivo ao qual conduz o Espiritismo pela força das coisas."3

 

   4. Essa compreensão é importante, pois nos dá a esperança de, ao evitar ações que nos levem a tais consequências, teremos resultados melhores, não é mesmo?

   - Sim. Evitar sofrimentos futuros só depende de mim, agora, de mais ninguém.

   5. Parece que as suas ideias estão mais claras quanto ao futuro.

   - Sim, tenho pensado a respeito e sei que preciso dar mais alguns passos adiante.

   6. Tem pensado em uma nova encarnação?

   - Sim, mas ainda há mais coisas para eu pensar, porque as minhas ações causaram sofrimento não só a mim, mas também a outras pessoas. Tenho pedido a Deus que me ajude a fazer o melhor, independente de como, mas que seja o melhor.

   7. Se você tiver fé em Deus certamente terá a coragem para enfrentar suas provas.

   - Sim. Eu ainda estou pensando sobre isso, e como já me disseram, uma coisa de cada vez, mas agora com mais fé e mais firmeza.

   8. Você já conseguiu se aproximar da sua mãe, da sua esposa e da sua filha?

   - Não, ainda não. Mas, depois da nossa conversa em que eu pude, de alguma maneira "colocar isso para fora", como um desabafo, eu também comecei a pedir a Deus que eu pudesse compreender a razão disso. Agora eu sei que poderei futuramente estar com elas. Já tenho pedido a Deus que as proteja, que as ajude, que elas tenham mais fé. Peço para que a lembrança triste daquilo que eu fiz se apague da memória delas. Tenho pedido isso a Deus.

   9. Você nos disse que teria tido uma boa condição financeira na sua penúltima encarnação. Se era rico, o que o levou a se suicidar?

   - Foi o vazio. Foi sempre a busca de algo que eu não entendia o que era. Era um vazio por ter tudo e não ter nada; de querer sempre mais e olhar só para mim mesmo, como se eu fosse o centro do universo.

   10. Há algo mais que possamos fazer por você, além das preces?

   - Vocês já me ajudaram tanto! Quero agradecer por estar nesse grupo, por nunca terem esquecido de mim. Vocês não podem imaginar o quanto as preces e as boas lembranças, que guardam de mim, são importantes. Eu agradeço sinceramente por tudo, e peço que continuem lembrando de mim e fazendo as preces, pois com isso me fazem muito bem.

   11. Nós queremos vê-lo feliz. Continuaremos a pedir a Deus por você, com toda a sinceridade da nossa alma. Você gostaria e poderia, com a permissão de Deus, vir numa próxima oportunidade contar-nos como foi a sua passagem e o que se passou nos primeiros tempos depois da morte?

   - Sim, eu virei. Pode ser que seja bom para o aprendizado de todos, e isso seria bom para mim também. Muito obrigado por tudo.

Henrique

(Por psicofonia, pelo seu tio, dia 18 de março de 2025.)

 

   Enquanto Henrique se comunicava por intermédio de seu tio, pela fala, o Espírito do seu avô Sr. G., que conheceu o Espiritismo quando vivo, ditou espontaneamente, por outro médium, a seguinte comunicação:

 

É sempre uma questão de escolha

 

   "Quando estamos no corpo, por mais que nossa inteligência nos permita compreender as leis de Deus pelo estudo do Espiritismo, somos como cegos: a verdade à nossa frente e a venda do orgulho e do egoísmo tapando nossos olhos. Parece que a ideia da imortalidade do Espírito é transferida, em nossa percepção, para a imortalidade da matéria.

   Com essa ideia errônea perdemos a oportunidade de colocar em prática o que nos comprometemos a fazer antes de nascer. É realmente lamentável, pois isso nos traz como consequência grandes sofrimentos, e o arrependimento vem como uma lâmina que corta fundo; pois tudo se passa em nossa memória, todos os momentos vividos no corpo e cada escolha que fizemos, escolhas que, com um pouco mais de boa vontade, poderiam ter mudado o rumo de nossas vidas.

   A obediência às leis de Deus traz a felicidade, sabemos disso. De certa maneira percebemos o que somos e o que nos afasta do Pai, ou seja, o que precisamos vencer em nós mesmos. No entanto, apegamo-nos às desculpas que justifiquem nosso comportamento, mantendo os mesmos hábitos; assim continuamos, deixando passar muitas oportunidades de sermos melhores, de sermos bons filhos de Deus; oportunidades de deixar bons exemplos aos que nos observam, encarnados ou desencarnados. 

   Digo isso, porque ainda hoje luto comigo mesmo, porque agora com clareza sei que tudo poderia ter sido diferente, era só uma questão de escolha.

   Que Deus os abençoe,

G."

(Psicografada pela Sra. N., dia 18 de março de 2025)

 

Sessão do dia 30 de maio de 2025

 

   Evocação do Espírito de Henrique.

   - Estou aqui, e digo que é muito importante para mim poder vir.

   1. Pode dizer-nos o que vê nesta assembleia aí desse lado da vida?

   - Vejo os Espíritos bons, que estão aqui formando uma barreira de proteção, inspirando a todos. Vejo também os Espíritos familiares e percebo que o ambiente é tão bom...

   2. Tem vindo sempre participar dos estudos neste grupo?

   - Sempre que possível, eu venho.

   3. O que lhe impede, quando você não vem?

   - Quando eu me sinto ainda muito abalado comigo mesmo. Eu sei que essa é uma fraqueza que eu preciso vencer, mas fico isolado, insistindo nesse mau hábito que tenho que vencer. Os bons Espíritos já me disseram que só depende de mim, e eu sei que quando venho estudar com vocês é tão bom, pois me fortaleço, recebo um abraço, alivio um pouco a minha consciência. É isso.

   4. Então é só lembrar desses benefícios e vir sempre se instruir com esses bons Espíritos e aquecer a alma junto aos familiares vivos e aos mortos.

   - Sim, é assim mesmo.

   5. Já compreendeu o que lhe impede, em sua alma, de se aproximar da sua mãe, sua esposa e sua filha? 

   - Sim, agora eu consigo entender melhor. Sei que é uma punição pelo que eu fiz. Sei também que é a minha própria condição de Espírito, a minha condição íntima, que me impede. Entendo que é porque eu queria vê-las desesperadamente e esse desespero só poderia causar mais sofrimento, mais aflição a elas. Seria um acréscimo de aflição à minha mãe, que muito sofre, que se sente tão culpada pelo que aconteceu... Então, agora vejo que se trata de uma punição, mas também de uma bênção. Eu queria desesperadamente estar com elas, assim como foi desesperadamente que eu saí de perto delas da maneira que vocês sabem. Agora eu compreendo a lição e sei exatamente por que isso acontece. 

   No entanto, digo que hoje Deus já me permite vê-las de mais perto, e não posso deixar de agradecer a vocês por isso, porque as preces que fazem por mim, as boas lembranças, o desejo de que eu me liberte, têm me dado uma força que eu nunca tinha sentido antes. Eu ainda fujo, ainda fico no meu casulo, fermentando as minhas dores, as minhas dificuldades, como eu fiz quando no corpo, mas agora estou tendo mais força do que tinha antes. É uma força que eu achava que jamais iria ter. Eis a minha maior punição: pensar que essa situação nunca iria passar, nunca teria fim, que nunca ia conseguir, nem mesmo o perdão de Deus...

   6. Graças a Deus, Pai justo e misericordioso, que ouviu nossas preces e permitiu que você quebrasse essa primeira barreira. Nós ficamos felizes por você estar numa melhor situação.

   - Eu agradeço muito.

   7. Pode descrever para nós como foi a sua passagem ao mundo dos Espíritos, depois do suicídio.

   - Sim, eu posso, devo e quero dizer como foi. Quando cometi aquele ato, eu pensava que a morte faria cessar todas as minhas dores, que eu ficaria como anestesiado, ou apagado por um tempo. Porém, a minha surpresa maior foi que, imediatamente após eu cometer suicídio, já ouvia as vozes daqueles que me induziram, que me incentivaram a fazer o que fiz. Eles zombavam de mim, da minha fraqueza, dizendo que agora eu tinha conseguido exatamente o que eu queria. Então eu vi que não tinha apagado, como pensava. Percebi que tinha feito algo muito, mas muito mau e precipitado, ao ter cedido a esse impulso, a essas ideias. Aí foi muito difícil, porque eu via tudo com uma clareza que nunca tinha tido antes. Eu via tudo o que fiz, tudo o que fizeram, tudo o que eu prometi fazer nessa vida, antes de nascer, tudo o que eu planejei... e não fiz. Vi tudo o que eu havia feito em existências anteriores com uma clareza espantosa. Posso dizer que isso foi para mim muito duro, mas necessário, hoje eu sei.

 

"Muito diversas são as consequências do suicídio. Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém, uma consequência a que o suicida não pode escapar: o desapontamento. Mas, a sorte não é a mesma para todos; depende das circunstâncias. Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam."4

 

   8. Sabe quanto tempo durou esse sofrimento?

   - Eu não sei quanto tempo, mas posso dizer que para mim foi uma eternidade. Mesmo tendo vindo conversar com vocês algumas vezes, durante um bom tempo eu ainda fiquei vendo e revendo, sentindo e ressentido todas as coisas das quais já falei, e ouvindo as vozes a me torturarem. Um bom tempo depois, as vozes se afastaram e eu ainda continuei sentindo a minha consciência muito culpada. Com o tempo e com a preces, eu fui sentindo um pouco mais de alívio. O que sinto agora nem se compara com os tormentos que eu senti durante muitos anos.

   9. A que você atribui uma maior importância para tirá-lo daquela situação?

   - O que mais me ajudou foram as preces que fizeram por mim, porque o esquecimento, ou a lembrança triste, são como um gelo na alma. O que fizeram por mim foi como se jogassem uma coberta, um agasalho para quem morria de frio, de medo, e isso fez com que eu pudesse então não ver só dor e sofrimento, mas a possibilidade de que em algum momento isso iria cessar.

   10. Graças a Deus! Você já pensa em tomar novamente um corpo físico, ou ainda não?

   - Sim, eu penso. Penso e tenho pedido a Deus que me dê essa oportunidade. Os bons Espíritos me aconselham a paciência, pois terei essa oportunidade, e eu sei que a terei. Numa nova vida no corpo eu quero fazer diferente, quero valorizar cada oportunidade que Deus me der, valorizar tudo o que eu não valorizei até hoje. Quero lutar contra esse monstro que é o egoísmo, que foi o que me derrotou todas essas vezes, fazendo-me achar que eu era a coisa mais importante nesse mundo, a não valorizar o sentimento dos outros, nem valorizar o amor de Deus por todos nós.

   11. Você poderá se instruir junto com este grupo e também com o seu tio, quando ele estuda o Espiritismo na intimidade. Assim você se fortalece, pelo uso da razão, pela compreensão das leis de Deus e terá melhores possibilidades de lograr êxito numa nova encarnação. Se fizer isso já estará aproveitando uma boa oportunidade.

   - Sim, você tem razão.

   12. Você nos falou que já consegue se aproximar mais da sua família viva, mas ainda não de muito perto. Como isso se dá?

   - Eu posso vê-las como se fosse pelo outro lado de um vidro, por uma janela, e logo mais vou poder atravessar essa barreira, vou poder estar bem próximo delas outra vez.

   13. Ainda sente medo de ser censurado por sua mãe, pelo que você fez?

   - Sinto, sim.

   14. O medo pode ser um impeditivo para aproximar-se da sua mãe. Quando você a vir, mesmo de longe, ainda que ela não lhe ouça com os ouvidos da carne, dirija a ela o seu pensamento. Faça isso com afeto, com humildade, e peça perdão a esse Espírito que Deus permitiu que lhe recebesse como filho. Abrace sua mãe com sinceridade, desejando o bem dela. Dessa maneira, você vai conseguir se aproximar dela cada vez mais.

   Com a voz embargada, o Espírito diz: - Eu vou fazer isso, vou ter coragem de fazer isso.

   15. Peça a Santo Agostinho que lhe ajude. Peça a Deus lhe conceda a oportunidade de encontrá-la, quando ela se emancipa pelo sono, pois isso vai ajudar bastante. Nós vamos continuar a pedir a Deus por vocês.

   - Que bom, eu agradeço. Vou fazer isso.

   16. Que Deus lhe dê forças para afastar de sua alma tudo o que nela nasceu por conta do orgulho e do egoísmo. Arranque todas essas ervas daninhas, uma a uma, e será verdadeiramente feliz.

   - Farei isso. Agradeço mais uma vez por me ouvirem, por lembrarem de mim, agradeço mesmo de coração, e espero poder retribuir isso, se Deus quiser.

Henrique

(Por psicofonia, por seu tio, dia 30 de maio de 2025.)

 

Sessão do dia 3 de junho de 2025

 

   Nesta sessão analisamos a conversa do dia 30 e fizemos alguns comentários sobre as falas do Espírito de Henrique. Em seguida, foi ditada a seguinte comunicação espontânea:

   "São tantos os Espíritos que, antes de retornar a esse mundo, numa nova encarnação, fazem as mais diversas promessas do que irão fazer ou deixar de fazer! O Espírito livre, mais consciente, vê o de que precisa e deseja ser provado; ele deseja adiantar-se, então escolhe as provas que o ajudarão a subir os degraus da perfeição. No entanto, quando no corpo, suas fraquezas provocam a cegueira e o esquecimento das boas resoluções; e, muitas vezes, o homem chega a blasfemar contra o Criador, quando se depara com as provas que ele mesmo pediu a Deus para o seu próprio aperfeiçoamento.

   O Espiritismo é luz para quem deseja ver melhor, mas é preciso compreender com profundidade as consequências morais dessa ciência; é preciso que seus ensinos alcancem a alma e promovam a sua transformação. O conhecimento, sem as ações correspondentes, apenas dá àquele que conhece um acréscimo de responsabilidade."

Espírito protetor

(Psicografada dia 3 de junho de 2025.)

 

Ensinos do Espiritismo

 

"É verdadeiramente curioso ver o materialismo falar incessantemente da necessidade de elevar a dignidade do homem, quando se esforça por reduzi-lo a um pedaço de carne que apodrece e desaparece sem deixar nenhum vestígio; de reivindicar para ele a liberdade como um direito natural, quando faz dele um mecanismo, marchando como um boneco, sem responsabilidade por seus atos.

Com o ser espiritual independente, preexistente e sobrevivente ao corpo, a responsabilidade é absoluta. Ora, para a maioria, o primeiro, o principal móvel da crença no niilismo, é o pavor que causa essa responsabilidade, fora da lei humana, e à qual crê escapar fechando os olhos. Até hoje essa responsabilidade nada tinha de bem definido; não era senão um medo vago, fundado, há que reconhecer, em crenças nem sempre admissíveis pela razão. O Espiritismo a demonstra como uma realidade patente, efetiva, sem restrição, como uma consequência natural da espiritualidade do ser. Eis por que certas pessoas temem o Espiritismo, que as perturbaria em sua quietude, erguendo à sua frente o temível tribunal do futuro. Provar que o homem é responsável por todos os seus atos é provar a sua liberdade de ação, e provar a sua liberdade é revelar a sua dignidade. A perspectiva da responsabilidade fora da lei humana é o mais poderoso elemento moralizador: é o objetivo ao qual conduz o Espiritismo pela força das coisas." (Allan Kardec)5

"Será útil que oremos pelos mortos e pelos Espíritos sofredores? E, neste caso, como lhes podem as nossas preces proporcionar alívio e abreviar os sofrimentos? Têm elas o poder de abrandar a justiça de Deus?

- "A prece não pode ter por efeito mudar os desígnios de Deus, mas a alma por quem se ora experimenta alívio, porque recebe assim um testemunho do interesse que inspira àquele que por ela pede, e também porque o desgraçado sente sempre um refrigério, quando encontra almas caridosas que se compadecem de suas dores. Por outro lado, mediante a prece, aquele que ora concita o desgraçado ao arrependimento e ao desejo de fazer o que é necessário para ser feliz. Neste sentido é que se lhe pode abreviar a pena, se, por sua parte, ele secunda a prece com a boa-vontade. O desejo de melhorar-se, despertado pela prece, atrai para junto do Espírito sofredor Espíritos melhores, que o vão esclarecer, consolar e dar-lhe esperanças. Jesus orava pelas ovelhas desgarradas, mostrando-vos, desse modo, que culpados vos tornaríeis, se não fizésseis o mesmo pelos que mais necessitam das vossas preces."6

 

__________

1 A Gênese - A Gênese segundo o Espiritismo, cap. I - Caráter da revelação espírita, item 32

2 O Livro dos Espíritos - Das esperanças e consolações, cap. II - Das penas e gozos futuros - Duração das penas futuras, item 1009

3 Revista Espírita, março de 1869 - A carne é fraca - Estudo fisiológico e moral

4 O Livro dos Espíritos - Das esperanças e consolações, cap. I - Das penas e gozos terrestres - Desgosto da vida. Suicídio, item 957

5 Revista Espírita, março de 1869 - A carne é fraca - Estudo fisiológico e moral

6 O Livro dos Espíritos - Parte Terceira - Das leis morais, cap. II - Lei de adoração - A prece, item 664

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